Da ode a Ronaldo à garantia sobre o hino: tudo o que disse Jorge Jesus
Jorge Jesus realizou a conferência de imprensa de antevisão ao jogo de estreia pela Seleção Nacional, diante do País de Gales, agendado para quinta-feira, às 19h45, no Estádio de Alvalade. Choveram reações por parte da plateia que lotou um dos palcos da Portugal Football Summit
-O objetivo primoridal é ganhar a Liga das Nações ou começar a preparar o próximo campeonato do Mundo?
-Como o Cristiano já disse, já tivemos muitas situações de grandes competições e nunca vimos uma plateia com tanta gente numa conferência de imprensa. Também é bom, o futebol precisa cada vez que os agentes partilhem com a Seleção e os jogadores. Estou numa Seleção que tem os melhores jogadores do mundo. Todos os objetivos são para ganhar, também fui habituado nos clubes em que estive. A primeira competição é a Liga das Nações, ainda por cima somos os detentores, como é obvio temos de defendê-lo. É o presente, como treinador nunca ganhei um título na seleção, é a primeira vez e era bom entrar com um título.
-Ronaldo vai ser titular?
-Hoje vai ser o meu primeiro treino de campo, ontem foi praticamente de recuperação. Se não acontecer nada de especial o Cris vai jogar, de início.
-Como têm sido os primeiros dias no grupo?
-Muitas pessoas dizem que ser selecionador não é ser a mesma coisa de ser treinador de um clube. Ao longo destes dois meses não tenho notado isso. Todos os dias estou na FPF, independentemente de não haver treinos, era o que fazia nos clubes. Em todos os meus clubes chegava as 8h da manhã e o treino era às 17h/18h, há sempre trabalho para fazer. É isso que tenho feito não tenho sentido nenhuma diferença.
-Em 2017 disse que o futebol ia evoluir para um jogo com variedade tática e os jogadores tinham de ser extremamente inteligentes para dentro do próprio jogo conseguirem mudar as coisas. Com este grupo de jogadores que tem, vamos ver uma Seleção com variabilidade tática ou é muito cedo para falar nisso?
-Cada vez mais tenho a certeza absoluta de que o futebol está a evoluir para isso, os sistemas têm de variar durante o jogo. Nesta Liga das Nações não sei se vai existir time-out, mas caso haja, são um meio para os treinadores mudarem e variarem o sistema. Todas essas modalidades tirando o futebol já têm essa componente, os treinadores mudam de acordo com o que o jogo ditar, tendo jogadores inteligentes. Para isso é preciso jogadores inteligentes. Hoje na minha conversa com eles, no treino de sala, disse 'É mais facil treinar-vos porque são inteligentes e percebem as coisas mais facilmente'. Tenho essa vantagem,são mais inteligentes. percebem as coisas mais do jogo mais facilmente.
-Ronaldo joga os 90 minutos amanhã?
-Não é difícil, vamos concluir dizendo que, metendo-me um bocadinho na conversa do Cris. Noto a preocupação sobre até quando o Cris vai jogar, se tem condição fisica para jogar. O Cris um símbolo de Portugal e da Seleção [aplausos]. Perante isto, se tem o direito a jogar os jogos, não lhe dá o direito. Mas passei com ele um ano, sei o que é esta referência para Portugal. Para dar um exemplo, fizemos jogos em Hong Kong num estádio para 55 mil pessoas. No jogo em que não jogou estavam 3 mil, no jogo em que jogou estiveram 55 mil, é a diferença. Se vai jogar amanhã 90 minutos, o jogo é que dita. Espero que não aconteça nada fisicamente, que as coisas corram muito bem, que marque um ou dois jogos e aí tiro-o logo.
-O que vai sentir amanhã quando ouvir o hino pela primeira vez como selecionador?
-Vai ser o meu primeiro jogo, tenho sentimentos. Sou português, amo o meu país, não se como me vou sentir mas uma coisa garanto, sei o hino nacional todo. É uma mistura de sentimentos, mais nada do que isso.
-Revelou que Ronaldo vai ser titular, João Palhinha também vai dizer?
-O estatuto é diferente. Ele [Ronaldo] tem estatuto posso dizer, o outro [Palhinha] não tem estatuto, não digo.
-Na apresentação falou que queria um meio-campo com dinâmicas diferentes e acaba por convocar quase todos os médios que estiveram no Mundial, à exceção de Palhinha. Que novas dinâmicas vai trazer ao meio-campo da seleção?
-Falo muito nisto e continuo a dizer, o futebol é arte, jogado pelos jogadores e arte de quem treina. O futebol não é uma ciência exata. Tal como nas outras profissões a criatividade faz a diferença. Tenho uma forma de olhar para o jogo diferente do antigo selecionador e é natural que isso permita que os mesmos jogadores joguem em posições diferentes que jogam no clube. Sinto que posso criar uma nova dinâmica, nova cultura de jogo, acredito nos meus jogadores e no meu trabalho. Não sou um treinador de a jogar com 4x3x3 com 3 médios no corredor central. Posso jogar com três médios com características diferentes. Sou apologista de ter um médio de cobertura, recuperador, que compensa os centrais, vamos trabalhando e falando para saberem o que devem fazer. Só aí vai ser diferente. Sou um treinador que gosta de jogar mais com um segundo avançado do que um terceiro médio. Sempre? Não. Se gosto de jogar mais com um segundo avançado atrás do Cris ou do Gonçalo Ramos, as características da equipa já são diferentes.
-Qual é o segundo avançado que encaixa melhor com as características do Cristiano?
-Todos. Todos têm características para poderem joga com ele. Também é verdade que tenho a noção que chegar ao meu primeiro jogo sem uma base de treino, não posso mudar tudo, isso até atrofia os jogadores. Não vou fazer nada disso. Vou tentar com 2/3/4 jogadores que já têm mais tempo de treino, uma base tática, esses vão jogar.