Infantino entrega Prémio da Paz a Donald Trump (IMAGO)
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Conflito no Irão: FIFA «focada» na presença de todas as equipas no Mundial

Organismo que rege o futebol a nível global já reagiu ao ataque com mísseis dos Estados Unidos e Israel ao país asiático, que marca a atualidade deste sábado

A FIFA assegura que o seu foco principal é garantir que «todos participem» no Mundial deste verão, numa altura de crescente tensão militar entre os Estados Unidos, país anfitrião, e o Irão, uma das seleções qualificadas.

A escalada do conflito iniciou-se no sábado, com ataques aéreos dos EUA e de Israel a várias cidades iranianas, incluindo a capital Teerão, após semanas de tensão diplomática. Em retaliação, o Irão lançou os seus próprios mísseis contra Israel e bases aéreas norte-americanas na região do Golfo, nomeadamente nos Emirados Árabes Unidos, no Catar e no Barém.

Questionado sobre o impacto desta crise no Mundial, o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, mostrou-se cauteloso. «Li as notícias da mesma forma que vocês esta manhã. Tivemos uma reunião hoje e seria prematuro comentar isso em detalhe», afirmou durante uma reunião do International Football Association Board (IFAB) no País de Gales.

Apesar da cautela, Grafstrom sublinhou o compromisso da organização: «Claro que vamos monitorizar os desenvolvimentos em torno de todas as questões pelo mundo. Tivemos um sorteio final em Washington onde todas as equipas participaram e, claro, o nosso foco é ter um Mundial seguro com a participação de todos».

O Irão, que em março de 2025 garantiu a sua quarta qualificação consecutiva para a fase final de um Mundial, tem jogos da fase de grupos agendados para junho contra a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles, e contra o Egito em Seattle. A base de treinos da equipa está prevista para o Kino Sports Complex em Tucson, no Arizona.

A situação é complexa devido às restrições de viagem já existentes. A chamada «proibição de viajar» do presidente dos EUA, Donald Trump, impede a entrada de cidadãos iranianos no país. No entanto, a legislação, promulgada em junho de 2025, prevê exceções para «qualquer atleta ou membro de uma equipa desportiva» que viaje para grandes eventos como o Mundial.

Recorde-se que, no ano passado, vários delegados iranianos viram os seus vistos negados antes do sorteio do Mundial em dezembro. Na altura, Andrew Giuliani, chefe da força-tarefa da Casa Branca para o Mundial, justificou que «cada decisão sobre vistos é uma decisão de segurança nacional».

Após o sorteio, o selecionador iraniano, Amir Ghalenoei, evitou comentar a política, remetendo a questão para a FIFA. Questionado sobre a preocupação com a obtenção de vistos, afirmou, através de um tradutor, que «todos, a FIFA, estão a tentar. Como prometeram, farão o seu melhor para que toda a equipa, staff e jogadores possam estar presentes para participar no Mundial».

A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e a Federação de Futebol do Irão foram contactados para comentar, mas não houve resposta até ao momento.

A ação militar já teve repercussões no desporto regional. Jogos de futebol em Israel e no Catar foram adiados. A emissora beIN Sports, sediada no Qatar, foi forçada a transferir a produção da sua cobertura da Premier League para Londres. No entanto, a final de pares do Dubai Tennis Championships decorreu como planeado, embora a final de singulares tenha sido cancelada devido a uma lesão de Tallon Griekspoor.