Kylian Mbappé é o melhor marcador dos 'merengues' - Foto: IMAGO

O ‘caso Kaká’ que coloca Mbappé em alerta no Real Madrid

Lesão do francês gerida com pinças pelos 'merengues'

A situação de Kylian Mbappé, a contas com uma lesão no joelho esquerdo, recorda o calvário vivido por Kaká, em 2010, no Santiago Bernabéu. O brasileiro, na altura, jogou com dores para não falhar o Mundial, o que acabou por agravar a sua lesão e obrigá-lo a uma cirurgia que ditou uma longa paragem.

O problema do avançado francês começou a 7 de dezembro, num lance durante o jogo contra o Celta de Vigo. O que pareceu ser apenas um mau jeito e uma dor ligeira transformou-se num problema persistente. Na altura, os exames não revelaram nada de grave para além de um traumatismo, e o gaulês falhou apenas um jogo, contra o Manchester City. Depois, participou nos últimos três encontros do ano civil, frente a Alavés, Talavera e Sevilha, especulando-se que terá forçado a sua condição física para tentar igualar o recorde de golos de Cristiano Ronaldo num ano (59), o que conseguiu.

As incertezas aumentaram no início do novo ano, quando Mbappé, após as férias de Natal, falhou os quatro primeiros jogos. O Real Madrid emitiu apenas um boletim clínico após o jogo com os galegos, que mencionava uma «entorse no joelho». Contudo, começou a circular a informação de que o avançado poderia ter o ligamento lateral externo afetado.

José González, experiente traumatologista desportivo, garante, ao jornal AS, que uma lesão no ligamento externo, tal como no menisco externo, «não impede tanto o jogador como o interno». Segundo o especialista, «é por isso que Mbappé pode jogar com uma pequena elongação, mas com a sobrecarga de esforços acaba por sentir dor». O médico considera que a solução é simples: «Se não houver mais nada do que sabemos, a solução é clara, na minha opinião. Ele só tem de parar. Parar a sério até que o problema se resolva».

Apesar da recomendação, Mbappé não parou por muito tempo. Esteve ausente entre 20 de dezembro e 14 de janeiro, período no qual jogou apenas 14 minutos na final da Supertaça contra o Barcelona. Depois disso, alinhou em seis jogos consecutivos antes de voltar a descansar.

A sua participação no jogo da primeira mão na Luz, contra o Benfica, foi visivelmente condicionada, e a dor, que nunca desapareceu desde dezembro, acabou por impedi-lo de jogar na segunda mão da UEFA Champions League. Perante este cenário, o jogador está a procurar segundas opiniões médicas.

A experiência de Kaká em 2010 é um precedente preocupante. O brasileiro enfrentou um problema semelhante no menisco externo do joelho esquerdo e jogou com dores durante a segunda metade da época para poder estar presente no Mundial da África do Sul. Após o torneio, em agosto, teve de ser operado de urgência em Antuérpia pelo Dr. Marc Martens, uma autoridade mundial em cirurgia ao joelho.

A artroscopia revelou que, para além do menisco, o craque brasileiro tinha também uma lesão no ligamento, o que prolongou o seu tempo de recuperação para quatro meses. Na altura, o Dr. Martens foi taxativo: «Os jogadores acreditam que podem jogar com queixas, ele devia ter avisado mais cedo». O cirurgião acrescentou que, ao ver os exames, contactou imediatamente o jogador: «Liguei a Kaká e disse-lhe: ‘Vem ver-me rapidamente porque o problema pode agravar-se’».

Agora, Mbappé encontra-se num dilema semelhante, com um Mundial no horizonte e dores persistentes no joelho esquerdo. As opções em cima da mesa são uma paragem prolongada de várias semanas ou uma cirurgia para resolver o problema de vez. De momento, tanto o Real Madrid como o jogador preferem a abordagem conservadora.

À saída de uma clínica em Antuérpia, Kaká revelou que sentia dores no joelho há já bastante tempo, mas desconhecia a gravidade da situação. As declarações do antigo internacional brasileiro podem servir de alerta para Mbappé. «O joelho já me doía há bastante tempo, mas eu não sabia que era algo importante», confessou o ex-jogador merengue.