Resposta do treinador do FC Porto a A BOLA

Confiança em alta para a Champions, um super Gabri e Souza em vez de Francisco Moura: tudo o que disse Farioli

Treinador dos azuis e brancos queria ter «fechado» o jogo «mais cedo». Quer replicar bom começo contra o Nápoles. Máquinas do meio-campo bem oleadas

Francesco Farioli, técnico do FC Porto, fez a análise à vitória por 4-0, diante do Estoril, a contar para a décima jornada da Liga, na sala de imprensa do Estádio do Dragão.

— O que mais destaca na exibição?

— A abordagem. Foi um jogo com dificuldades porque, naturalmente, não tínhamos toda a informação necessária para o preparar devidamente. Tínhamos abordado a necessidade de estar preparados para o desconhecido, e foi exatamente o que aconteceu. Quando vimos o onze inicial, verificámos alterações nos jogadores adversários, o que lhes permitia abordar a partida com uma estrutura diferente. Contudo, queríamos entrar bem. Os jogadores demonstraram uma atitude exemplar e com qualidade. Jogámos muito bem nos últimos trinta metros, marcámos um belo golo e criámos bastantes ocasiões nos primeiros 25 a 30 minutos — creio que somámos mais de onze remates nesse período. O ideal teria sido fechar o jogo um pouco mais cedo, mas acabou por demorar mais tempo. Ainda assim, estamos satisfeitos com o resultado e o desempenho. Agora, é momento de seguir em frente e começar a preparar o jogo com o Nápoles.   

— Esta é a melhor forma de preparar animicamente o plantel para um jogo tão importante na Liga dos Campeões?   

— Com certeza. É sempre fundamental vencer, marcar golos, ganhar confiança e integrar todos os jogadores, tal como sucedeu nas últimas duas partidas. O volume de jogos e o nível de exigência competitiva assim o exigem. É crucial chegar com boas sensações à preparação do próximo compromisso na Liga dos Campeões, cientes de que se trata de uma competição diferente e de um adversário distinto. Iremos estudá-los nos próximos dias e preparar o encontro da melhor forma possível.   

— Pretende replicar os primeiros 30 minutos deste jogo já na Liga dos Campeões?   

— Em teoria, sim. Contudo, dependemos sempre de fatores como o adversário, o plano que apresentará e a forma como cada equipa encarará a partida. Em termos de intenção, queremos sempre instalar o bloco nos últimos 25 metros, mantendo o controlo territorial e a capacidade de penetração na área para criar oportunidades de golo. Nem sempre o desenrolar do jogo o permite, pelo que a equipa tem de saber adaptar o seu fato às circunstâncias da partida. Ainda não analisei o Nápoles ao detalhe, começarei amanhã de manhã a preparar esse compromisso da melhor forma para estarmos à altura da exigência da Liga dos Campeões.

— Nesta época, com três avançados disponíveis, acredita que o FC Porto pode finalmente apresentar uma nova faceta ofensiva?   

— Por um motivo ou por outro, ainda não conseguimos dispor do poderio máximo no setor ofensivo. Hoje estávamos sem extremos devido às ausências do William e do Oskar. É fundamental contarmos com o contributo de vários atletas: hoje o Victor desbloqueou o jogo, o Gabri marcou e assistiu, e elementos como o André, o Samu, o Borja e o Pepê também estiveram a um nível muito positivo. Importa que todos estejam preparados para ajudar, finalizar e sentir-se plenamente envolvidos no processo da equipa.  

— Como avalia a convivência de Froholdt e Gabri Veiga em simultâneo e este arranque de temporada do Gabri? 

— São dois jogadores de enorme importância, elementos que nos últimos 15 a 16 meses têm sido determinantes para o rendimento da equipa. Têm perfis distintos: o Victor teve uma adaptação rápida, com fases excelentes e algumas oscilações naturais, terminando em grande plano. O Gabri também começou bem, passou por um período em que não esteve na melhor forma física, mas fechou a época passada em crescendo e regressou no verão com outro nível em várias vertentes. Melhorou a capacidade física fruto do empenho e do trabalho realizado no defeso. Voltou com maior maturidade e confiança. Mantém as qualidades técnicas que lhe são reconhecidas, mas está a dar um salto qualitativo na carreira. Já era uma das referências técnicas e, agora, a sua atitude e postura em campo influenciam positivamente toda a equipa. Quando exibe este nível, o jogo torna-se mais fluído para todos. 

— Acha que a ausência de extremos tem vindo a potenciar o protagonismo dos médios e do jogo interior do FC Porto? 

— Sim, tivemos de encontrar soluções e recursos alternativos, exigindo maior responsabilidade aos jogadores. Na semana passada, alterámos o sistema e a estrutura habitual para contornar esse problema. O futebol é isso mesmo: exige capacidade de adaptação a contingências fora do nosso controlo. Os atletas demonstraram total recetividade para desempenhar diferentes funções e atuar em novas estruturas táticas, algo determinante para quem compete a cada dois ou três dias.   

— Neste encontro não contou com Martim Fernandes e o Zaidu foi substituído ao intervalo. Há motivo de preocupação para o jogo contra o Nápoles?

— O Martim acordou esta manhã com febre, pelo que não reuniu condições para ir a jogo. Quanto ao Zaidu, é prematuro fazer uma avaliação definitiva logo nas primeiras horas. Será reavaliado amanhã. Tratou-se, sobretudo, de uma substituição por precaução, optando por preservar o jogador. Amanhã teremos uma visão mais clara.

— O que motivou a aposta em Souza em detrimento de Francisco Moura? 

— Tal como o Martim, o Francisco Moura esteve doente nas últimas horas. Não treinou há dois dias e ontem realizou apenas parte da sessão com o grupo. Foi, por isso, uma excelente oportunidade para dar continuidade ao trabalho do Souza após o jogo recente. Todos os elementos do plantel são importantes e terão impacto, sendo prioritário recuperar os jogadores indisponíveis com a maior brevidade.  

— Como avalia o trabalho e o crescimento de Gabriel Mec?

— Tem trabalhado muito bem. Os minutos que tem somado devem-se à necessidade evidente de gerir o esforço dos homens da frente, mas também ao mérito demonstrado nos treinos diários. É preciso contextualizar: é um jovem em processo de maturação, que precisa de evoluir fisicamente e assimilar os mecanismos e as dinâmicas da equipa. Possui inegável qualidade técnica e traços únicos no seu futebol. Estamos a trabalhar com ele para que atinja o patamar desejado o mais rapidamente possível.

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