Borja Sainz fez o gosto ao pé no Dragão - Foto: Catarina Morais/KAPTA+
Borja Sainz fez o gosto ao pé no Dragão - Foto: Catarina Morais/KAPTA+

Canarinhos de asa muito curta demasiado tenros para o dragão (crónica)

Vitória clara, por números expressivos, que traduzem a diferença entre quem tem 30 pontos em 30 possíveis, e quem em 30 pontos perdeu 28. O FC Porto teve uma noite descansada e o Estoril deu noite de descanso aos melhores jogadores. Opções…

Francesco Farioli aproximou-se mais do recorde de Mihály Siska, de 13 vitórias nas jornadas iniciais do Campeonato (1939/40), quando o mítico húngaro, que chegou em 1924 à Invicta como guarda-redes, a ganhar a fortuna de mil escudos mensais e a ter como emprego um posto na Sociedade de Vinhos Borges e Irmão, caminhou para a dobradinha como treinador dos azuis-e-brancos.

Este foi o jogo mais fácil do FC Porto na presente temporada, por um lado porque começou bem a partida (1-0 logo aos 4 minutos, por Froholdt, a passe de Pepê), por outro porque asfixiou os canarinhos que no primeiro tempo não enquadraram nenhum remate, tiveram apenas 30 por cento de posse de bola, e fizeram de Diogo Costa o 43.135º espetador da partida. No segundo tempo, logo que a equipa da linha quis mudar alguma coisa (61), Borja Sainz ligou o turbo e num ápice - nove minutos - o resultado passou para 4-0. Aquilo que se percebia que estava resolvido, mais resolvido ficou e Farioli teve oportunidade de pensar no Nápoles, que não será, na próxima quarta-feira, nenhuma sfogliatella no Dragão.

Pode dizer-se, sem medo de errar, que este FC Porto de Farioli é uma equipa estabilizada, com processos de jogo já enraizados. Tem virtudes que lhe dão para não vacilar perante adversários menos apetrechados e defeitos que a impedem de se soltar quando a parada é mais alta. Contra o Estoril, atual lanterna-vermelha da Liga, aos dragões bastou o seu rendimento normal para, pela intensidade, fazerem a diferença. E provavelmente até tiveram a vida mais facilitada quando perceberam que as opções do técnico canarinho passavam por um 4x5x1 de linhas muito baixas, e que este abdicava dos maiores talentos do plantel, como Holsgrove, João Carvalho, Sánchez ou Omerovic (e não terá sido pela ausência de Robles que as coisas correram mal, porque Turk esteve à altura das circunstâncias).

Logo que Froholdt — atenção ao meio-campo do FC Porto que tem no dinamarquês um dínamo, muitíssimo bem acompanhado na outra ala por Gabri Veiga, ficando Pablo Rosario com a missão de se encarregar dos equilíbrios — abriu o ativo, com assistência de Pepê, que na primeira parte pecou demasiado ao realizar um sem número de cruzamentos da direita que foram de fácil digestão pela defesa canarinha, pensou-se que o score iria, de imediato, avolumar-se: os donos da casa mantinham-se pressionantes e os forasteiros apenas queriam ver a bola longe da sua baliza. Foi assim que Rosario e Veiga, aos 9 e 10 minutos obrigaram Turk a brilhar e aos 25 Alberto fez o guarda-redes esloveno subir ao Olimpo com uma defesa digna dos Deuses.

O segundo tempo trouxe Souza (boa exibição) no lugar do queixoso Zaidu, e os primeiros minutos mostraram um FC Porto pouco intenso. Percebendo isso, Sérgio Raimundo, que já fizera entrar Omerovic (50), mandou a jogo Amissah, Xeca e Camblam (61). Iriam estas alterações resultar em alguma melhoria? Nunca se saberá porque entre os 64 e os 73 minutos os dragões marcaram por três vezes, arrumando com todas e quaisquer dúvidas (académicas) que pudessem subsistir.

Com tudo decidido, nota para um remate de Omerovic (magníficas indicações do internacional bósnio) aos 78 minutos, que fez a bola embater com estrondo no travessão portista, ressaltando de seguida para as mãos de Diogo Costa.

Noite sem sobressaltos para os adeptos do dragões, que estão já de olhos postos na versão europeia da equipa de Farioli, que defrontará de seguida os compatriotas da República Maradoniana. 

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