Frederico Varandas presente em Rio Maior no Casa Pia-Sporting - Foto: Miguel Nunes
Frederico Varandas presente em Rio Maior no Casa Pia-Sporting - Foto: Miguel Nunes

Sporting: desta vez a bola entrou...

Viver dependente do resultado seguinte é um vício da gestão desportiva portuguesa, cujos silêncios podem ser estratégicos e, se não o forem, podem passar a ideia errada

A vitória do Sporting trouxe alívio imediato, mas, creio, será erro confundi-la com a cura dos males leoninos. Os três pontos baixam o nível da contestação e compram tempo a Rui Borges, mas confirmam um algo que já aqui apontei: em Portugal, a estabilidade de um projeto continua refém de a bola entrar ou não.

O Sporting criou ocasiões suficientes para construir um resultado folgado e não ter de respirar só com o 2-0 tardio. O desperdício no primeiro tempo e a intranquilidade com que a equipa geriu ritmos no segundo mostram que a ansiedade ainda existe. A eficácia e, sobretudo, a maturidade competitiva são o que separa uma equipa dominante de um grupo que vive com o coração nas mãos.

As bancadas festejaram o triunfo, mas a desconfiança não terá desaparecido. Porque é preciso sarar uma relação que nos últimos tempos era de divórcio entre bancada e banco. Rui Borges e a equipa fizeram o seu papel em Rio Maior, mas é aqui que a SAD tem de provar a sua liderança, como já fez noutras alturas.

Se Frederico Varandas acredita que este plantel remodelado tem futuro nas mãos de Rui Borges, o momento de cerrar fileiras e blindá-lo é agora, na vitória, e não quando a crise voltar.

Os resultados validam o processo, e a tarefa de criar uma ideia consolidada num plantel praticamente novo pode ser demasiado grande para Rui Borges (seria fácil para alguém?). Mas em todos os clubes, quando se deixa a ideia de que o treinador está a prazo, no «jogo a jogo», fica-se refém das bancadas. É por aí que a corda por vezes parte. No argumento de que «ficou sem condições para ser o técnico», pela separação do adepto com o treinador, provocado muitas vezes pelo silêncio de quem manda. Esse silêncio, por norma, denuncia uma vontade. Chega a ser estratégico, como já se viu noutros clubes. A liderança prova-se, por vezes, na resistência à histeria quando o resultado não surge. Mas ou Varandas valida o líder do balneário de forma taxativa, ou pode estar a alimentar a ideia de uma saída sentenciada.

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