Ruben Amorim venceu o seu primeiro dérbi de Milão - Foto: IMAGO

Ruben Amorim mete água na fervura: «Título? Os adeptos não são parvos...»

Ainda assim, o treinador deixou vários elogios à sua equipa após a vitória no dérbi frente ao Inter (3-1)

Ruben Amorim não escondeu a satisfação pelo triunfo do Milan diante do Inter, por 3-1, no seu primeiro Derby della Madonnina. Em declarações à Sky Sport, o treinador elogiou a atitude e entrega do plantel após o desaire frente ao Bolonha e numa fase com pouco tempo de descanso entre os compromissos competitivos.

«É importante, o ambiente e a atmosfera são fantásticos, o que é natural depois de um jogo destes e sobretudo após aquela quarta-feira. Ficou claro, ainda mais depois da derrota contra o Bolonha [2-4], que queríamos festejar ainda mais. Estou muito orgulhoso pelo que os meus jogadores fizeram. Com tão pouco descanso entre jogos, lutaram do primeiro ao último minuto. Estou mesmo muito orgulhoso», destacou o técnico.

Questionado sobre a postura serena que exibiu à margem do relvado, explicou a leitura que fez do grupo desde o apito inicial: «Procuro ler e interpretar o que a equipa me transmite. Desde o primeiro minuto tive a sensação de que estávamos prontos para ser competitivos. A equipa esteve sempre focada, calma, e isso transmitiu-me total confiança.»

Para além de nomes sonantes como Modric, Rabiot e Pulisic, o timoneiro fez questão de valorizar o trabalho coletivo e o desempenho do setor mais recuado. «Não são apenas esses três jogadores, penso que é todo o ambiente e a concentração da equipa. Gosto do modo como todos jogam e se expressam em campo. Gostaria, por exemplo, de destacar o Pavlovic e o De Winter, que têm jogado todos os encontros pela forma como se apresentam, sobretudo frente a um adversário tão forte na área. E depois, claro, elementos como Rabiot, Pulisic, Moreira... todos estiveram muito bem», frisou.

«As linhas estiveram mais juntas, algo visível ao longo de toda a partida, tanto na pressão alta como no bloco baixo. Com as linhas mais próximas, as distâncias encurtaram, o que permitiu correr menos e manter a frescura durante o jogo. Fomos muito agressivos nos corredores laterais e intercetámos muitos cruzamentos antes de serem efetuados, algo bastante difícil contra uma equipa como o Inter. Defendemos bem a pressionar alto e também nas alas, com uma agressividade superior ao habitual», analisou.

Por fim, confrontado com a candidatura ao título, Amorim colocou água na fervura e pediu paciência, lembrando a visão da estrutura diretiva. «O que Cardinale disse é que o objetivo é, de facto, o Scudetto, mas é crucial vencer estes jogos para que os adeptos compreendam que as coisas não mudam num mês, em dois meses ou num ano. Temos de percorrer este caminho: não se pode contratar um treinador, mudar todos os futebolistas e ter um novo plantel para cada técnico que chega; isso exige tempo», alertou.

«Vamos precisar de noites mágicas, mas também de ultrapassar dificuldades, como a de quarta-feira, e desfrutar de alegrias como a desta noite. A situação não vai mudar do dia para a noite, é impossível. Se o Scudetto é possível? Não sei quando, mas temos de ser totalmente honestos com os adeptos. As pessoas não são parvas, compreendem perfeitamente o momento de crescimento em que a equipa e o clube se encontram», rematou.

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