«Concordo com Mourinho mas não havia necessidade»
José Mourinho defendeu que algumas dificuldades que a equipa sentiu contra o FC Porto, no clássico, foram provocadas pela necessidade de recuperar, no centro do meio-campo, a dupla composta por Enzo Barrenechea e Richard Ríos, pela impossibilidade de utilizar o lesionado Aursnes e por poder contar com Leandro Barreiro, com problemas físicos, apenas nos últimos 15 minutos. João Alves, 73 anos, glória do Benfica, treinador, compreende as declarações, mas talvez não fosse tão longe no reconhecimento público da fragilidade da equipa.
«Mourinho chegou à conclusão, há algum tempo e depois da contratação de Rafa, de que Aursnes e Barreiro são a melhor dupla no meio-campo. Também seria a minha. Completam-se, são muito dinâmicos, defendem e atacam bem, sabem jogar bem à bola», diz João Alves a A BOLA.
Sem deixar cair a bola, o luvas pretas continua, numa referência à personagem Diácono Remédios, interpretada por Herman José: «É raro, numa época tão longa, com lesões e castigos, os jogadores estarem disponíveis sempre. Como diz o outro, não havia necessidade de dizer aquilo sobre os outros dois. É muito chato. Concordo com Mourinho, mas há verdades que podem ser ditas e é preciso ter cuidado com algumas. Mas cada um assume as coisas à sua maneira.»
João Alves percebe o caminho percorrido até encontrar a melhor solução. «Temos de recuar no tempo e recordar que, no início, Mourinho optou pela dupla Enzo-Ríos, enquanto Aursnes, devido à polivalência, jogou na direita e na esquerda e Leandro Barreiro mais à frente. Quando um treinador chega a uma equipa decide pela avaliação que vai fazendo e monta a equipa à sua maneira. No início, preocupou-se em construir uma equipa sólida, pouco criativa do meio-campo para a frente. Foi melhorando com as alterações, passou a defender bem e também a atacar melhor. É uma evidência que o Benfica estava a jogar melhor com Aursnes e Barreiro no meio-campo», prosseguiu.
Se é claro, para João Alves, que Barrenechea é um médio «mais posicional e pode equilibrar a equipa em determinados jogos», ainda não é certo como será a evolução de Richard Ríos. Só tem certeza de uma coisa: «Não desistiria dele.»
«Parece-me um jogador que quer andar pelo campo todo, abandona muito a posição, abre buracos numa zona fulcral, é, de certa forma, indisciplinado taticamente. Não sabe pisar o campo. Não me parece que tenha confiança no seu valor, parece meio desconfiado com ele e com a equipa, não está integrado nem tira total rendimento das qualidades dele. Talvez funcione bem num 4x3x3 como interior-direito. Mas a minha ideia é a de que vai dar a volta por cima e pode ser a surpresa, pela positiva, na próxima época. Não desistiria dele. É forte fisicamente, tem boa dinâmica, tecnicamente é bom. É um jogador que deixa água na boca. Tem mais possibilidade de ser melhor que o contrário», rematou João Alves.