Mundial
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É preciso ter memória, Portugal
Portugal parte com altas expectativas para o Mundial-2026. É das seleções com mais hype das 48 em prova, seja por causa dos muitos craques mundiais e em boa medida por se tratar do último Campeonato do Mundo de Cristiano Ronaldo. A ambição também tem sido alimentada pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, que não se cansa de colocar essa pressão interna na esperança de reforçar, nas suas palavras, uma cultura de vitória.
Mas convém ter memória. Portugal não se dá, tradicionalmente, com altos estatutos. Em 2002, por exemplo, e na sequência de um extraordinário Europeu que terminou num golo de ouro nas meias-finais, muitas casas de apostas e os mais variados analistas davam a Seleção do Bola de Ouro Luís Figo como uma das favoritas ao título na Coreia do Sul e Japão e o que aconteceu foi uma deceção; em 2018, dois anos depois da conquista do Europeu em França, o Mundial da Rússia ficou aquém do esperado e desejado; e talvez mais relevante: Portugal ainda soma menos vitórias do que não vitórias (empates e derrotas) no conjunto de todas as suas participações em Campeonatos do Mundo. Precisa de mais lastro.
É importante, pois, que a humildade e realismo também embarquem amanhã para os Estados Unidos. Em 22 edições de Mundiais, só oito países conseguiram sair vencedores e desde 2010, com a vitória da Espanha na África do Sul, que não há um novo campeão. O peso da tradição e a lei do mais forte têm vindo a impor-se numa competição que encerra, desta forma, um certo conservadorismo.
Os dois jogos particulares, frente a Chile e Nigéria, não geraram grande entusiasmo, mas em boa verdade esse não é um problema apenas de Portugal, é algo transversal. A França, por exemplo, perdeu frente à Costa do Marfim. Pouco interessa os resultados nesta fase, o fundamental é dar embalagem, rodagem e de certa forma alimentar um espírito de concorrência interno.
Daí que seja importante, fundamental mesmo, Portugal ter marcado quatro golos e nenhum ter sido apontado por Cristiano Ronaldo (Gonçalo Guedes, Bruno Fernandes, Pedro Neto e Francisco Conceição). Depender excessivamente de um jogador com um passado monumental, mas que tem 41 anos, seria um suicídio tático e estratégico. Encontrar o equilíbrio entre o que CR7 dá e tira será uma das chaves do sucesso. No Euro-2024 correu mal, na Final Four da Liga das Nações (em dois jogos) correu bem...