Começa hoje, no Estádio Azteca, na Cidade do México, perante uma plateia lotada, o 23.º Campeonato do Mundo de Futebol, 96 anos depois da estreia da competição, 7500 quilómetros a sul, em Montevideu, com dois jogos em simultâneo: França 4–México 1 e Estados Unidos 3–Bélgica 0.

Na partida inaugural da edição de 2026, o anfitrião México é naturalmente favorito perante os ‘Bafana Bafana’ da África do Sul, mas isso vale o que vale: no primeiro Mundial a que assisti, o Itália 90, o jogo de abertura foi, em San Siro, entre a Argentina, que defendia o título de campeã do mundo, e os Camarões e, não obstante do outro lado estarem Diego Maradona e companhia, a vitória acabou por sorrir aos africanos, graças a um golo de François Omam-Biyik, aos 67 minutos. A Argentina apurou-se para a fase seguinte, apesar de ter ficado em terceiro lugar no grupo, evoluiu durante a competição e chegou à final, que perdeu com a Alemanha, com muitas (e justas) razões de queixa da arbitragem.

Em 1982, em Espanha, a Itália não conseguiu vencer nenhum dos três jogos da fase de grupos (tal como Portugal em 2016) e sagrou-se campeã do mundo.

Quer isto dizer que qualquer equipa que queira levantar a Taça — e este ano há mais um jogo para os finalistas e semifinalistas — deve ter um plantel com grande profundidade, saber geri-lo e ser capaz de melhorar de jogo para jogo. Para se ser campeão do mundo, mais importante do que começar bem é crescer em confiança ao longo da competição.

No jogo de abertura de hoje, o mexicano Guillermo Ochoa (ex-Desportivo das Aves), ao constar da ficha de jogo, será o primeiro jogador a marcar presença em seis Mundiais, embora, nos dois primeiros (Alemanha 2006 e África do Sul 2010), tenha sido ‘apenas’ suplente não utilizado. Já Lionel Messi, se for utilizado em Kansas City, no Argentina–Argélia de 16 de junho, tornar-se-á o primeiro futebolista da história a pisar o relvado em seis Mundiais, marca que poderá ser igualada por Cristiano Ronaldo no dia seguinte, frente à RD Congo, em Houston. Porém, se o capitão da Seleção Nacional marcar neste Mundial da América do Norte, será o primeiro a alcançar a proeza de o fazer em seis Campeonatos do Mundo, com a curiosidade de, até agora, só ter gritado ‘golo’ na fase de grupos.

*Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), nos Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilvers e New Jersey Americans) e no Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 disputar-se-á por terras onde o ‘King’ espalhou o fulgor derradeiro da sua magia… 

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