Richard Ríos soma 36 jogos, três golos e três assistências no Benfica — Foto: Miguel Nunes
Richard Ríos soma 36 jogos, três golos e três assistências no Benfica — Foto: Miguel Nunes

Ríos em busca de um lugar na equipa e... do lugar na equipa

Médio colombiano é candidato forte a substituir Aursnes. Passou o pior mas ainda não se sente totalmente confortável

«Este não é o meu limite. Posso dar muito mais e não vou descansar enquanto não o fizer», disse Richard Ríos, depois do jogo com o Nápoles, no qual marcou um golo e ofereceu outro a Leandro Barreiro, naquela que foi, provavelmente, a melhor exibição no Benfica. Uma lesão grave no ombro direito retirou-o, mais tarde, da competição e não voltou mais a exibir-se ao mesmo nível desde que voltou, após um mês de ausência. A lesão de Fredrik Aursnes volta a abrir-lhe as portas da titularidade, com o FC Porto, e a hipótese de cumprir a promessa.

Contratado ao Palmeiras no início da época por €27,4 milhões, Ríos demorou a mostrar as qualidades que levaram o Benfica a fazer tamanho investimento. Foi sempre indiscutível para Bruno Lage, manteve o estatuto com José Mourinho. A adaptação difícil a uma nova realidade, social e desportiva, atrasou a resposta que todos esperavam em campo. As críticas ferozes de Imprensa e adeptos também não passaram sem consequências.

Teve, porém, sempre a confiança de quem lhe está mais próximo. Depois do jogo com o Nápoles, da Liga dos Campeões, Mourinho jogou ao ataque para defender o médio colombiano de 25 anos: «Não conseguiram rebentar com ele!»

«Ríos precisa de ter raio de ação muito grande. Limitá-lo é retirar-lhe uma das suas forças. O que fazemos é garantir que, quando ele avança, outro jogador ocupa o espaço. A conexão Ríos-Barreiro-Aursnes está a dar-nos equilíbrio e permite ao Richard ser um grande jogador», argumentou o treinador.

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Nos bastidores, ao mesmo tempo, Nicolás Otamendi tem sido o principal aliado no apoio a Richard Ríos. Desde o primeiro momento — o capitão disponibilizou-se para brincar com o novo companheiro, com quem se tinha desentendido, numa partida de seleções, convidando-o para uma espécie de combate de boxe. Desde esse dia, primeiro de Ríos no Seixal, têm estado sempre muito próximos.

Ríos sente que o pior passou e sente-se reconhecido por José Mourinho e equipa técnica, que procuram tirar o maior proveito das qualidades dele, nomeadamente retirando-lhe responsabilidade na criação des ataques, dando-lhe mais liberdade de movimentos e autonomia ofensiva e insistindo para que melhore os movimentos de rutura e chegada à área adversária.

A lesão travou a ascensão de Ríos — desde que está disponível, foi duas vezes titular e duas vezes suplente utilizado. O processo de afirmação não está, como tal, concluído. E, por outro lado, há fatores intangíveis, mas não menos importantes, que o têm abrandado — Ríos ainda procura, verdadeiramente, o lugar na equipa (com o Real Madrid no Bernabéu, começou na direita) e o companheiro no meio-campo com quem possa encaixar. Não se sente, como tal, totalmente confortável.

Esse caminho de encontrar lugar na equipa prosseguirá, mas, no imediato, Ríos procura, simplesmente, um lugar no onze, depois da lesão de Aursnes. Concorre com Barrenechea, que tem sido o principal parceiro no meio-campo.