Como um ‘gajo porreiro’ estagiou com Guardiola, Arteta, Luis Enrique e Amorim
— O que fez depois de deixar o Politehnica Lasi?
— Fiquei seis meses sem treinar e aproveitei para fazer estágios. Fui ao Paris Saint-Germain, com o Luis Enrique, fui ao Manchester United, fui ao Manchester City, com o Guardiola. Tenho o privilégio de poder chegar lá através de conhecimentos e beber um bocado de todos. Estive com o Laurent Blanc no Al Ittihad da Arábia Saudita. Essas experiências todas ajudam-nos a crescer. Fiz estágio com o Arteta no Arsenal, com o De Zerbi, que foi meu colega de equipa no Cluj.
— Como foram esses momentos de partilha com alguns dos melhores treinadores do mundo?
— Tive esse privilégio, mas com o Luis Enrique assistia aos treinos, mas não vou mentir: tive uma conversa com ele de um minuto e meio, não mais. Ele estava a passar um momento complicado, não sabia se ia conseguir apurar o PSG na fase de liga da Champions, e havia tensão. Depois conseguiu e ganharam tudo. O Guardiola é superdisponível, top, top! O Arteta também muito disponível. Eu tenho sentido que quanto mais uma pessoa sobe, mais humilde é. Por incrível que pareça, mais humildes são os treinadores e os jogadores.
— Mas imagino que não baste ser um gajo porreiro para conseguir abrir as portas para esses estágios…
— Não. É preciso ter conhecimentos. No PSG eu tenho facilidade porque tive um contrato de longa duração com o clube na formação. Apesar de o centro de estágios ser novo, ainda tem lá muitas pessoas do meu tempo. O roupeiro da equipa principal, por exemplo, que foi meu colega de quarto. Durante três anos, no quarto éramos nós e o Anelka.
— E também estagiou com o Ruben Amorim no Manchester United… quase sem querer.
— Foi sem querer, exatamente. Eu tinha tudo acertado para estagiar com Ten Hag e entretanto aparece lá o Ruben. Foi engraçado,
— Qual a importância desses estágios com esses grandes treinadores? O que se bebe?
— Tudo! Sinceramente, tudo. Cada treinador tem uma ideia, um plano de jogo, a organização, a preparação dos treinos. Agora os treinadores já se preocupam mais, por exemplo, com o impacto da carga física, com o pré-treino. Por exemplo, como é que se trabalha com jogos de três em três dias, quando é que devemos dar a carga mais forte nessas fases.
— Devem ser dias que valem mais do que muitas formações teóricas.
— Claro! Nós temos isso nas nossas formações, mas mais importante é ver isso em prática. E aquilo que tirei mais foi outra coisa: a liderança do treinador com os jogadores. Como lidar no dia a dia com um ser humano que ganha milhões. E por mais incrível que pareça, volto a tocar nisso, quanto mais sobes, mais humilde é o jogador e mais humilde é o treinador. Eu sinto isso dessa forma, vindo da distrital até lá acima.
— E quem é o treinador com quem mais se identifica nessa questão da liderança?
— Eu tenho a minha forma de ser. Sou muito próximo dos meus jogadores. Mas a partir do momento em que chegamos ao campo.... Já viram o Sérgio Conceição? Admiro-o muito também… Mas depois temos o Ruben Amorim, que está sempre mais a rir e no aspeto humano talvez seja mais parecido com ele. Acho que é um exemplo de resiliência. É um treinador jovem, de quem temos de nos orgulhar. Pela forma de ser e mesmo a nível de comunicação. Transmite sempre boas energias, Está sempre positivo, a sorrir. Ele consegue criar empatia com toda a gente. E esse é também um dos meus pontos fortes: criar ligação e empatia com as pessoas.