«Jesus não gostava de mim, mas adorava ter sido treinado por ele»
— Quem foi o treinador que mais o inspirou?
— O Paulo Fonseca, sem dúvida. Foi ele que me fez ver o jogo de outra forma. Não só a mim, mas a vários treinadores. Por exemplo, temos o Vasco Matos, que foi treinado por ele também. O Paulo alargou horizontes a muita gente. E eu bebo muito da ideia de jogo dele.
— Um pouco como Jorge Jesus fez uma geração antes…
— Sim. Infelizmente, eu nunca fui treinado por ele. Gostaria muito de ter sido treinado pelo mister Jesus. Só joguei contra ele e como eu era um gajo duro, ele não gostava de mim. Mas ele defendia os jogadores dele e eu tinha que defender a minha dama, que era a minha equipa. Então, por vezes havia picardias, mas foi sempre no bom sentido.
— Como o vê agora como selecionador?
— Fico muito feliz. De coração, fico mesmo muito feliz. Nada a ver com outras questões, mas fico feliz que seja um treinador português à frente da nossa seleção. E ele ambicionava isto. Falou-se do Mourinho, do Sérgio Conceição, e ficaria sempre bem entregue. O treinador português, neste momento, está à frente em tudo. Eu digo isso por ter vivido várias experiências em vários países. Logicamente, há outros treinadores que são bons. Os espanhóis, os franceses também são bons. E não é isso que está em causa. Mas a nível de adaptação, de trabalho, de conteúdo, de humanidade… estamos à frente.
— Há treinadores portugueses espalhados por todo o mundo…
— Nós estamos em todo o lado e ganhamos em todo o lado. Abrimos portas no Brasil. Em todo o lado há um treinador português que tem sucesso. Somos pequeninos, mas temos de ter orgulho. Temos o melhor agente do mundo. Temos o melhor jogador do mundo [Cristiano Ronaldo], ainda está a jogar e esperamos que chegue aos 1000 golos para alcançar mais um recorde. Eu sou muito defensor dos nossos. Já tivemos o melhor jogador de futsal, o Ricardinho. Já tivemos o melhor jogador de futebol de praia, o Madjer. Portanto, apesar de sermos pequeninos, somos grandes e temos de nos valorizar mais.