Max Verstappen já terá ameaçado bater com a porta e deixar a F1 se as coisas continuarem como estão. IMAGO
Max Verstappen já terá ameaçado bater com a porta e deixar a F1 se as coisas continuarem como estão. IMAGO

Com o 'circo' a arder, F1 tem seis medidas para devolver protagonismo aos pilotos

Debaixo de fogo por causa dos novos regulamentos, a paragem forçada pela guerra Irão/Israel e EUA pode ser boa conselheira e em cima da mesa está uma proposta para acalmar ânimos mais exaltados de nomes sonantes como Verstappen, Alonso ou Sainz Jr

A Fórmula 1 está a ponderar um conjunto de seis alterações aos regulamentos com o objetivo de aumentar a influência dos pilotos e reduzir o peso da gestão de energia, que tem gerado controvérsia e preocupações com a segurança. As propostas surgem num momento de descontentamento geral no Grande Circo, com exceção da Mercedes, que domina a atual era regulamentar.

O novo regulamento, impulsionado por marcas como a Audi, trouxe mais ultrapassagens, mas também diminuiu o valor do piloto, tornando as corridas mais complexas de entender para o público. O início da temporada acentuou estas sensações, com corridas como a da Austrália a terminarem de forma insatisfatória e a do Japão a levantar sérias questões de segurança, como o acidente entre Oliver Bearman e Franco Colapinto.

Carlos Sainz resumiu o sentimento geral ao afirmar que os problemas não se limitam à qualificação. «Não são apenas problemas na qualificação, também os há na forma de correr», referiu o piloto espanhol. A situação exige mudanças, tanto pela segurança como pelo descontentamento dos pilotos com o estilo de corrida atual.

Segundo o portal especializado The Race, já estão em cima da mesa seis medidas. Embora não se preveja um regresso aos motores V10 ou V8, a ideia central é devolver o controlo aos pilotos. Andrea Stella, chefe da McLaren, antecipa que o processo «não será simples», mas já existem ideias concretas.

A principal área de intervenção é a gestão de energia, um conceito que Fernando Alonso descreveu ironicamente como um «campeonato do mundo de pilhas». Uma das propostas passa por aumentar o superclipping, permitindo que a energia disponível para utilização suba de 250kw para 350kw. Esta medida visa evitar que os carros fiquem quase parados em certas zonas, criando situações de perigo.

Outras ideias incluem a imposição de limites mais rigorosos na recarga de energia, talvez reduzindo o valor de 6MJ estabelecido no Japão, ou simplesmente diminuir a energia total disponível. Embora isto possa resultar em carros mais lentos, não é visto como um problema grave.

Além da energia, discute-se a alteração de aspetos fundamentais do regulamento. A distribuição 50/50 entre a potência elétrica e térmica da unidade de potência é um dos pontos em análise, embora uma mudança radical pareça improvável por implicar a reformulação dos motores. A aerodinâmica ativa é outra área a ser revista, com a possibilidade de eliminar as zonas predefinidas na qualificação, permitindo que seja o piloto a interpretar e a decidir quando a utilizar.

Por fim, procura-se uma simplificação geral das regras. O objetivo é reduzir a dependência de conceitos complexos geridos por software, devolvendo aos pilotos a capacidade de interpretar cada situação de corrida sem cometerem erros que pouco têm a ver com a sua perícia ao volante.