Jesús Ramirez tenta furar a defesa do Casa Pia. -Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA
Jesús Ramirez tenta furar a defesa do Casa Pia. -Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Com guarda-redes deste calibre, o golo fica caro (crónica)

Patrick Sequeira e Kaique brilharam e impediram que o marcador fosse aberto. Madeirenses mais perigosos e com maior caudal de ocasiões e futebol ofensivo. Gansos expectantes, há procura do erro do adversário

Com um trabalho mais qualitativo do que quantitativo, os dois guarda-redes contribuíram de forma elevada para que não se visse golos na Choupana. Kaique e Patrick Sequeira travaram as oportunidades direcionadas às suas balizas e faltou também eficácia nas outras tentativas. As duas formações confirmaram o bom momento que atravessam, com uma produção agradável, objetiva e focada nos seus propósitos.

No habitual 4x3x3 e com apenas uma troca no onze que apresentou nos dois jogos anteriores (Joel Silva por Miguel Baeza), o Nacional esteve mais perto do golo, principalmente nos minutos finais da primeira parte e os números desse período refletiam esse facto: 11/6 remates, 4/2 nos enquadrados. Aos madeirenses faltou eficácia num cabeceamento de Léo Santos (21’) e em tiros de Liziero (41’) e José Gomes (43’), neste acertando com estrondo na barra na sequência de enorme defesa de Patrick Sequeira, a cabeceamento de Chucho Ramírez. O Casa Pia também viu Kaique brilhar na baliza dos insulares, quando Cassiano (38’), com espaço, atirou em arco.

Após o descanso, os madeirenses intensificaram o assalto à baliza de Sequeira, porém não estavam a conseguir furar o bloco defensivo dos gansos, como comprovam os tiros de longe de Gabriel Veron (53’ e 74’), ambos por cima do alvo, e de Paulinho Bóia (65’ e 75’), no primeiro rente ao poste esquerdo da baliza defendida por Sequeira e no segundo com defesa do guarda-redes. No assalto final, Zé Vitor (80’) teve o golo na cabeça, mas o desvio ao livre de Liziero passou ao lado.

Com o Nacional a assumir o jogo, a estratégia do Casa Pia – em 3x4x3 e com André Geraldes no lugar do castigado David Sousa - passou pelo ataque à profundidade e os insulares foram apanhados em contrapé quando Cassiano (76’) escapou em zona frontal, valendo aos alvinegros o aperto de Léo Santos e o remate fraco do avançado, defendido por Kaique. Esse estratagema voltou a funcionar quatro minutos depois numa transição rápida dos casapianos, com Osundina a colocar Clau Mendes na cara do guarda-redes, com Kaique a deter o disparo. Contudo, o lance foi anulado por posição irregular, mas mostrou a lição bem estudada que os casapianos levaram para os instantes finais, quando o Nacional se expôs defensivamente ao apertar no assalto final à baliza de Patrick Sequeira.

Em suma, houve mais produção ofensiva dos locais com reflexo no maior número de oportunidades, contudo, sempre que o Casa Pia se libertou no ataque, criou também situações complicadas para a baliza dos madeirenses.

A figura do Nacional: Kaique
O guardião brasileiro emprestado pelo Palmeiras está a mostrar as credenciais que o colocaram na rota de outros emblemas no início desta temporada. Tal como Sequeira, nunca perdeu o foco, mesmo quando a sua equipa esteve balanceada para o ataque nos instantes finais, mostrando frieza quando Cassiano (76’) e Clau Mendes (80’) lhe surgiram pela frente. E na primeira parte (38’) já tinha ganho um duelo a Cassiano.

As notas dos jogadores do Nacional (4x3x3): Kaique (7), Alan Nuñez (6), Léo Santos (5), Zé Vitor (6), José Gomes (6), Miguel Baeza (5), Matheus Dias (5), Liziero (6), Gabriel Veron (5), Jesús Ramírez (5), Paulinho Bóia (5), Daniel Junior (-), Witi (-), Joel Silva (-) e Pablo Ruan (-)

O melhor em campo: Patrick Sequeira (Casa Pia)
O costa-riquenho está a provar que é um dos melhores guarda-redes da Liga. Com o Nacional mostrou grande segurança e enorme atenção em todos os momentos do jogo, detendo todos os remates direcionados à sua baliza, com destaque para uma grande parada a evitar um cabeceamento de Chucho Ramírez que levava selo de golo. Foi uma daquelas defesas que valem (e valeu um) pontos.

As notas dos jogadores do Casa Pia (3x4x3): Patrick Sequeira (7), João Goulart (6), Khaly (6), André Geraldes (5), Larrazabal (6), Ofori (5), Rafael Brito (5), Abdu Conté (5), Livolant (5), Cassiano (6), Tiago Morais (5), João Marques (5), Iyad Mohamed (5), Osundina (5), Clau Mendes (4)

O que disseram os treinadores:

Tiago Margarido, treinador do Nacional

«É um empate com sabor amargo. Fomos a única equipa que quis ganhar e prova disso são as estatísticas do jogo. Fizemos uma boa exibição, circulamos bem a bola, faltou o golo. O Sequeira hoje esteve inspirado. Produzimos, tivemos oportunidades, o adversário sempre à espera do nosso erro. Estivemos completamente em cima, só tenho de estar orgulhoso dos meus jogadores.»

Álvaro Pacheco, treinador do Casa Pia

«O resultado é justo. Vínhamos com intenções de levar os três pontos, mas defrontamos uma equipa que em casa é muito forte. Jogar contra o Nacional não é fácil, tínhamos de estar a um nível de concentração muito alto e focados e conseguimos. Jogo muito intenso, sempre com um ritmo muito alto. A nossa equipa está a crescer, queríamos muito ganhar, mas a caminhada faz-se de pontos, e é mais um na nossa caminhada.»