A argelina Imane Khelif competiu em Paris2024 e conquistou o ouro debaixo de enorme contestação. IMAGO
A argelina Imane Khelif competiu em Paris2024 e conquistou o ouro debaixo de enorme contestação. IMAGO

Coe aplaude decisão do COI sobre testes de género

A polémica decisão do COI de reintroduzir os testes do gene SRY não é unânime e tinha sido abandonada em 1999, depois de 28 anos, após críticas da comunidade científica e da da comissão de atletas, que questionaram a sua validade

O presidente da World Athletics, Sebastian Coe, elogiou a decisão do Comité Olímpico Internacional (COI) de reintroduzir testes de sexo para determinar a elegibilidade na categoria feminina, descrevendo-a como um «desenvolvimento muito importante para o Movimento Olímpico». Esta medida, anunciada em março, irá impedir a participação de mulheres transgénero em competições femininas.

A partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, as provas femininas serão restritas a atletas do sexo biológico feminino, o que também exclui atletas com diferenças no desenvolvimento sexual. A World Athletics já tinha anunciado em julho a introdução de testes da região determinante do sexo Y (SRY).

«Não entrei para a World Athletics para um concurso de popularidade, entrei para fazer o que considero ser a coisa certa», afirmou Coe à Agence France-Presse em Gaborone, no Botsuana. «Estou encantado por o mundo começar a ver as coisas como nós, mas penso que é um desenvolvimento muito importante para o Movimento Olímpico, e celebro isso».

A decisão do COI de reintroduzir os testes do gene SRY não foi, contudo, unânime. A ministra francesa do Desporto, Marina Ferrari, considerou-a «um passo atrás». Andrew Sinclair, o cientista que descobriu o gene, também argumentou que definir o sexo biológico apenas com base nos cromossomas é «demasiado simplista».

A questão tornou-se uma prioridade para a nova presidente do COI, Kirsty Coventry, que sucedeu a Thomas Bach no ano passado. A polémica intensificou-se durante os Jogos de Paris 2024, envolvendo as pugilistas Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-ting, de Taiwan. Ambas tinham sido excluídas dos campeonatos do mundo de 2023 da Associação Internacional de Boxe (IBA) por, segundo a organização, terem falhado os testes de elegibilidade.

No entanto, o COI permitiu que ambas competissem em Paris, defendendo que eram elegíveis segundo as suas regras e classificando a exclusão anterior como uma «decisão súbita e arbitrária» da IBA. Ambas as atletas acabaram por conquistar medalhas de ouro, o que aumentou o escrutínio sobre as regras de elegibilidade sexual no desporto olímpico.

O COI sempre manteve que não realiza testes de sexo, delegando essa responsabilidade às federações internacionais. Este episódio ocorreu num contexto de relações tensas entre o COI e a IBA, que se encontra suspensa da governação olímpica.

Sebastian Coe elogiou a rápida atuação de Coventry para estabelecer uma política unificada. «Estou encantado por a Kirsty, nos seus primeiros meses como presidente, se ter esforçado para proteger a categoria feminina», disse o inglês de 69 anos. «Se não o fizermos, não teremos desporto feminino, e a Kirsty, mais do que ninguém, vai proteger o desporto feminino. Por isso, na World Athletics, estamos 100% alinhados com essa posição, uma posição que assumimos há muitos anos».

O COI já tinha utilizado testes de sexo cromossómico para determinar a elegibilidade feminina entre os Jogos de 1968 e os de Atlanta, em 1996. A prática foi abandonada em 1999, após críticas da comunidade científica e da sua própria comissão de atletas, que questionaram a sua validade.

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