Mulheres apoiam mulheres nos Laureus e a decisão do COI de banir atletas trans
A entrada do Palácio Cibeles, em Madrid, está quase pronta para receber as maiores estrelas do desporto mundial que, esta segunda-feira, celebram os melhores do Mundo nas diferentes modalidades.
Com Novak Djokovic e Eileen Gu a fazerem as honras da casa, como apresentadores da gala, o desfile de medalhas na passadeira vermelha, que já está estendida - para enorme curiosidade dos milhares de turistas que aproveitam o sol quente da capital espanhol - promete ser inigualável nesta 26.ª edição dos Prémios Laureus, os 'Óscares do Desporto'.
'The Athletes' Awards' 🏆
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Introducing your hosts of the 2026 Laureus World Sports Awards - Novak Djokovic and Eileen Gu 🎙️#Laureus26 pic.twitter.com/F18RvtRGt2
Muito perto, na terra batida do Masters 1000 de Madrid, já se joga ténis, mas sem as principais vedetas da atualidade já que o sérvio trocou a raqueta pelo smoking devido a lesão, tal como Carlos Alcaraz, que todos esperam ver, novamente, nos Laureus esta segunda-feira. E até Jannick Sinner pode apresentar-se no evento, embora esse seja o segredo mais bem guardado da organização.
Mas este sábado já foram muitas as caras famosas que se viram em Madrid, com os embaixadores a fazerem honras ao estatuto. A ex-nadadora Missy Franklin, que se tornou a embaixadora mais jovem da história da organização, há sete anos, quando tinha apenas 23, está em Madrid pela primeira vez e encantada. E nunca perdeu o sorriso perante as muitas solicitações, nem quando o tema a deixou mais desconfortável: a recente decisão do Comité Olímpico Internacional de banir os atletas trans dos Jogos.
‘Winning is one thing, but out of losing I always learn more’
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Ten years ago today, Niki Lauda delivered an iconic speech at the Laureus World Sports Awards.#Laureus26 | @MercedesAMGF1 pic.twitter.com/TDhli85xSx
«Para ser honesta, esse é um assunto sobre o qual não falo, simplesmente porque não me sinto totalmente à vontade para falar disso», começou por dizer. «Bem, a melhor coisa que posso dizer é que acredito 100% que precisamos de garantir que o desporto seja um lugar seguro para as mulheres e que seja justo. Mas também acho que precisamos de encontrar uma forma de garantir que todos se sintam incluídos. Mas creio que precisamos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que as mulheres tenham o espaço de que precisam no desporto, para estarem seguras e para que seja justo e igualitário. Por isso, sei que todos estão a tentar dar o seu melhor para gerir estas duas coisas», acabou por responder diplomaticamente.
Uma das maiores figuras dos Laureus, e uma lenda da ginástica, Nadia Comaneci, a ginasta perfeita que conseguiu o primeiro 10 da história, quando tinha apenas 14 anos, também está em Madrid. Dar voz às mulheres no desporto foi sempre uma das suas causa e, por isso, não hesitou, muito, perante o tema.
«O desporto feminino foi feito para mulheres. Portanto, existem regras e penso que todos têm de seguir as regras. Claro que há lugar para todos, porque o mundo é aberto, mas tudo tem de seguir as suas próprias regras. O desporto feminino é para mulheres, não há muito mais a comentar sobre isso. É tudo o que posso dizer», justificou a antiga ginasta, assumindo que concorda com a decisão do COI. «Sim, acho que é justa. Porque é que teve de haver sequer uma decisão? Não sei porque é que teve de se chegar a esse ponto, quando o desporto feminino é desporto feminino», rematou.