Alguns comentadores duvidam de que Carlos Alcaraz esteja pronto para defender o título no último Grand Slam da temporada - Foto: IMAGO
Alguns comentadores duvidam de que Carlos Alcaraz esteja pronto para defender o título no último Grand Slam da temporada - Foto: IMAGO

Rusedski atira balde de água fria aos fãs de Carlos Alcaraz

A ausência do espanhol no Masters 1000 de Cincinnati fez soar os alarmes dos mais otimistas que apontavam o regresso do ex-n.º 1 para o Open dos Estados Unidos, contudo as dúvidas sobre a data do regresso são cada vez maiores e já passaram praticamente quatro meses

A ausência de Carlos Alcaraz do Masters 1000 de Cincinnati gerou uma onda de ceticismo no circuito sobre a sua participação no US Open e Greg Rusedski, antigo finalista do torneio, é taxativo e considera impossível que o espanhol defenda o título em Nova Iorque, afirmando que «não há qualquer hipótese».

No seu podcast, Off Court with Greg Rusedski, o ex-tenista britânico explicou a sua convicção. «Parecia que tudo corria muito bem nos treinos. Tinha algumas dúvidas quando o vimos a treinar com jogadores juniores, mas a verdade é que parecia bastante bem: as deslocações, as pancadas, até o novo corte de cabelo... tudo parecia em ordem. Mas agora podem descartar o US Open. Não há qualquer hipótese de ele jogar o US Open se falhar Cincinnati», declarou Rusedski.

O jornalista Kevin Palmer, colaborador do podcast, partilha da mesma opinião, sublinhando a longa paragem do tenista. «Ele não joga desde Barcelona, em abril, em terra batida. As hipóteses de regressar diretamente em Nova Iorque, a disputar jogos à melhor de cinco sets, de máxima intensidade e sob os holofotes, são muito reduzidas», analisou, acrescentando que a prioridade não devem ser os pontos do ranking. «Sei que é o campeão em título, que quer manter esses 2000 pontos e que vai cair na classificação. Mas os pontos não são o mais importante agora na operação a longo prazo para devolver Carlos a um campo de ténis».

Palmer reforça a necessidade de cautela, apontando outros sinais. «Acho que ele precisa de parar e garantir que está realmente pronto para voltar, porque, embora tenhamos visto melhorias nos vídeos publicados, não está preparado para jogar ténis masculino à melhor de cinco sets num Grand Slam», afirmou, notando também a sua ausência da lista de inscritos para pares mistos, onde se chegou a especular uma dupla com Serena Williams.

Rusedski vai ainda mais longe e sugere que a paragem pode ser prolongada. «Acho que Alcaraz deve levar o tempo que for preciso. Mesmo que isso signifique perder o resto da temporada e voltar em 2027», disse, traçando um paralelo com a situação de Jack Draper, que tem lutado com lesões persistentes. «O caso de Draper é preocupante e acho que Alcaraz está a pensar: 'Não quero ver-me nessa situação'. Por isso, está disposto a levar o tempo necessário».

O finalista do US Open em 1997 acredita que a recuperação do espanhol pode demorar. «Ele continuará a publicar vídeos, a estar presente na conversa, porque é um ex-número um do mundo e vencedor de sete Grand Slams. Também precisa de se manter relevante para os seus patrocinadores. Mas creio que esta recuperação pode prolongar-se mais do que o esperado».

Apesar do cenário pessimista, Rusedski elogia a abordagem prudente de Alcaraz. «Porquê arriscar? É preciso ter 110% de certeza de que o corpo está pronto. Na minha opinião, se não se joga em Cincinnati, o US Open está descartado. Carlos está a agir de forma inteligente ao dar mais tempo a si mesmo».

O ex-jogador não poupa elogios ao talento do jovem tenista, mostrando-se confiante no seu regresso quando estiver totalmente recuperado. «Carlos é um fenómeno. É um jogador extraordinário. Quando estiver fisicamente bem e o pulso recuperado, não creio que demore muito a voltar ao seu nível. Talvez precise de um par de meses e já estará a lutar por títulos e pelo número um do mundo», concluiu Rusedski, destacando que a grande incógnita é saber «se o pulso conseguirá suportar essas exigências».

A ausência prolongada de um atleta dos courts, que se aproxima já dos três meses, está a gerar cada vez mais especulação, com a falta de informação clara a adensar o mistério sobre a sua condição física.

«Se fosse realmente uma simples inflamação, já teria regressado. Evidentemente, há algo mais sério por trás», afirma uma fonte próxima, sublinhando a incerteza geral. «Não sabemos se houve uma rotura, se foi submetido a uma pequena cirurgia ou o que aconteceu exatamente. Os únicos que sabem são ele e a sua equipa.»

A frustração é palpável, uma vez que a paragem se estende muito para além do previsto inicialmente. «O que sabemos é que isto está a demorar muito mais do que o esperado. Já nos aproximamos dos três meses fora dos courts e continuamos sem informação clara. Todos queremos vê-lo de volta, mas estamos completamente às escuras», acrescenta a mesma fonte.

Neste contexto de gestão de lesões, tanto Palmer como Rusedski recordam o exemplo de Rafa Nadal. Rusedski conclui, destacando a necessidade de prudência: «É por isso que se deve agir com inteligência. Muito poucos desportistas conseguem suportar o que o Rafa suportou».

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