Volta a Portugal: Santiago Mesa 'serviu-se' da vitória em Albufeira
Santiago Mesa dispensa o apoio de lançadores na equipa e prefere o caos do pelotão nas chegadas ao sprint, onde a capacidade de se posicionar furtivamente e explodir no momento certo faz a diferença. Em Albufeira, essa assinatura foi decisiva: o colombiano foi o caçador solitário que com a etapa.
Foi exatamente assim, com uma manobra furtiva nos derradeiros metros, que o colombiano da Anicolor-Campicarn leu o momento no frenesim do grande grupo na chegada à meta em Albufeira, acelerou no sítio certo e saiu conquistou a segunda etapa da Volta a Portugal, num sprint apertado decidido em foto-finish.
Numa chegada em pelotão compacto, Mesa impôs-se numa luta de milímetros ao espanhol Daniel Cavia (Burgos BH), batido por poucos centímetros na linha de meta. O argentino Tomas Contte (Aviludo-Louletano) completou o pódio da etapa.
O português Rui Oliveira (UAE Emirates), líder da geral, ainda tentou aparecer à cabeça do grupo nos últimos 500 metros, mas não conseguiu acompanhar a ponta final dos sprinters puros e terminou em sexto, mantendo a camisola amarela com o mesmo tempo do vencedor.
Toque a rebate nas equipas de sprinters
A vitória foi decidida pelo pelotão, mas só depois de um esforço redobrado das equipas dos sprinters para alcançar, a seis quilómetros da meta, os últimos resistentes da fuga do dia: o espanhol Óscar Rota (Feira dos Sofás-Boavista) e o britânico Adam Lewis (APS), que haviam formado um quarteto de aventurosos que durou quase todos os 180 quilómetros desde a partida em Sines.
Durante muitos quilómetros, as despesas da perseguição ficaram quase restritas à UAE Emirates, de Rui Oliveira, e à Tavfer, dos sprinters Leangel Liñarez e João Matias. O quarteto em fuga perdeu força de trabalho entre Aljezur e Lagos, com as cedências de José Manuel Gutierrez (Óbidos) e Bernardo Cambareri (Meridian), mas Rota e Lewis mantiveram-se a ritmo elevado e fizeram soar os alarmes no pelotão ao aumentar a vantagem para além dos 3.30 minutos.
Com os quilómetros a esgotarem-se rapidamente para anular a fuga, juntaram-se à condução no grande grupo a Burgos BH, por Daniel Cavia, e a Anicolor, por Santiago Mesa. Só então a distância para o duo de aventureiros começou a cair visivelmente: a dez quilómetros da meta era apenas de um minuto, extinguindo-se a seis quilómetros da chegada.
A partir daí, as formações Tavira – motivada pela estratégia vitoriosa da véspera que valeu o triunfo surpreendente a Francisco Campos – e Aviludo-Louletano, a apostar em Tomás Contte, assumiram o controlo do pelotão, preparando o terreno para o sprint final.
O caos que virou vantagem
O desenlace, porém, não seguiu o guião habitual. Duas subidas curtas nos últimos dois quilómetros, já dentro de Albufeira, desorganizaram os lançadores dos velocistas, que tiveram de se fazer à vida. Nesta luta individual, furtivo e mais furão, Santiago Mesa tomou a dianteira nos derradeiros metros com uma forte aceleração que o projetou para a vitória.
Apesar da recuperação de Daniel Cavia, que se aproximou do sprinter da Anicolor quase ao milímetro sobre a linha de meta, o colombiano confirmou o triunfo, deixando o espanhol novamente em segundo lugar, como na véspera, então batido por Francisco Campos na chegada a Queluz.