Federico Coletta, internacional sub-19 por Itália e jogador do Benfica B
Federico Coletta, internacional sub-19 por Itália e jogador do Benfica B - Foto: IMAGO

Chegou há um ano ao Benfica e garante: «É um clube de topo»

Federico Coletta, jovem médio da equipa B, falou sobre a sua nova vida em Portugal, deixou elogios a Mourinho, recordando um almoço na cantina, e apontou duas referências

Federico Coletta, médio italiano de 19 anos, trocou a Roma pelo Benfica há um ano, numa transferência que custou um milhão de euros aos encarnados. Natural de Roma e fervoroso adepto dos giallorossi, o jovem talento não perdeu a sua identidade italiana e falou sobre a mudança para Portugal à Gazzetta dello Sport.

«Devo dizer que se vive bem. Claro que no início não foi fácil, vinha de uma vida inteira passada em casa com a minha família. Era a minha zona de conforto e, quando escolhi vir para Portugal, saí dessa espécie de bolha», explicou. No entanto, a adaptação foi facilitada pela estrutura do clube da Luz. «Depois de me ambientar, tudo se tornou simples. Nesse sentido, o Benfica é um clube verdadeiramente de topo!»

A decisão de deixar a sua casa aos 18 anos não foi fácil para os pais, mas Coletta sublinha que sempre teve o seu apoio. «Eles sabem que no futebol as decisões que tomo são sempre minhas, por isso adaptam-se», afirmou, destacando a importância da família: «A minha mãe, o meu pai e o meu irmão são as pessoas que mais amo, falo com eles todos os dias. Dão-me serenidade, tranquilidade e força.»

O jovem médio expressou ainda o desejo de retribuir o apoio familiar. «O meu sonho é orgulhá-los. Gostaria de encontrar uma forma de lhes agradecer por todos os sacrifícios que fizeram por mim», disse, recordando o papel fundamental dos pais no início da sua carreira.

Final do Euro de sub-17 em 2024

Coletta admitiu que, quando chegou ao clube, provocou os portugueses que derrotou na final do Euro de sub-17. «Assim que cheguei a Portugal, gozei um pouco com os companheiros que tinha vencido no Europeu de Sub-17. De vez em quando, ainda me divirto a lembrá-los disso, eles tentam encontrar desculpas e ficam chateados», confessou Coletta, acrescentando com humor: «A comida? Bem, aí não há sequer discussão: nós ganhamos.» A referência é à final de 5 de junho de 2024, em que a Itália venceu Portugal por 3-0, com um golo de Coletta e dois de Camarda.

Questionado sobre o melhor momento desse triunfo em Chipre, o jogador não hesita: «O apito final contra Portugal. Naquele momento, percebes que és campeão da Europa e que não há ninguém mais forte do que tu na Europa. Uma sensação belíssima!»

Apesar das brincadeiras, Coletta sente-se bem recebido em Portugal. «Em geral, os italianos são bem vistos. Eu talvez um pouco menos porque os venci no Europeu», brincou. «São pessoas alegres e nada fechadas, por isso é fácil criar uma boa relação».

Posição preferida e... almoço com Mourinho

Questionado sobre a sua posição preferida, Coletta revelou uma notável capacidade de adaptação. «Não saberia responder. Na Roma, com Falsini, joguei como médio-interior e como médio ofensivo. Aqui no Benfica também como extremo-direito, daqueles que partem da linha e vêm para dentro. Penso que me sei adaptar bastante bem: o mister pede, eu executo e tento fazê-lo o melhor possível», explicou.

Para o jovem talento, o mais importante é estar em campo, independentemente da posição. «Para quem joga futebol, o importante é estar dentro do campo, o resto é indiferente. Basta jogar, ponto final», afirmou, acrescentando que, entre um golo e uma assistência, prefere a «vitória».

Coletta também partilhou a sua admiração por José Mourinho, com quem se cruzou no Benfica. «Mourinho é verdadeiramente uma pessoa de topo. Aqui no Benfica conhecia todos nós, os jovens, e até acontecia vir comer connosco na cantina. Partilhávamos momentos também fora do campo», recordou.

Ao comparar os estilos de jogo entre Itália e Portugal, Coletta apontou diferenças claras na abordagem. «O nível é alto em ambos os países, o que muda é a abordagem aos treinos e aos jogos. Em Portugal, são muito mais técnicos, trabalha-se muito o um contra um. Para simplificar, são muito mais ofensivos. Nós, italianos, gerimos mais a bola, por vezes somos mais defensivos e, consequentemente, um pouco mais organizados», analisou.

O jogador reconhece que tem aspetos a melhorar, como o «pé mais fraco» e «algumas decisões durante o jogo». As suas inspirações são claras: «Pedri, pela forma como gere a bola sob pressão e pelo controlo, Bellingham, pelas inserções e qualidade na finalização». Entre os italianos, mencionou «Tonali e Barella».

Vida fora do futebol

Paralelamente ao futebol, o jogador concluiu recentemente os exames finais do ensino secundário, na área de ciências com especialização em desporto, tendo obtido uma classificação de 73 em 100. «Continuei a estudar online na escola italiana. Voltei a Roma há pouco tempo para fazer os exames presenciais», revelou. A celebração foi breve, pois teve de se juntar de imediato à seleção em Coverciano.

Sobre a língua, Coletta admite que está a progredir. «Digamos que bem, agora mais ou menos já falo português, visto que no campus nos disponibilizam professores», disse o jovem talento do Benfica.

Numa nota mais pessoal, Coletta revelou que não é «muito guloso» e que um simples prato de «massa com molho de tomate» em casa o deixa feliz. Olhando para o futuro, a sua felicidade daqui a 10 anos dependerá de duas coisas: «Se tiver conseguido alcançar os meus objetivos. E se eu e a minha família formos felizes».

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