Chegou ao Real Madrid como um príncipe, saiu de costas voltadas: o «fracasso» de Isco
A passagem de Isco pelo Real Madrid foi coroada com 19 títulos, incluindo cinco Ligas dos Campeões, mas terminou com quatro épocas sombrias, marcadas pelo conflito com Solari e uma quebra de rendimento. Agora no Betis, o médio prepara-se para reencontrar a antiga equipa, num duelo da LaLiga marcado para sexta-feira.
Apesar de uma carreira recheada de troféus ao serviço do Real Madrid, o próprio Isco descreve a sua passagem pelo clube como um «fracasso», uma análise que, olhando para o palmarés, parece demasiado pessimista. Em nove anos, o médio conquistou cinco Ligas dos Campeões, três LaLigas, quatro Mundiais de Clubes e uma Taça do Rei.
No entanto, a sua estadia no Santiago Bernabéu ficou manchada por uma fase final muito aquém do esperado, contrastando com um início que o catapultou para o estatuto de um dos melhores médios do mundo. O próprio jogador assume a responsabilidade pelo declínio.
«O único responsável pelo meu fracasso no Real Madrid sou eu. Alguns treinadores apreciam-te mais do que outros, o futebol é assim. Depois de algum tempo, em Madrid tudo se tornou mais complicado para mim. Quando não estás bem mentalmente, nota-se no teu jogo. Estava a passar por uma má fase desportiva e pessoal. Não sabia como recuperar», admitiu.
Contratado ao Málaga em 2013 por 30 milhões de euros, depois de vencer o Europeu de sub-21 e o prémio Golden Boy em 2012, Isco rapidamente se tornou uma peça importante para Ancelotti. Contudo, foi sob o comando de Zinédine Zidane que atingiu o seu auge. A confiança do técnico francês foi visível nas finais da Liga dos Campeões: suplente utilizado nas vitórias contra o Atlético de Madrid (2014 e 2016), foi titular indiscutível nos triunfos frente à Juventus (2017) e ao Liverpool (2018), relegando Gareth Bale para o banco de suplentes.
O ponto de viragem ocorreu na temporada 2018/19. Após um início promissor com Lopetegui, uma apendicite travou o seu bom momento. A posterior chegada de Santiago Solari para o comando técnico marcou o início do fim do médio. A relação entre ambos deteriorou-se rapidamente, culminando com o afastamento do jogador para a bancada num jogo da Champions contra a Roma, após uma derrota em Eibar.
O conflito agravou-se quando Solari pediu a abertura de um processo disciplinar a Isco por este se ter recusado a entrar no autocarro da equipa para assistir à palestra antes de um jogo europeu. O treinador acusava-o internamente de falta de empenho nos treinos e de má forma física, chegando a insinuá-lo publicamente: «Para jogar, é preciso primeiro estar em forma física e depois em forma competitiva, é inexorável».
O regresso de Zidane trouxe uma tentativa de recuperar o médio, com o técnico francês a pedir o arquivamento do processo. No entanto, Isco nunca mais reencontrou o seu melhor nível, nem com Zidane nem na sua última época com Ancelotti (2021-22). Os números refletem esta quebra: nas suas primeiras cinco épocas, teve uma média de quase 3000 minutos por temporada; nas últimas quatro, esse número caiu para pouco mais de 1200.