Centralização dos Direitos TV: Noronha Lopes diz que posição de Rui Costa «é tardia»
Noronha Lopes, candidato à presidência do Benfica, entende que «é tardia» a posição assumida pela SAD encarnada, que em carta assinada pelo presidente Rui Costa, e enviada à Liga Portugal e aos clubes, defende a suspensão imediata do processo de centralização dos direitos televisivos.
«A posição comunicada pelo Presidente do Sport Lisboa e Benfica, relativa ao projeto de centralização dos direitos televisivos, é, antes de mais, tardia. Nisso, é consistente com a postura que tem caracterizado a atual liderança do clube, cuja inação tem repetidamente negado ao Benfica o papel liderante que tem de assumir no futebol português», sustenta o gestor, que deixa logo uma questão: «Só agora se percebeu que a centralização dos direitos televisivos, tal como a conhecemos, é um projeto sem viabilidade?».
Noronha Lopes acrescenta ainda que Rui Costa «aparece agora determinado a resolver em poucos dias aquilo que não foi capaz de fazer ao longo de quatro anos de mandato», o que o leva a assumir que «a reflexão de Rui Costa sobre uma recandidatura esteja finalmente concluída».
Noronha Lopes recorda que, nas declarações que tem feito deste que anunciou a candidatura, inclusive em entrevista ao jornal A BOLA, tem levantado muitas dúvidas quanto ao processo atual de centralização dos direitos televisivos. «É, desde a sua origem, um projeto potencialmente lesivo para os interesses do Benfica e, consequentemente, para os interesses do futebol português», entende.
O líder da lista 'Benfica acima de tudo' enumera várias dúvidas relativamente ao processo, e acrescenta que «ninguém, incluindo a atual liderança do Benfica, foi capaz de alertar de forma consequente para o elefante na sala». «Ninguém foi capaz de apontar um rumo claro e definir um plano de ação. As objeções hoje colocadas chegam com anos de atraso. Revelam inércia, incapacidade e um preocupante défice de competência na liderança do Benfica», sintetiza.
Noronha Lopes entende que a venda centralizada dos direitos televisivos «nunca se realizará» por 300 milhões de euros, e aponta culpados: «A responsabilidade é do primeiro proponente deste projeto, Pedro Proença, mas é também de quem se demitiu de liderar a reflexão em sede própria ou de apresentar soluções concretas que permitissem debater o projeto de forma crítica, e assim melhorá-lo. Tudo o que o Presidente do Benfica possa dizer hoje é, por isso, um reconhecimento tácito do seu próprio falhanço institucional.»
Para além da questão da centralização, Noronha Lopes lança ainda várias questões a Rui Costa no âmbito da negociação (individualizada) dos direitos televisivos para 2026/27 e 2027/28.
«Estamos em julho de 2025 e nada se sabe sobre qual é o estado atual desta negociação, ou sequer se a negociação prossegue. Com base naquilo que sabemos hoje, a cerca de 1 ano da entrada em vigor de um novo contrato, como se explica a ausência de um acordo? Existirão de facto negociações em curso? Um desfecho negativo nesta matéria poderá ser muito lesivo em termos financeiros e condicionar a prossecução de objetivos desportivos, bem como da necessária sustentabilidade Clube e da SAD. É por isso da maior importância que Rui Costa clarifique este tema o quanto antes», desafia o comunicado.
ARTIGO ATUALIZADO