Centralização dos direitos televisivos: chave de repartição das receitas votada a 8 de junho

AG extraordinária foi agendada pela Liga

A chave de repartição das receitas provenientes da comercialização centralizada dos direitos audiovisuais da I e II Ligas será votada no próximo dia 8 de junho, numa Assembleia Geral (AG) extraordinária da Liga Portugal. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo organismo que rege o futebol profissional português.

A convocatória estabelece como ponto único da ordem de trabalhos a apreciação, discussão e votação do documento. Este foi previamente elaborado e aprovado pela gerência da sociedade Liga Centralização.

A reunião magna está agendada para as 10h00, na sede da Liga Portugal, no Porto, e representa mais um passo decisivo no processo de centralização dos direitos de transmissão, que entrará em vigor a partir da temporada 2028/29.

Recorde-se que, a 17 de abril, os clubes já tinham ratificado por maioria a proposta da Liga relativa ao procedimento de venda para o mercado nacional, embora com o voto contra do Benfica e a abstenção do Nacional.

O modelo de distribuição das verbas, apresentado em dezembro de 2025 numa Cimeira de Presidentes, prevê que 90% do montante total seja destinado aos clubes da I Liga, com os restantes 10% a serem alocados à Liga 2. A proposta foi discutida na presença dos líderes de 33 das 34 sociedades desportivas, com a exceção das equipas B de Sporting, Benfica e FC Porto.

Para o escalão principal, a repartição será feita com base em cinco critérios. A maior fatia, correspondente a 44,2%, dependerá do mérito desportivo, que inclui a classificação final no campeonato, o histórico de posições e a contribuição para o ranking da UEFA. Outros 33,2% serão distribuídos em partes iguais por todos os clubes.

Os restantes critérios englobam as assistências médias e audiências televisivas (17,6%), as condições para as transmissões (cerca de 3%) e a qualidade dos relvados, iluminação e infraestruturas para a comunicação social (1%).

A matriz contempla ainda um cenário especial caso o valor da centralização ultrapasse os 250 milhões de euros. Metade do valor excedente, até um teto de 275 milhões, será entregue aos três clubes com maior contribuição para o ranking da UEFA, sendo o restante dividido pelos outros emblemas segundo os critérios gerais.

Apesar de algumas críticas, nomeadamente do Benfica, que abandonou a gerência da Liga Centralização em 2025, e do Nacional, que apresentou uma proposta alternativa, o presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, mostrou-se otimista.

A centralização dos direitos audiovisuais foi decretada pelo Governo em 2021, após um memorando de entendimento entre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Liga Portugal. A partir de 2028/29, os clubes deixarão de poder negociar individualmente os seus direitos, como fez o Benfica em janeiro ao renovar com a NOS por 104,6 milhões de euros para as épocas 2026/27 e 2027/28.

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