Centralização: FC Porto pondera ação judicial se proposta do Nacional avançar
André Villas-Boas abordou esta quinta-feira a questão da centralização dos direitos televisivos, revelando que o FC Porto vai avançar para um processo judicial caso a proposta do Nacional siga em frente.
«A centralização está cada vez mais ameaçada pelo Nacional da Madeira, com uma ideia que me parece que pode explodir o futebol português. E digo isto com toda a sinceridade em frente ao presidente da Liga. Portanto, trabalhámos dois anos numa chave de repartição — e bem — em sede de direção da Liga. Como bem sabem, o FC Porto não foi apoiante da candidatura de Reinaldo [Teixeira]. Ainda no outro dia escrevi a dar-lhe os parabéns pelo seu grande trabalho, com que cumpriu o mandato, principalmente no campo da liga centralização. Noutros momentos, fiz as minhas críticas, às quais responderá se achar oportuno», começou por dizer o presidente dos azuis e brancos.
«80% ou 90% da demografia de adeptos no futebol nacional está concentrada nos três grandes, que são, em realidade, o grande motor económico do futebol português, sem desrespeito pelos demais e pelos diferentes clubes e sociedades desportivas. A realidade é essa: Sporting, FC Porto e Benfica dominam a demografia associativa do futebol português. Se são 90% ou 80%, vocês podem discordar comigo nesse ponto, mas até 80% será seguramente. E isso significa que os grandes portugueses são os dinamizadores económicos do futebol português e merecem ter respeito. Já no alinhamento FC Porto-Sporting concedemos a perder dinheiro com a centralização para que haja mais dinheiro para os outros clubes...», prosseguiu.
«Agora, não podemos perder tudo de uma vez, porque temos de continuar a conquistar o nosso lugar no ranking europeu, temos que continuar a competir. Temos esta demografia muito específica associativa e, com todo o respeito, o Nacional da Madeira, mesmo com os jogos dos três grandes, tem o seu estádio ocupado em 50% dos jogos, o que se traduz numa média de 2500 pessoas a ver por jogo..», continuou, antes de concluir.
«Eu não sei o posicionamento do Sporting, penso que será o mesmo do FC Porto, que atuará judicialmente caso a proposta do Nacional seja aprovada em sede de Assembleia Geral da Liga. Portanto, não iremos colaborar de forma alguma com qualquer operador relativamente aos nossos ativos, horas extra de transmissão, etc. É preciso um devido enquadramento. Há um primeiro ciclo a ser cumprido que é justo com todos, sendo que os três grandes já perdem dinheiro. Há aqui clubes, é verdade, que saem altamente valorizados desta nova chave de repartição. O SC Braga, o Vitória de Guimarães e o Famalicão veem os seus direitos audiovisuais a serem altamente valorizados. Todos os restantes também, mas é preciso um pouco de noção e consciência. Primeiro ciclo sim, o FC Porto colaborará enquanto esta chave de repartição para a qual trabalhámos dois anos for aprovada. Se for aprovada qualquer outra, o FC Porto atuará judicialmente contra a mesma», rematou.
Refira-se que Rui Alves, presidente do Nacional, acusou a Liga de Clubes de violação do Decreto-Lei n.º 22-B/2021, que determina a titularidade de direitos de transmissão dos campeonatos de futebol da Liga e Liga 2 e estabelece regras relativas à sua comercialização
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