«Catamo está a atravessar a melhor fase da carreira»
Geny Catamo é o homem do momento no Sporting. Após praticamente um mês de ausência para jogar a CAN, em representação de Moçambique, onde, diga-se, brilhou ao fazer parte de mais uma página escrita a tinta de ouro na histórias dos mambas, ao ser figura de destaque na primeira vitória obtida em 11 participações na prova, com um golo e uma assistência diante do Gabão (3-2), o extremo bisou em Alvalade, na receção ao Casa Pia, jogo da 18.ª jornada que os leões venceram por 3-0.
A BOLA falou com Chiquinho Conde, selecionador de Moçambique, que não poupou elogios à evolução do extremo de 24 anos.
«O que fica muitas vezes na retina são sempre os jogos contra os grandes, o Benfica, que é o grande rival e o Geny já passou por isso, marcou e isso é muito relembrado. Mas, ter uma época com consistência e a confiança que ele apresenta neste momento, apraz-me dizer que, sem sombra de dúvida, está a atravessar a melhor fase da carreira. Já estabilizou em termos físicos, conseguiu criar este equilíbrio fazendo um trabalho específico e silencioso, o que também ajuda muito para a densidade dos jogos que tem tido. Fez uma CAN extraordinária, foi o jogador mais influente. Vejo-o feliz, motivado e equilibrado, ficamos lisonjeados e felicíssimos por ver a nossa estrela brilhar, ainda por cima pelo Sporting, que é um clube que me diz muito [Chiquinho Conde jogou de leão ao peito época e meia, tendo chegado em 1994]», disse.
E prosseguiu no que diz respeito à evolução de Catamo: «Tornou-se um jogador maduro, sabe ouvir, tem pegado nas ferramentas com que temos contribuído. Mas, claro, o maior trabalho tem sido feito no Sporting. Mas, sentimos que o nosso carinho, apoio e dedicação têm sido também importantes para o crescimento dele como atleta e como homem. E vendo-o com essa confiança, porque faltava-lhe, de facto, essa confiança de pegar na bola e seguir destemido, ir por cima dos defesas e ter tomada de decisão com maior frequência e liberdade.»
«O 10 cai-lhe perfeitamente bem»
Geny Catamo está na mó de cima e no início da temporada cumpriu um sonho de menino: jogar com o número 10 nas costas. Um boost de motivação que se estendeu a Moçambique.
«Na seleção fiz questão também de contribuir para lhe dar a camisola 10. É um atributo motivador para ele, porque desde menino jogava com este número. É um número mágico, em que sabemos perfeitamente que só o usa quem é uma referência na equipa. Ele tem, de facto, feito de tudo para que esta situação fosse uma realidade. Acho que foi uma motivação extra para ele, agora sente-se como peixe na água e é um número que lhe cai perfeitamente bem», realçou Chiquinho Conde.
Outra responsabilidade que Catamo pode ter proximamente é envergar a braçadeira de capitão dos mambas: «Ele já é, pela sua capacidade de crescimento, ter melhorado o seu jogo, pela importância no Sporting, já começa a ser um jogador destemido na seleção moçambicana, mesmo sem a braçadeira ele é capitão de uma forma natural. Agora, é preciso respeitar hierarquias. Vão abandonar três dos jogadores mais antigos da seleção [n. d. r. Dominguez, Mexer e Reinildo, três capitães] e ele vai ser um dos líderes da seleção, sem dúvida alguma.»