Calem-se só um bocadinho, se faz favor
O Sporting-FC Porto de anteontem, dentro de campo, serviu para confirmar duas premissas que já vinham ganhando força nos últimos tempos: depois de começar a época envergonhado nos jogos grandes, Rui Borges evoluiu e muito no plano estratégico e o dragão está em franca queda exibicional. Não é de agora, muitos sinais já tinham aparecido no final de 2025 e a perda da verticalidade de Samu para esticar jogo na frente deixou exposta a falta de ideias que a equipa tem revelado em ataque posicional.
É verdade que o FC Porto ainda vai na frente do campeonato e nada ficou perdido na Taça com a curta derrota em Alvalade, mas a pairar pela cabeça de Francesco Farioli já deverá estar o filme de terror que vivenciou no Ajax há um ano. Apesar de intenso, o duelo de Alvalade foi feiinho em jogo jogado, mas daqui por mais de um mês — mais uma daquelas aberrações... —, no Dragão, haverá outra oportunidade para se ver mais futebol e menos quezílias.
Pior do que o pobre espetáculo dentro das quatro linhas só mesmo o triste regresso a outros tempos do futebol português depois dele. Não conseguimos sair deste ciclo doentio de comentários sobre arbitragens, finas ironias sobre a mesma através do X e newsletters provocatórias. O queixume dos três grandes esta época tem atingido níveis surreais e há um grande problema: ainda estamos em março, com um terço de época pela frente e muito por decidir. Imagine-se onde isto poderá chegar.
Primeiro foi André Villas-Boas, utilizando o feio gesto de Luis Suárez como isco para dar a sua visão das coisas sobre o trabalho de Cláudio Pereira, dias depois de a vitória sobre o Arouca ter caído do céu já perto do final com um penálti sobre Fofana que deixou muito mais dúvidas do que certezas. A lufada de ar fresco que AVB estaria prometida depois de décadas de Pinto da Costa já ficou esquecida há muito tempo, isto sem tirar mérito ao trabalho que o presidente dos portistas tem feito nestes quase dois anos a recolocar os dragões no caminho das vitórias.
A resposta de Frederico Varandas não demoraria, acusando o rival de «estar com medo» de perder o campeonato e questionar. A cada intervenção, Varandas lembra o bicampeonato do Sporting, os três campeonatos em cinco anos no seu legado e realça como o clube tem uma forma de estar «diferente». Não é o que se tem visto.
Há coisas que deviam, definitivamente, fazer parte do passado, mas isso não acontecerá enquanto reinar a impunidade e se punirem comportamentos deste género com penas brandas e multas irrisórias. Alguém ponha mão nisto, por favor.