Tadej Pogacar durante um treino no percurso da Strade Bianche 2026 na quinta-feira

Antevisão Strade Bianche: outro solo de Pogacar ou Seixas e Pidcock poderão surpreender?

Desta vez, o esloveno não marcou local para atacar - e ninguém mais o alcançar. No entanto, à semelhança de 2025 em estreia na temporada, o campeão mundial não perde favoritismo. Seria o quarto, na célebre corrida das estradas brancas de gravilha da Toscana, este sábado

A Strade Bianche, uma das mais prestigiadas e singulares clássicas do ciclismo, regressa este sábado na 20.ª edição. Pelas estradas de gravilha da Toscana, o pelotão enfrentará um percurso brutal, marcado por colinas íngremes e extensos setores de terra batida, que transformaram esta prova numa referência incontornável no WorldTour.

O traçado de 202,6 quilómetros, com partida e chegada em Siena, foi ligeiramente alterado em relação às edições mais recentes, mas mantém-se altamente seletiva. Com um acumulado de 3500 metros de desnível acumulado, a dificuldade não reside em grandes montanhas, mas sim no constante sobe e desce e nas ascensões curtas e íngremes em terra batida. Os 64 quilómetros de gravilha, divididos por 14 setores, tornando a corrida desgastante, e em que a tática, o posicionamento e a sorte são cruciais.

Tadej Pogacar foi homenageado na quinta-feira com o nome de um setor de gravilha da Strade Bianche

O primeiro grande desafio surge antes da metade da corrida com o setor de Lucignano d’Asso, o mais longo da prova, com 11,7 quilómetros. No entanto, é em Monte Sante Marie, a pouco mais de 72 quilómetros da meta, que a corrida tende a explodir. Este setor, com um quilómetro a 10% de inclinação, foi o ponto de ataque de Tadej Pogacar nas suas duas últimas vitórias.

A decisão da corrida, caso não chegue um corredor isolado aos últimos 1,5 quilómetros, acontecerá nas icónicas e estreitas ruas de Siena. A rampa da Via Santa Caterina, com 700 metros a uma pendente média de 9% e secções que atingem os 16%, que desemboca na mítica Piazza del Campo, onde está a meta.

Pogacar, obviamente principal candidato...

Tadej Pogacar surge como o grande favorito à vitória, numa edição que se prevê poeirenta devido ao tempo soalheiro durante a semana. O ciclista esloveno, apoiado por uma equipa UAE Emirates sempre fortíssima, em que se destacam fortes aliados como Isaac del Toro, que tem demonstrado estar ao nível dos melhores, Jan Christen e Florian Vermeersch. Mesmo desfalcada de Tim Wellens, terceiro classificado em 2025, ausente devido a fratura de clavícula em consequência de queda durante a clássica Bruxelas-Kuurne-Bruxelas, no domingo, a formação dos Emirados pode controlar a corrida, lançar Pogacar para um ataque ou jogar a superioridade numérica, caso algum adversário consiga acompanhar o seu líder.

Tadej Pogacar já experimenta as forças nos duros setores de terra batida da Strade Bianche

Entre os principais adversários do Pogacar deverá estar Tom Pidcock. O britânico, que no ano passado protagonizou excelente exibição, foi o único que deu réplica ao esloveno e foi segundo classificado. A excecional capacidade técnica na condução da bicicleta em todo o tipo de piso - é campeão olímpico de BTT, ex-campeão mundial desta disciplina e também na de ciclocrosse - dá-lhe vantagem face à maioria dos demais adversários.

Tom Pidcock foi segundo classificado na edição de 2025 da Strade Bianche e volta ao topo dos candidatos este ano

Outro nome a ter em conta é o de Paul Seixas. Apesar da força da sua equipa, a Decathlon, não se comparar à da UAE, o jovem francês de 19 anos é considerado um talento de exceção. Espera-se que lute diretamente com os melhores, aproveitando a sua forma atual e o fator surpresa que poderá jogar a seu favor contra os restantes favoritos.

O jovem Paul Seixas, de apenas 19 anos mas admirado prodígio, poderá dar luta a Pogacar na Strade Bianche?

Wout van Aert regressa a uma corrida que, nos últimos anos, se tem tornado mais favorável a trepadores. Para o belga, vencedor em 2020, um lugar no pódio exigirá uma forma excecional, e conta com a apoio do companheiro de equipa Matteo Jorgenson, e de Ben Tulett, ambos com aspirações a um lugar no top-10.

Wout van Aert já venceu a Strade Bianche em 2020 e espreita oportunidade este ano

A lista de candidatos inclui ainda especialistas em terra batida como Quinn Simmons e Gianni Vermeersch, que podem ter um bom desempenho mesmo sem estarem no pico de forma. Vermeersch poderá também ser um gregário importante para Giulio Pellizzari, que se mostrou em bom plano no início de fevereiro.

Figuras experientes como Egan Bernal, Julian Alaphilippe, Richard Carapaz e Pello Bilbao procurarão usar o conhecimento da prova para obter um bom resultado. Já no lote de jovens talentos e outsiders surgem nomes como Lennert van Eetvelt, o português Afonso Eulálio, Ben Healy, Clément Champoussin, Filippo Zana e Romain Grégoire, este último em grande forma e especialista em esforços curtos.

Corrida ainda jovem, mas já um ícone

Criada em 2007, a corrida rapidamente ganhou uma reputação inigualável, sendo considerada a principal candidata a alcançar o estatuto de Monumento. Embora não possua a história (apenas 20 edições) de outras clássicas, a sua lista de vencedores é prova de exigência: desde 2014, quase todos os que triunfaram em Siena já tinham no palmarés um Tour de França, um título mundial ou um Monumento.

A história da prova está repleta de nomes sonantes. Alexandr Kolobnev venceu a edição inaugural, mas logo no ano seguinte Fabian Cancellara conquistou a primeira das suas três vitórias. A qualidade do pelotão cresceu exponencialmente, com triunfos de Philippe Gilbert (2011), Michal Kwiatkowski (2014 e 2016), Zdenek Stybar (2015), Tiesj Benoot (2018) e Julian Alaphilippe (2019). Mais recentemente, a década de 2020 viu Wout van Aert, Mathieu van der Poel, Tom Pidcock e Tadej Pogacar, este último por duas vezes, subirem ao lugar mais alto do pódio.