Caos na qualificação da Sprint de Singapura gera revolta nas equipas
Um erro humano por parte do controlo de corrida da FIA gerou uma onda de frustração entre as equipas de Fórmula 1, esta sexta-feira, durante a qualificação para a corrida Sprint do Grande Prémio de Singapura. A falha técnica no circuito de Marina Bay deixou vários monolugares sem a potência máxima no primeiro segmento da sessão (SQ1), comprometendo a tabela de tempos e ditando eliminações precoces.
O incidente teve origem após a interrupção da SQ1 com bandeira vermelha, motivada pela limpeza de detritos da asa dianteira de Sergio Perez. Quando a sessão foi retomada, os responsáveis pelo controlo de corrida não reativaram o Overtake Mode, o impulso elétrico adicional habitualmente disponível durante as sessões de qualificação. Ao aperceber-se do lapso, um comissário chegou a reativar o sistema durante 27 segundos, antes de o desligar novamente, instalando a confusão no traçado.
Como alguns pilotos tinham averbado voltas rápidas antes da paragem com recurso à potência máxima, os concorrentes que tentaram melhorar os tempos após o reatamento ficaram em clara desvantagem. Entre os principais prejudicados pela falta de potência estiveram Arvid Lindblad, Lance Stroll e ambos os pilotos da Williams, todos eliminados na SQ1 ao ficarem de fora do grupo dos 16 primeiros que avançavam na tabela.
Perante o sucedido, a Williams solicitou formalmente ao controlo de corrida a presença dos 22 monolugares na SQ2, de modo a repor a igualdade desportiva. Contudo, os comissários rejeitaram a pretensão por dúvidas quanto à existência de margem regulamentar para essa alteração. A hipótese de repetir a SQ1 também foi descartada devido à escassez de jogos de pneus disponíveis.
Após uma reunião liderada por Nikolas Tombazis, diretor de monolugares da FIA, a Williams e a Racing Bulls expressaram profunda insatisfação com os acontecimentos, ainda que ambas tenham indicado que não planeiam protestar formalmente os resultados da qualificação sprint. A Aston Martin revelou pretender manter todas as opções em aberto enquanto aguarda por eventuais retificações da federação internacional, exigindo uma grelha justa para a corrida Sprint de sábado de manhã. Não obstante, o resultado da SQ1 não sofrerá alterações.
Para adensar o cenário conturbado, a gestão da Fórmula 1 enfrentou uma falha paralela no sistema de cronometragem independente da FIA, deixando de registar vários tempos na SQ1 e baralhando as contas dos pilotos quanto ao apuramento para a fase seguinte. Este é já o segundo fim de semana consecutivo marcado por contratempos técnicos de relevo, depois de o arranque do GP do Bahrain, corrido na Malásia pelos receios de segurança no Médio Oriente, ter sofrido atrasos devido a uma anomalia de software nos sistemas de controlo da unidade motriz.
Em comunicado oficial com um pedido de desculpas, o organismo que tutela a categoria máxima esclareceu a situação:
«Durante o primeiro período da Qualificação Sprint ocorreu um erro humano no Controlo de Corrida, não relacionado com o problema de cronometragem também encontrado na SQ1. Esta questão fez com que o Overtake Mode não ficasse disponível após o período de bandeira vermelha durante a SQ1. Quando se tornou evidente que o Overtake Mode não estava ativo após o recomeço, o mesmo foi ativado por um período de 27 segundos antes de ser desativado novamente. A FIA reconhece que este lamentável erro humano teve impacto no rendimento de determinados carros, consoante o momento da sua saída e a respetiva posição na volta. O segundo e o terceiro períodos da Qualificação Sprint não foram afetados.»