A festa de Walace - Foto: Estela Silva/LUSA
A festa de Walace - Foto: Estela Silva/LUSA
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Estreante ensinou o galo o cantar na casa de cónegos desafinados (crónica)

Tiros finais nos pés do Moreirense fizeram a diferença e indicaram o caminho da felicidade a Gil Vicente mais dominador do que goleador

A Liga subiu ao relvado pela primeira vez desde 19 de setembro logo com um dérbi minhoto entre Moreirense e Gil Vicente, que somavam ambos oito pontos. Os galos nunca deixaram de acreditar e ao cair do pano conquistaram o primeiro triunfo (1-0) fora de portas esta temporada.

Ambos os treinadores reconheceram a importância da paragem para cimentar ideias e corrigir o que falhou nas primeiras sete jornadas da Liga, mas nenhum efetuou alterações em relação aos últimos onzes que tinham apresentado.

O Gil Vicente demonstrou desde o primeiro minuto o desejo de alcançar a primeira vitória na Liga desde a segunda jornada. A pressão alta e as dinâmicas criadas pela subida no terreno dos laterais potenciaram o conforto dos galos, que sempre pareceram mais confortáveis com bola do que os adversários.

A facilidade de ativar os três corredores numa questão de segundos colocou os homens de Luís Pinto em zonas de perigo com relativa frequência, mas, na melhor oportunidade, André Ferreira fechou a porta a David Moreira e o Gil nem conseguiu finalizar.

O Moreirense voltou a apostar em transições rápidas e na irreverência de Tiago Andrade, dadas as dificuldades em desenhar jogadas longas. Mas precisou apenas de poucos segundos com o esférico para colocar o Gil em sentido.

Liberato beneficiou de um desvio de um remate exterior em Esgaio para ficar na cara de Lucão, na pequena área dos galos. O guadião canarinho, ainda assim, disse presente com um toque decisivo que desviou a bola por cima (24')-

O Moreirense subiu no terreno, sempre nas asas de Tiago Andrade, mas continuou a perder a bola na primeira fase de construção. O desperdício do adversário justificava o nulo que se verificava ao intervalo.

A segunda parte voltou a ser pródiga em exemplos de falta de verdadeiras oportunidades de felicidade. Lausen esteve perto, logo aos 49', mas, em posição frontal, não acertou na baliza.

Não se pode dizer que as duas equipas não produzam desenhos ofensivos de qualidade, mas a incapacidade de finalizá-las justificou o facto de juntas somarem menos golos marcados (13) do que cinco equipas da Liga.

Os homens de Luís Pinto continuaram a condicionar a circulação de bola do Moreirense, a neutralizar as transições rápidas e a dar uma noite tranquila a André Ferreira. Até aos 81'.

Ricardo Esgaio obrigou o guardião do Moreirense à primeira intervenção apertada da partida com um remate potente, após sucessivas tentativas dos galos contra o muro axadrezado.

O Gil Vicente reforçava a candidatura à conquista dos três pontos, mas quase foi chumbado em cima dos 90'. Tiago Andrade (sempre ele) bailou pela direita, atirou a capa de herói a Landerson com um cruzamento à medida... e o brasileiro deixou-a sair pela linha de fundo.

O falhanço de Landerson antecedeu um golpe de justiça, no soar do gongo. Kaba aproveitou mais uma má abordagem de Gilberto Batista na segunda parte para ganhar a frente e seguir em direção à baliza de André Ferreira, antes de ter sido derrubado por Maracás dentro da grande área.

Walace França, a viver os primeiros minutos com a camisola do Gil Vicente, assumiu a marcação do castigo máximo e não tremeu, apesar de André Ferreira ter adivinhado o lado. A felicidade dos galos após o primeiro triunfo fora de portas esta temporada contrastou com a frustração dos cónegos que perderam um ponto por culpa própria.

A figura do Moreirense: Tiago Andrade (6)

O jovem extremo de 20 anos deu sequência ao golo marcado em Guimarães, na última jornada, com uma exibição de classe. Foi o óasis no deserto de ideias ofensivas dos cónegos à boleia da irreverência, qualidade técnica e velocidade que o caracterizam. Arrancou amarelos a adversário, iniciou inúmeras transições e procurou aproximar o Moreirense da felicidade. Ainda teve energia para oferecer o golo da vitória a Landerson (88'), mas sucesso não dependeu de si

As notas do Moreirense

André Ferreira (5); Dinis Pinto (5), Gilberto Batista (4), Maracás (4) e Francisco Domingues (5); Guilherme Liberato (6), Nile John (6) e Manuel Mendonça (5); Kiko Bondoso (6), Vonic (5) e Tiago Andrade (6). João Veloso (5), Rodri Alonso (5), Landerson (5), Yan Maranhão (5)

O melhor em campo: Mohamed Kaba (7)

Saiu do banco para fazer a diferença. O avançado maliano condicionou a saída de bola do Moreirense e destabilizou Gilberto Batista no momento decisivo. Ofereceu fisicalidade essencial numa altura em que a linha defensiva dos cónegos estava cada vez mais permeável. Foi o protagonista da jogada decisiva do encontro e deixou os dois centrais do Moreirense muito mal na fotografia. A acompanhar

As notas do Gil Vicente

Lucão (5); Ricardo Esgaio (6), Marvin Elimbi (7), Buatu (7) e David Moreira (6); Diogo Prioste (6), Andreas Lausen (6) e Santi García (6); Murilo (6), Héctor Hernández (5) e Gil Martins (5). Kaba (7), Guilherme (6), Joelson (6), Walace (7) e Tidjany Touré (5)

A reação de Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense

Sentimento de frustração, são duas jornadas a oferecer. Sabemos que temos de crescer, principalmente do ponto de vista ofensivo, que leva mais tempo a trabalhar no nosso processo, mas uma coisa importante para se jogar na Liga é que não podemos conceder. Quando erramos somos penalizados, isso aconteceu no Vitória e aqui. Foi um bom jogo, bem jogado pelas duas equipas, dificil para nós, nem sempe conseguimos defender como queríamos. Podia ter havido um golo para qualquer uma das equipas, mas não desta forma. Estamos a jogar contra uma boa equipa, conseguimos evitar que criassem, sinal que tivemos um bom desempenho, e este tipo de erros pagam-se caro. Fomos justamente penalizados por isso. Foi um jogo bem jogado, relativamente aberto, que não podíamos perder. A mensagem transmitida aos jogadores foi essa, se conseguimos defender bem a qualidade do Gil, não podemos ser nós a dar.

A análise de Luís Pinto, treinador do Gil Vicente

Jogo muito dificil, o Moreirense é uma equipa que tem nuances ofensivas e defensivas muito interessantes. Acreditávamos que podíamos ter bola, mas sem muita proximidade à baliza por muito mérito do Moreirense, que defende bem essa zona. Na parte final acabámos por ter energia porque quem estava dentro de campo deu tudo e ajudou a tornar o jogo mais caotico e os jogadores que entraram em campo acrescentaram ímpeto ofensivo e físico. Essa energia fez com que continuássemos a pressionar alto, o mais à frente possível. A equipa esteve muito bem, começou forte, acabou forte e isso é algo que queremos fazer mais vezes. É um sentimento de felicidade, queremos jogar bem e ganhar, às vezes as coisas acontecem porque têm de acontecer. Nos últimos jogos sentimos que havia detalhes que tínhamos de melhorar para ficar mais perto da felicidade e o jogo cair para o nosso lado.

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