Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus em conferência de imprensa ainda antes do caso da Escandinávia — Foto: IMAGO
Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus em conferência de imprensa ainda antes do caso da Escandinávia — Foto: IMAGO
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Uma guerra tem de ter vencedor

Ronaldo e Jesus são profissionais de eleição e com egos muito grandes. A forte personalidade conduzi-os ao sucesso,mas agora, mais do que nunca, têm de ter bom senso e fazer cedências. Este é o 'Livre sem barreira', espaço de opinião de Hugo do Carmo

Cristiano Ronaldo prometeu e cumpriu. Quando deixou o estágio da Seleção Nacional fez uma publicação na qual avisou que «a seu tempo» diria «a verdade a todos os portugueses». Fê-lo em forma de comunicado e no qual não poupou Jorge Jesus, acusando-o «de faltar duas vezes à palavra».

Ronaldo mostrou-se disponível para voltar a representar a Seleção, pediu desculpa aos portugueses e aos companheiros e até sugeriu ser punido por ter abandonado a concentração, com a agravante, sublinhou, de ser o capitão.

A novela já leva mais de uma semana e todas as partes, de uma forma ou de outra, já se pronunciaram publicamente. Jorge Jesus e Pedro Proença defenderam a narrativa de um «mal-entendido», enquanto Ronaldo foi mais longe e detalhou todo o processo, desde o final do Mundial 2026 aos jogos da Liga das Nações.

A conclusão é simples: já todos percebemos que o caso espoletado na Escandinávia, entre os jogos com a Noruega e a Dinamarca, não é de simples resolução e que está para durar. Afinal, estamos perante um conflito entre o capitão e o selecionador, com o presidente da FPF a tentar aproximar as partes e promover uma cimeira da paz.

Já tudo se disse sobre a personalidade e comportamento de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, com as entourages de ambas as partes, sejam a nível profissional ou pessoal, a esgrimir argumentos, defendendo uma parte e, em muitas ocasiões, a não resistirem a atacar a outra, com muitos a perderem a noção da realidade e a cometerem excessos atrás de excessos.

Conheço, profissionalmente, ambos há muitos anos e, sinceramente, não foi propriamente uma surpresa termos chegado ao ponto em que estamos. Cristiano Ronaldo é um dos maiores jogadores da história do futebol e logicamente não pode ser tratado como um futebolista comum, depois do que fez pela Seleção e pelo nível a que conduziu o futebol português. Até porque, e ao contrário do que tenho ouvido e lido com insistência na última semana, considero que tem lugar na Seleção Nacional. Não como indiscutível, mas como a melhor opção para ser a alternativa a Gonçalo Ramos para a frente de ataque.

Já Jorge Jesus tem contra ele (ou a favor dele, dependendo da perspetiva) ter sucedido a Roberto Martínez. Onde antes estava, acima de tudo, um diplomata, está agora um homem genuíno e impulsivo, um treinador autodidata que construiu a carreira a pulso e que nunca se preocupou com a imagem ou as consequências das palavras.

São dois profissionais de eleição e com egos muito grandes, o que, por vezes, os prejudica. A forte personalidade conduzi-os ao sucesso, com Cristiano Ronaldo a chegar ao topo do mundo. Aceite-se ou não, a marca CR7 é maior que a Seleção Nacional — para o perceber basta passar a fronteira… —, mas agora, mais do que nunca, têm de ter bom senso e fazer cedências. Uma guerra tem de ter sempre vencedor, nem que sejam… dois.

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