CAN: Mané explica como convenceu Senegal a voltar ao relvado
Sadio Mané acabou distinguido como melhor jogador da Taça das Nações Africanas (CAN) e no final do Marrocos-Senegal provou que a escolha foi acertada, confirmando também que esta foi a sua última participação nesta competição.
Num momento de grande tensão do encontro final com Marrocos, convenceu os seus colegas a terminarem o jogo, contrariando a ordem do selecionador, Pape Thiaw, que mandara a equipa retirar-se em protesto contra um penálti assinalado a favor de Marrocos, aos 90+8, que só foi convertido – e falhado - já aos 90+24, levando o jogo para prolongamento, depois de Mendy agarrar uma tentativa de ‘Panenka’ de Brahim.
Mané permaneceu no relvado e foi fundamental para que a partida fosse retomada, mais de dez minutos depois, presumivelmente depois até de ser alertado para um provável castigo que a federação poderia sofrer. Presente como comentador do Canal+ Afrique, estava o francês Claude Leroy, antigo seleccionador do Senegal, e que visto a falar com Mané no sentido de o incentivar a convencer a sua equipa a regressar. «O Sadio veio perguntar-me o que faria no lugar dele e eu disse-lhe: ‘pede aos teus colegas para regressarem ao campo’, só isso», explicou Leroy à AFP.
Sadio Mane was instrumental in calling the Senegal players back to the pitch 👏#AFCONFinal | #TotalEnergiesAFCON2025 pic.twitter.com/LV34ZuSoL4
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As palavras surtiram efeito, já que foi ao balneário para ir buscar os companheiros. «Todos queriam sair», explicou Mané ao Canal+ Afrique. «Quando vi o Claude, pensei que ele era a pessoa ideal a quem perguntar. Ele disse-me: ‘é preciso ficar, é preciso jogar’. Também perguntei ao Mamadou (Niang), que me disse o mesmo, e ao El-Hadji (Diouf), por isso fui buscar todos. Eu disse: ‘aconteça o que acontecer, temos de jogar. Eles marquem ou não, vamos jogar’. Tínhamos de jogar e, no fim, fomos recompensados.»
«O futebol africano não merecia um final assim»
Depois, na zona mista, Mané voltou à decisão de chamar os companheiros. «O futebol africano não merecia um final assim. Estamos a progredir muito e o mundo inteiro estava a ver-nos. Por isso, pedi aos meus colegas para voltarmos ao campo. Disse-lhes: 'ganhamos como homens, perdemos como homens'. Depois, tivemos sorte e conseguimos vencer no final. O árbitro pode cometer erros, e não é justo julgá-lo. O mais importante é que o fiz pelas pessoas de todo o mundo que queriam ver o jogo. A decisão de voltar foi tomada por todos, mas eu insisti para que regressássemos ao campo», comentou.
O futebol africano não merecia um final assim. Estamos a progredir muito e o mundo inteiro estava a ver-nos. Por isso, pedi aos meus colegas para voltarmos ao campo. Disse-lhes: 'ganhamos como homens, perdemos como homens'
«Adoraria continuar, mas esta é a minha última CAN», concluiu.
Selecionador arrependido
Pape Thiaw, que acabou por não fazer conferência de imprensa devido ao ambiente hostil no estádio, reconheceu depois o erro. declarações à beIN Sports, emissora do jogo.
«Depois de reflectir, não gostei nada de ter mandado os meus jogadores sair de campo. Peço desculpa ao futebol. Após pensar melhor, regressámos, mas sabemos o que se passa», disse aos BeIn Sports.
«Podemos reagir a quente, podemos perguntar-nos: ‘este penálti existiu?’ Porque, momentos antes, marcámos um golo que não foi validado. Agora, aceitamos os erros do árbitro, isso pode acontecer. Não o devíamos ter feito, mas está feito, apresentamos desculpas ao futebol.»
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