Novo procedimento de partida na Fórmula 1 desde o primeiro Grande Prémio, na Austrália

Nova cor nos semáforos de partida no Grande Prémio da Austrália

As novas motorizações exigem mais tempo de preparação aos pilotos e a FIA decidiu alterar o procedimento dos arranques desde a primeira corrida da temporada

O Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1 vai estrear um novo procedimento de pré-arranque, que inclui um atraso de cinco segundos, para dar aos pilotos no fundo da grelha tempo extra para prepararem as novas motorizações.

Esta alteração, detalhada nas notas do diretor de corrida, surge após um teste bem-sucedido na última semana de pré-temporada no Barém. A medida visa resolver as preocupações com o tempo de resposta mais lento dos novos turbocompressores, que poderiam causar problemas no arranque.

A remoção do MGU-H das unidades motrizes atuais, que ajudava a acelerar o turbo com energia armazenada, obrigou os pilotos a necessitarem de mais rotações para ativar o turbo. Sem isso, os arranques tornaram-se lentos, com alguns carros a arriscarem entrar em modo anti-stall.

O novo procedimento funcionará da seguinte forma: após todos os pilotos estarem alinhados na grelha e a bandeira verde ser agitada no fundo, haverá uma espera de cinco segundos, sinalizada por um painel azul intermitente na estrutura dos semáforos. Só depois deste período é que as luzes de partida retomarão a sua sequência normal, garantindo que os pilotos mais atrás tenham tempo para colocar as turbinas a funcionar corretamente.

Apesar de a maioria dos pilotos ter apoiado a decisão durante os testes no Barém, a Ferrari mostrou-se surpreendida, com o chefe de equipa, Fred Vasseur, a recordar que este problema já tinha sido identificado há muito tempo. Acredita-se que a equipa de Maranello tenha desenvolvido um turbo mais pequeno para contornar esta questão, o que lhes conferiu uma vantagem nos arranques de treino enquanto as outras equipas afinavam os seus procedimentos.

Kimi Antonelli, da Mercedes, comentou a alteração: «Obviamente, agora com o painel azul é um pouco mais fácil. Ainda assim, acertar o timing e criar a pressão no momento certo continuará a ser crucial, porque se não o fizermos, podemos ter um arranque muito mau».

«E, olhando especialmente para a Ferrari, eles parecem estar numa posição muito forte nesse aspeto, por isso será importante continuar a trabalhar, porque no Barém tivemos algumas dificuldades. Obviamente, trabalhámos muito e melhorámos, mas penso que ainda é preciso um pouco mais de trabalho para chegar ao nível da Ferrari. Mas nunca se sabe. Talvez na Austrália, na primeira corrida, no domingo, tenhamos um mega arranque», acrescentou o piloto.

Além desta mudança, foi também ratificada a decisão de proibir o uso do pacote de aerodinâmica ativa até depois da primeira curva, eliminando a incerteza sobre a sua utilização no início da corrida.

As notas do diretor de corrida informam ainda que foi adicionada uma faixa de relva na saída da Curva 6 para minimizar a quantidade de gravilha espalhada pelo circuito.