Jogo colorido e muita arte antes da ida à 'Casa Blanca' (crónica)

José Mourinho calculou o risco, jogou dois jogos e venceu o último da Liga. Schjelderup e José Neto em grande nível e Rafa Silva com um golo belíssimo na técnica. A Luz voltou à normalidade

A normalidade voltou à Luz, depois de Vinícius e Prestianni terem deixado tudo do avesso e aos gritos. O Benfica somou o 38.º jogo sem perder no campeonato, mas, mais do que isso, venceu de forma clara, «descansou» para quarta-feira, com Mourinho a assumir, com as suas escolhas, que neste sábado ia jogar dois jogos. Um frente ao último classificado da Liga e, o outro, a segunda mão da Champions com o Real Madrid.

Em teoria, este era o melhor jogo que o Benfica podia ter após os acontecimentos com os merengues e na véspera de visitar o Bernabéu. Na prática, também o foi. Mourinho, recorde-se, até começou a jogá-lo nos Açores, com amarelo ‘forçado’ que levou a um descanso obrigatório de Prestianni, ‘limpo’ para outras batalhas da Liga.

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Com tudo isso em cima da mesa, o onze anunciava o regresso de Alexander Bah, a estreia de José Neto a titular e uma pequena revolução. As fragilidades do adversário do dia permitiam que esse fosse um risco calculado. A equipa de João Henriques entrou para o jogo a dez pontos do penúltimo fruto de várias incapacidades que mostra: de recordar, tem quatro treinadores na época, um deles, Fábio Espinho, de forma interina naquele que até foi o primeiro rival de Mourinho no regresso a Portugal.

Ainda assim, perante este contexto, o Benfica precisava de passar a teoria à prática. A execução só não foi perfeita porque os homens que vestiram de negro e encarnado falharam oportunidades imensas. Alexander Bah voltou a ser feliz, não só por voltar a jogar, mas porque assinalou-o com o 1-0, aos 11’. O golo do dinamarquês desbloqueou o duelo praticamente na primeira ocasião do Benfica e a partir daí o jogo só teve um sentido: rumo à baliza de Adriel.

Portanto, resta saber como é que o Benfica chegou lá e essa resposta também é simples: sobretudo por Schjelderup. O norueguês foi quem mais vezes levou a bola para a área contrária, ainda que o serviço tenha tido bom apoio de Pavlidis na criação, nem por isso na finalização.

Quase a seguir ao 1-0, aos 16’, o Benfica teve uma ocasião pelo grego, seguiu-se um período de calma, mas dez minutos depois começaram surgiram oportunidades atrás de oportunidades e o resultado chegou a 3-0. As águias estiveram perto do golo aos 26’, aos 29’, marcaram aos 30’ por Barrenechea, novas ocasiões aos 35’ e 43’ e neste mesmo minuto Rafa meteu um pormenor na bola e fez um golo gigantesco na arte.

Um momento sublime a fechar uma primeira parte em que o Benfica só podia lamentar o desperdício e que, para quem estivesse distraído por ele raramente estar em jogo, convinha lembrar: Trubin também equipava diferente e jogava de cor-de-rosa.

O caleidoscópio futebolístico que foi o primeiro tempo do Benfica ressurgiu no segundo. Rios desperdiçou a primeira oportunidade e as águias desperdiciariam todas as outras que se lhe seguiram. O triunfo fora garantido antes, num jogo sem história, mas com muitas histórias nele inseridas. A de José Neto, por exemplo. O jogador mais novo da Liga pode não estar pronto para o Bernabéu, mas está claramente apto para estes jogos de campeonato. Lukebakio também teve minutos para voltar a entrar no ritmo, à medida que Mourinho continuava a jogar para Madrid - tirou Otamendi ao intervalo e Schjelderup aos 71' - muito mais do que jogava para o resultado deste encontro.

Ainda apareceram Ivanovic, Anísio Cabral e Prioste, últimos protagonistas de um jogo que deixa a águia na mesma a três pontos do Sporting, a quatro do FC Porto, mas com vários apontamentos para o futuro. José Neto o maior deles.