Calcanhar da glória no último passo de Bernardo Silva em Wembley (crónica)

Manchester City venceu a Taça de Inglaterra com vitória por 1-0 na final com o Chelsea. A última partida disputada pelo internacional português no estádio nacional de Inglaterra ficou decidida com um golaço de Semenyo

As equipas saíram do túnel do Estádio Wembley para o relvado lideradas pelos treinadores e pelos capitães. Do lado do Manchester City, logo atrás de Pep Guardiola estava Bernardo Silva. Nove anos depois de presenças várias, o internacional português pisou, pela última vez, o palco do estádio nacional de Inglaterra com o azul celeste de Manchester. O adversário, o Chelsea, começou com Pedro Neto e Dário Essugo no banco, tal como, do lado dos citizens, aconteceu com Rúben Dias. Matheus Nunes foi, tal como Bernardo, titular.

Terminada a cerimónia de abertura, com o habitual cumprimento dos protagonistas a William, príncipe de Gales, e com o hino inglês, God Save the King, cantado pelas bancadas, Darren England deu o apito inicial da partida, que, na primeira meia hora, foi dominada pelo Man. City. Os comandados de Pep Guardiola assumiram as rédeas do encontro e, com Bernardo Silva muito livre para vaguear no meio-campo, tentaram uma e outra vez aproximar-se da baliza adversária.

As oportunidades de perigo, porém, escassearam no primeiro tempo. Aos 6', Marmoush tentou desviar uma bola perdida na área, mas acertou nas 'orelhas' da bola. E aos 27' a bola entrou mesmo na baliza de Robert Sánchez, mas o golo de Haaland foi anulado por fora de jogo de Matheus Nunes, que assistiu o norueguês.

O Chelsea pouco ou nada conseguia fazer, com apenas algumas incursões pelas alas a levarem a bola à área de Trafford. Com o avançar do tempo, no entanto, os londrinos foram crescendo, aproveitando mais os espaços interiores e estancando as incursões adversárias e solicitaram mais vezes João Pedro, ainda que o avançado brasileiro não tenha conseguido fazer a diferença.

O jogo chegou ao intervalo empatado. Com pouca criatividade na frente, Guardiola colocou em campo Rayan Cherki. O criativo francês até esteve na origem da primeira jogada de perigo da segunda parte, aos 47', ao servir O'Reilly, que cruzou para o cabeceamento por cima de Semenyo. No entanto, o crescimento do Chelsea só continuou. Mesmo sem fazerem suar Trafford, os blues foram-se aproximando da área adversária, com cruzamentos e incursões que, uma e outra vez, foram parados pela defesa adversária. Tudo pendia para a equipa de Londres, que estava mais perto de chegar ao golo.

Até aos 72 minutos.

Que gesto técnico, Semenyo!

Bernardo Silva, que somou mais 90 minutos de tirar o fôlego a qualquer espectador, de tantos metros que percorreu, voltou a mostrar-se decisivo. Caiu sobre a meia-direita e encontrou a desmarcação de Haaland. Semenyo viu, ocupou a posição de ponta de lança e foi servido pelo avançado. Apertado por Colwill e sem ângulo para rematar? Não houve problema para o ganês: um remate a rodopiar, de calcanhar, só parou após beijar o interior da malha lateral da baliza de Sánchez, cujo som foi abafado pela explosão de alegria dos citizens que estavam logo ali na bancada maos próxima.

Estava aberto o marcador da final... e também fechado. O Chelsea, que havia dominado até então, ainda conseguiu, num remate em desequilíbrio de Enzo Fernández, um dos mais inconformados da equipa, atirar por cima. No entanto, sofreu, e de que maneira, o peso da desvantagem. Deixou de criar perigo com consistência e até permitiu ocasiões várias ao Manchester City: por duas vezes O'Reilly decidiu dar a bola para o lado em vez de rematar, mas sem sucesso, e Cherki ainda obrigou o guardião oponente a uma grande defesa.

O Man. City guardou a bola, fechou os caminhos da baliza e celebrou mais uma Taça de Inglaterra. Bernardo Silva chegou ao 20.º título pelos skyblues, clube a que chegou em 2017 e, desde então, nunca parou de ganhar. A última vez em Wembley terminou como queria: ergueu, juntamente com John Stones, que também vai deixar o clube neste verão, a FA Cup.

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