Liga 3: 'efe-erre-á', Académica passa de ano e vai 'estudar' na Liga 2!
Tarde imprópria para cardíacos este sábado, na Liga 3, com a última jornada da Fase de Apuramento de Campeão a decidir a derradeira vaga de acesso direto à Liga 2 e o lugar de play-off, e a acabar por determinar que Coimbra tem mais encanto na hora... do regresso às provas profissionais. E, claro, com o Amarante a garantir o título que estava à mão de semear, com o triunfo por claro 3-1 no terreno do Vitória de Guimarães B.
Académica e Belenenses, que jogaram em Coimbra e no Restelo, diante de Trofense e Mafra, respetivamente, foram a jogo diante da presença in loco de milhares de adeptos, sobretudo na cidade dos estudantes, à procura da promoção direta, tarefa mais facilitada para a Briosa, que entrou em campo com dois pontos de vantagem sobre os azuis e precisava apenas do empate para carimbar o regresso ao escalão secundário, do qual caíra em 2021/22.
Com os olhos e o coração em campo no Estádio Cidade de Coimbra, e com um ouvido (pelo menos...) no Restelo, onde, pelo contrário, as atenções estavam repartidas, os estudantes sacudiram a enorme pressão com que entraram em jogo com um penálti cobrado de forma irrepreensível pelo capitão Leandro Silva, aos 21', a castigar falta de Fábio Borges. Enorme explosão de alegria nas bancadas.
As guitarras podiam começar a trinar um fadinho, não de tristeza, antes do fim da saudade da Liga 2, que ora andou perto, ora andou longe nas épocas anteriores, mas agora já não escapava, quatro anos depois da queda.
Com o público ao rubro nas bancadas, com moldura humana de mais de 26 mil adeptos (26.356) recorde na Liga 3), capaz de fazer inveja a boa parte dos clubes do principal escalão, os efe-erre-ás começaram soltar-se pouco depois, quando, apenas quatro minutos após o primeiro golo, Leandro Silva serviu Baixinho, que fez continência ao capitão e voltou a agitar as redes do Trofense. Soltavam-se lágrimas dentro das quatro linhas, fora das quatro linhas também, a turma de António Barbosa sentia que a promoção direta já não escaparia.
A pouco mais de 200 quilómetros de distância, no Restelo, a vista sobre o Tejo não tolheu a desilusão dos adeptos da turma da Cruz de Cristo, resignados à marcha do marcador em Coimbra, mas ainda esperançados na Liga 2, porque o pior que podia acontecer era mesmo a presença no play-off. Mais 180 minutos para dar tudo por tudo. E isso mesmo era o que indicava o 0-0 ao intervalo do jogo com o Mafra e com o 2-0 favorável à Briosa a pedir um milagre ao Cristo-Rei, que do outro lado do Tejo mirava a partida.
Nada feito. Pouco depois do reatamento das partidas, golo da Académica! Marcos Paulo escancarava as portas do regresso à Liga 2, a hora era de começar a soltar os fogos! «Aca-dé-mi-ca, Aca-dé-mi-ca, Aca-dé-mi-ca!», entoavam as bancadas.
Do mal o menos, no Restelo o público acabou por acordar com o 1-0 do Belenenses, aos 55', com Diogo Leitão a aproveitar defesa incompleta de Francisco Lemos, guarda-redes que logo a seguir assinou duas intervenções consecutivas de enorme nível, impedindo os azuis de dilatarem a vantagem. Mas por pouco tempo. A equipa agora orientada por Gonçalo Brandão continuou a carregar no acelerador e chegou ao 2-0 aos 61', por intermédio de Bruninho, que não perdoou erro defensivo do Mafra e aproveitou a má colocação de Francisco Lemos para ampliar — aos 89', Samba Só reduziu para os mafrenses, mas João Gastão ainda voltou a dilatar a vantagem do Belenenses aos 90+5, sentenciando o resultado final.
Em Coimbra, entretanto, já só se olhava para o relógio, à espera do apito final que transformou a festa num vulcão de emoção, com muitas lágrimas à solta. A Académica está de volta à Liga 2!
(em atualização)