Caitlin Clark criou 500% de problemas à Nike
Depois de, na passada sexta-feira, no arranque do Mundial feminino Alemanha-2026, ter levado os Estados Unidos à arrasadora vitória sobre a China por 94-61 no jogo de abertura do Grupo D, em Berlim, Caitlin Clark criou um problema à Nike.
Segundo o site Fever Updates, após uma exibição com 14 pontos, 3/7 em triplos, 3 ressaltos, 11 assistências e nenhum turnover em 25 minutos, os pedidos de compra de camisolas da seleção dos EUA com o número 12, utilizado pela base norte-americana, cresceram 500(!) por cento na Europa. A procura foi tal que, devido ao tráfego, a página bloqueou e a marca reconheceu que o fenómeno superou mesmo algumas estrelas do futebol.
Demand for Caitlin Clark jerseys in Europe has increased by 500% following Team USA’s first game at the 2026 Women’s Basketball World Cup in Germany.
— Fever Updates (@FeverUpdate) September 4, 2026
Orders for Clark’s jersey have reportedly outnumbered those of several major soccer stars, with the massive surge in traffic… pic.twitter.com/O4y0PnfFZR
Mas, afinal, se há coisa a que a base das Indiana Fever, de 24 anos, está habituada desde que chegou à WNBA em 2024 é a bater recordes — quer seja em campo, a esgotar pavilhões ou como fenómeno comercial que ajudou a revolucionar as audiências e os contratos da liga feminina.
Por isso, antes do campeonato da seleção norte-americana — grande candidata ao quinto título consecutivo e 12.º em 21 edições —, foi lançado o documentário Caitlin Clark: The Complete Story.
Já no passado mês, na visita às Chicago Sky, marcou 37 pontos, com oito triplos, o que colou uma audiência de quase 4 milhões de espetadores ao televisor, sem se saber quantos mais assistiram ao embate através de plataformas digitais. Agora, existe a dúvida sobre se conseguirá fazer ainda melhor durante o seu primeiro campeonato do mundo sénior, após já ter sido bicampeã mundial sub-19 e de ter sido deixada de fora da seleção que conquistou o ouro olímpico em Paris-2024.
Este domingo os Estados Unidos voltam a jogar, agora contra a Itália, que bateu a Rep. Checa na 1.ª jornada por 54-63.
Na WNBA, estima-se que o impacto de Clark em 2025 tenha originado cerca de 30 por cento das receitas totais e ajudado a que o novo contrato de 11 anos sobre os direitos de transmissão televisiva — assinado em maio com a Disney (ABC/ESPN), NBCUniversal, Amazon Prime Video, Paramount (CBS), Scripps (ION) e USA Network — tenha atingido os 3,1 mil milhões de dólares (2,67 mil milhões de euros). Montante que também permitiu elevar os salários das jogadoras, que estavam à beira de entrar em greve, e melhorar o contrato coletivo de trabalho.
Um reflexo disso foi o facto de a enchente de adeptos nos pavilhões, com clubes a terem de usar os da NBA na sua totalidade em certas ocasiões, e a pressão mediática em redor de Clark terem sido catalisadores fundamentais para que a WNBA passasse a financiar voos charter para todas as equipas da liga. Até então era proibido fazê-lo, ao contrário do que sucede na NBA, mesmo que os donos dos clubes quisessem pagar, acabando-se assim com a prática histórica de viajar em voos comerciais por razões de segurança e conforto.
Ryan Brewer, professor de finanças na Indiana University Columbus, calculou que a contribuição de Clark, abrangendo assistências nos pavilhões, audiências televisivas e vendas de merchandising, foi fundamental para o crescimento da WNBA.
As transmissões de jogos de Clark bateram recordes de audiência históricos. Na sua época de estreia na WNBA, a maioria dos jogos das Indiana Fever passou para o horário nobre em canais nacionais, com pavilhões esgotados tanto em casa como fora. E agora todas as 44 partidas da fase regular de 2026 serão transmitidas em canais nacionais nos Estados Unidos. Honra que apenas existe para os Dallas Cowboys, da NFL — habitualmente considerado o clube mais valioso do mundo.
O impacto na cidade de Indianápolis, onde também jogam os Pacers, revelou-se notável. Brewer considerou que o efeito económico global de Caitlin para a cidade atingiu os 36,5 milhões de dólares (31,43 milhões de euros).
Mas, na verdade, vender camisolas aos milhares não é novidade para a jovem natural de Des Moines (Iowa). Já o havia conseguido enquanto jogadora da Universidade de Iowa, apesar de nunca ter sido campeã universitária (NCAA), enquanto batia recordes e ia recebendo distinções atrás de distinções, sobretudo nos últimos três dos quatro anos em que se formou em marketing.
Assim, foi natural que, pouco depois de as Indiana Fever a terem escolhido como n.º 1 do draft de 2024, a sua camisola n.º 22 tenha esgotado em menos de uma hora.
Ao longo do primeiro semestre do ano, a jersey 22 das Fever não só foi a mais vendida da WNBA, como também a segunda mais vendida de todo o basquetebol norte-americano, apenas atrás da estrela dos Warriors, Stephen Curry.
O aumento significativo nas vendas levou mesmo a uma auditoria à loja da equipa das Indiana Fever em 2024, conforme relatado em junho de 2025 por Travonne Edwards, estratega da JD Finish Line.
Já o contrato com a Nike, assinado antes de ser rookie na WNBA — onde auferiu 76.500 dólares (66 mil euros) na primeira época e 338 mil dólares (291 mil euros) ao longo das primeiras quatro temporadas —, atingiu os 28 milhões de dólares (24,1 milhões de euros) por 8 anos. Cerca de 3,5 milhões/ano (3,001 milhões de euros). Trata-se do maior contrato de patrocínio de sempre no basquetebol feminino, garantindo-lhe também uma linha própria de sapatilhas.
Consta que a Puma desistiu quando lhe foi dito que a licitação começava nos 3 milhões de dólares anuais, que a Adidas ofereceu 6 milhões (5,166 milhões de euros) por quatro anos e a Under Armour tentou recrutá-la com uma proposta de 16 milhões (13,78 milhões de euros) por quatro anos, recorrendo a Stephen Curry — então ainda associado à marca — para tentar convencer Clark. No entanto, a base acabou por optar pela Nike.
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