Ben Simmons deixa de andar atrás do espadim-azul e assina com os Kings

Base australiano, de 30 anos, procura relançar a carreira na NBA, mantendo em suspenso a de pescador profissional de alto-mar.Nem quando foi rookie nos 76'ers ganhava tão pouco e uma das dúvidas é se já não terá receio de lançar de três pontos e como se encontrará psicologicamente

Ben Simmons está de volta à NBA depois de uma temporada afastado dos courts e de se ter dedicado a outras atividades, sobretudo à pesca desportiva. O base australiano, de 30 anos, que esteve ausente durante toda a época passada devido a problemas crónicos nas costas, chegou a acordo com os Kings para um contrato de um ano no valor de 3,5 milhões de dólares (3,013 milhões de euros).

Quantia bem distante dos 170 milhões de dólares (146,4 milhões de euros) com que renovou por cinco temporadas com os 76'ers em 2019 e que, entre 2020/21 (ainda em Filadélfia) e os quatro anos que se seguiram em Brooklyn, lhe permitiram receber sempre mais de 30 milhões (25,8 milhões de euros) por época.

A notícia, no entanto, marca o regresso de um jogador cujo extenso historial de lesões, dificuldades psicológicas e potencial por cumprir têm sido temas recorrentes de debate na liga.

Recorde-se que Simmons, primeira escolha do draft de 2016 pelos 76ers, falhou três épocas completas por motivos de saúde física e mental. O calvário começou logo na época de estreia, que não disputou devido a uma fratura no tornozelo direito sofrida durante um treino da pré-temporada dos Sixers. Quando se estreou em 2017/18, acabou por ser eleito Rookie do Ano.

Os problemas com os 76'ers agravaram-se sobretudo após o Jogo 7 das meias-finais de Este de 2020/21, contra os Hawks, em que, isolado, em vez de afundar a cerca de dois minutos do fim, preferiu passar a bola. Mais tarde, o treinador Doc Rivers viria a culpá-lo publicamente pela eliminação e as coisas nunca mais foram as mesmas.

Durante a pré-época de 2021/22, após exigir ser trocado, foi obrigado a apresentar-se aos treinos para evitar multas. Surgiram imagens suas a treinar de calças de fato de treino, com o telemóvel visivelmente no bolso e sem qualquer vontade de participar. Acabou expulso do treino por Doc Rivers por se recusar a realizar um exercício defensivo, e os salários não auferidos pelas ausências que se seguiram terão atingido os 20 milhões de dólares (17,22 milhões de euros).

O base natural de Melbourne alegou não estar mentalmente preparado para regressar aos pavilhões, recusando os recursos de apoio oferecidos pela organização, apesar de auferir um salário de 33 milhões de dólares (28,4 milhões de euros) e de ter recebido um adiantamento de 16,5 milhões (14,2 milhões de euros). A partir de meados de novembro, o clube começou a aplicar-lhe uma multa de 360 mil dólares (310 mil euros) por cada jogo falhado, valor que era deduzido dos seus vencimentos.

Os 76ers argumentavam que o basquetebolista violara o seu contrato ao não comparecer no estágio nem participar nos jogos da pré-época e da fase regular, tendo por isso o direito de reter os salários. Ben apresentou uma queixa formal em tribunal, na qual exigia a devolução de uma parte dos quase 20 milhões de dólares que lhe foram retidos ao longo da temporada 2021/22. Ambos os lados chegaram a um acordo para resolver a disputa financeira, mantendo os valores exatos confidenciais por vontade mútua.

No total, Ben Simmons esteve afastado dos pavilhões em mais de metade dos seus dez anos na liga, tendo disputado apenas 383 jogos da fase regular num total de 738 possíveis. Nos Kings, espera-se que reforce a posição de base, servindo como alternativa ao rookie Darius Acuff Jr., sétima escolha do draft de junho.

Antes de optarem por Simmons, os Kings terão demonstrado interesse em veteranos como Russell Westbrook — que decidiu retirar-se — e Victor Oladipo. No entanto, o conjunto californiano não foi o único a ponderar a contratação do australiano, já que, segundo fontes da liga, Knicks e Warriors também estiveram na corrida.

O caminho de regresso de Simmons foi longo, como documentado numa reportagem da revista Men's Health no final de junho. O jogador não compete desde abril de 2025, época em que realizou 51 jogos pelos Clippers, após ter sido dispensado pelos Nets quando auferia mais de 39 milhões de dólares (33,58 milhões de euros). Depois de ter deixado Los Angeles, terá rejeitado uma proposta dos Knicks, sendo que os Celtics também manifestaram interesse na sua contratação.

Só que Simmons, criticado por muitos pela atitude nas equipas por onde havia passado e por estar constantemente vestido à civil no banco, tinha outros planos. Dedicou-se à pesca em alto-mar, chegando a investir na modalidade para se tornar o operador principal da South Florida Sails, do Sport Fishing Championship — uma equipa profissional de pesca desportiva. Em maio, venceu o campeonato SFC Walker's Cay Open de 2026. «Precisei de me afastar, de ter algum espaço e de me reencontrar», confessou à Men's Health.

Esta foi a primeira grande vitória da equipa desde que Simmons se tornou o seu principal proprietário. A conquista foi esmagadora, com os Sails a acumularem 2925 pontos, quase 1500 a mais do que os segundos classificados, os New Jersey Sea Birds. Segundo a ESPN, a South Florida Sails destacou-se desde o início do evento de três dias. Uma libertação bem-sucedida de um espadim-azul pelo pescador Alex Stanley, logo no primeiro dia, valeu 450 pontos e colocou-os na liderança, posição que nunca mais largaram até ao final.

Relembrando que a paixão pela pesca começou na infância com o pai, na Austrália, e se intensificou durante as pausas da NBA em Miami, onde se envolveu na cultura da pesca em alto-mar, Ben justificou: «Sempre acreditei que investir naquilo que se ama significa que temos a responsabilidade de ajudar a desenvolvê-lo. A pesca desportiva proporcionou-me experiências incríveis, e o SFC está a criar uma plataforma que trata a pesca de alto-mar como o desporto de elite que é».

Agora, o base três vezes All-Star tem uma nova oportunidade de redenção na NBA. Enquanto o futuro no basquetebol permanecia incerto, manteve-se ativo. O seu regresso não oficial aos treinos ocorreu em meados de agosto, quando participou num minicamp privado da seleção australiana. Pouco depois, realizou um treino em Miami para o diretor-geral dos Kings, Scott Perry, e viajou para Sacramento para se encontrar com o treinador Doug Christie e a respetiva equipa técnica.

Contudo, a grande questão que se coloca, tal como em outros momentos da sua controversa carreira, é se os sinais positivos da pré-temporada se irão traduzir em desempenho real ou se não passarão de mais uma miragem das redes sociais.

Igualmente conhecido por ter tido um suposto relacionamento com a rapper e atriz Megan Thee Stallion e um namoro confirmado com a celebridade Kendall Jenner, são muitas as histórias dentro e fora de campo relacionadas com Simmons. Ben e Kendall namoraram em 2018, tendo sido vistos juntos em público várias vezes.

No ano seguinte, uma fonte próxima do casal revelou ao site TMZ que a relação «tinha chegado ao fim». Mais tarde, Simmons esteve numa relação com a apresentadora britânica da MTV e da BBC Radio 1 Maya Jama, de quem ficou noivo em 2021, embora o noivado tenha terminado no ano seguinte.

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