Palhinha é reforço do Benfica para a época 2026/27 - Foto: IMAGO
Palhinha é reforço do Benfica para a época 2026/27 - Foto: IMAGO

FC Porto, Sporting e Benfica: fecho de mercado a três velocidades

Mercado de valores é o espaço de opinião de Diogo Luís, antigo jogador de futebol, economista e comentador

Ofecho de mercado é um período que traz definição e estabilidade aos clubes. A partir deste momento, os jogadores deixam de viver cenários hipotéticos e concentram-se na realidade. Quando avalio o mercado de transferências, analiso sempre duas dimensões que se interligam: a desportiva e a financeira. A verdade é que a forma como os clubes atacam este período diz muito sobre o seu estado.

FC Porto: ficou mais forte

Desportivamente, o FC Porto saiu mais forte deste mercado. Reforçou posições que necessitavam de maior profundidade, nomeadamente o meio-campo e a frente de ataque. As chegadas de André Silva e Gimenez, a que se junta Samu, representam um upgrade para uma equipa que foi campeã com Gul e Moffi.

Para o meio-campo chegaram Hwang e regressou, novamente por empréstimo, Fofana. Ficaram seis jogadores com as características que Farioli pretende para três posições. Isto permitirá uma gestão física muito mais eficaz do que no último ano. Para a lateral esquerda chegou Souza, emprestado pelo Tottenham.

Uma das bases para o sucesso é não mexer demasiado nos plantéis vencedores. No caso do FC Porto, não foi vendido nenhum jogador que tenha sido habitual titular na última época e, além disso, foram acrescentadas soluções de qualidade nos setores que necessitavam de reforços.

Se juntarmos a análise financeira à desportiva, percebemos que o FC Porto trabalhou bem. A situação financeira dos azuis e brancos continua complexa e difícil. Não existe margem para loucuras. Por este motivo, o ataque ao mercado foi lento e cauteloso. Também por este motivo, o FC Porto teve de recorrer a dois empréstimos, Souza e Fofana, para trazer mais soluções para o plantel.

A venda de Mora foi essencial para gerar liquidez, atacar o mercado e dar um passo rumo a um resultado contabilístico positivo em 2026/27. Tendo em conta as dificuldades financeiras do clube e o caminho desportivo escolhido por Farioli, o FC Porto conseguiu sair mais forte deste mercado nas duas dimensões: desportiva e financeira.

Sporting: assume o risco

No caso do Sporting, começo por analisar a vertente financeira. A forma como o clube verde e branco atacou o mercado demonstrou várias coisas: coragem para assumir o risco de uma mudança tão drástica, capacidade financeira para executar o plano rapidamente e um planeamento bem definido, com entradas e saídas previamente estabelecidas.

Em simultâneo, é importante referir que, ao contrário de FC Porto e Benfica, o Sporting investiu mais no imediato, mas reduziu o orçamento. Vendeu jogadores com salários elevados e os que chegaram não se aproximaram desses valores. Esta é uma diferença importante: o investimento nas transferências é um custo que pode ser compensado por receitas extraordinárias (vendas de jogadores), enquanto os salários são custos recorrentes que o clube terá de suportar todos os anos.

Por fim, com todas estas trocas, acabou por baixar a média de idades, o que é determinante para ter um plantel capaz de gerar rendimento financeiro no futuro.

A parte desportiva é a que gera mais dúvidas. Não pela falta de qualidade do plantel, mas porque houve uma renovação muito grande, sobretudo no onze inicial. Perde-se experiência e maturidade, ganha-se juventude e ambição. A forma de jogar será necessariamente diferente. A grande questão é saber como este plantel, que perdeu muitas referências, vai reagir nos momentos de maior stress.

Benfica: visão de curto prazo

O mercado do Benfica foi o mais inconsistente dos três grandes. Desportivamente, as contratações de Palhinha e Lenglet, este último para substituir Otamendi, trazem qualidade imediata. Circati é uma boa opção que conjuga as vertentes financeira e desportiva. Kaminski pode ter sido mais um tiro ao lado, num investimento de 17 milhões de euros que tem tudo para correr mal. Os empréstimos de Durán e El Karouani são incógnitas.

Apesar de tudo, parece-me que, com exceção de Kaminski, todos estes jogadores se enquadram no que o treinador pretende e, por esse motivo, o plantel ficou mais forte.

De uma forma simples, a grande contratação foi Marco Silva, que, em poucas semanas, conseguiu valorizar ativos em quem muitos não acreditavam e criar uma identidade dentro do relvado à dimensão do clube.

Financeiramente, o cenário é diferente. Num ano sem Liga dos Campeões, o objetivo deveria ser reduzir os custos recorrentes do clube. O Benfica não o conseguiu fazer. Os salários de quem entrou são superiores ou similares aos dos que saíram. Por outro lado, teria sido importante vender alguns jogadores que não se enquadram na forma de jogar do treinador. Esse objetivo não foi conseguido.

Começo por Ríos. Não me lembro de nenhum jogador que tenha ido para a Arábia e saído valorizado. Aqui, o erro do Benfica foi pedir um valor que ninguém iria pagar. Seria mais sensato pedir um valor inferior ao que foi investido, vender o jogador, assumir o erro e fechar um capítulo. Os dirigentes não o fizeram por receio da opinião pública. O resultado poderá ser ter de vender Ríos daqui a uns tempos por um valor ainda mais reduzido. É ainda de realçar que, mesmo na Arábia, aparentemente, o Benfica paga uma parte dos ordenados do jogador.

Outra questão foi Lukebakio. Mais um jogador com salário elevado, mas que não apresenta o compromisso que o treinador exige. Analisando o campeonato português, não tenho dúvidas de que em alguns jogos poderá ser importante. A questão é que o salário de Lukebakio deveria servir para ter um jogador que fizesse a diferença em todos os jogos.

Pelas dificuldades financeiras e pela instabilidade diretiva, o mercado do Benfica foi lento e populista. Apostou em jogadores com estatuto, alguns deles acima dos 30 anos, que deverão ser titulares e representam um aumento da base salarial para as próximas épocas. Com menos receitas recorrentes, devido à ausência da Liga dos Campeões, só existe uma forma de compensar o diferencial negativo crescente entre custos e receitas: a venda de jogadores.

Ao contrário do que as pessoas pensam, uma gestão desequilibrada não é benéfica para o clube. Se no imediato pode converter-se em vitórias, no médio prazo obrigará o clube a vender os jogadores que mais se valorizarem para compensar o desequilíbrio entre custos e receitas, fazendo com que a qualidade do plantel diminua. O objetivo de quem lidera deveria ser criar condições para vencer regularmente e não esporadicamente.

A VALORIZAR: FLÁVIO GONÇALVES

Com 19 anos, o médio de ataque do Sporting demonstra muita qualidade. O difícil não é chegar ao topo, mas sim ter consistência.

A DESVALORIZAR: PSG

Dois empates e uma derrota em três jogos da Ligue 1. Não está a ser um início de época fácil.

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