José Mourinho, treinador do Benfica (foto: Imago)
José Mourinho, treinador do Benfica (foto: Imago)

Benfica: versão 'special one' pronta para o Real Madrid

Equipa de José Mourinho está 'no ponto' para enfrentar adversário de classe mundial na Europa

O melhor Benfica da era José Mourinho está à vista e o triunfo (2-1) nos Açores, frente ao Santa Clara, de sexta-feira, para a Liga, confirma a saúde da equipa encarnada nesta fase da temporada.

Chegou tarde a versão special one do Benfica de Mourinho, com atraso significativo no campeonato e na fase de liga da UEFA Champions League, mas permitiu salvar a face em termos europeus, com a tal vitória épica (4-2) sobre o Real Madrid, e ainda dá para pressionar os rivais do campeonato: com um jogo a mais, igualdade pontual com o Sporting e 4 pontos de atraso para o FC Porto.

A qualidade do futebol do Benfica mudou para melhor, dominando jogos, pressionando na primeira fase de construção dos advesários, jogando como equipa grande, que quer dominar e controlar e os números suportam a teoria: em relação ao campeonato do ano passado, mais dois pontos (52-50), melhor defesa (13-18) e maior diferença entre golos marcados e sofridos (33-32), mesmo com pior posição na tabela (3.º-2.º) e maior distância pontual (à entrada desta jornada,-7/-4 face aos -2 para o Sporting na época passada).

Mourinho, acrescente-se, é o grande responsável pelo bom... e pelo mau, dado que Bruno Lage perdeu apenas 2 dos 14 pontos desperdiçados na Liga, onde os encarnados continuam, todavia, sem perder.

O treinador português de 63 anos, refira-se também, considera que há trabalho a fazer no capítulo ofensivo, mas esta época até é superior, do ponto de vista estatístico, a 2002/03 (média de 2,15 golos por jogo) e 2003/04 (1,86 golos por jogos), quando dirigiu com grande sucesso o FC Porto. Neste Benfica leva 2,17 golos por jogo.

Com novo encontro marcado com o Real Madrid para a próxima terça-feira, o Benfica estará no ponto para enfrentar um adversário de classe mundial. Se, por um lado, as águias podem agarrar-se ao histórico com os merengues — 5-3, na final da Taça dos Campeões Europeus de 1962; 5-1 (em Lisboa) e 1-2 (em Madrid), nos quartos-de-final da mesma prova em 1964/65; e o ainda fresco 4-2 da fase de liga da Champions—, por outro também terão presente que não vencem uma eliminatória europeia contra espanhóis desde o Bétis, em 1982/83. Celta, Espanhol, Barcelona, Getafe e Sevilha causaram dissabores. Dos grandes.

É também um Benfica fortalecido pelo mercado aquele que aguarda pelo Real Madrid, enriquecido em qualidade e quantidade pelas entradas de Rafa, contrado ao Besiktas, e Sidny Cabral, adquirido ao Estrela da Amadora.