Letão Ainars Bagatskis assumiu o comando das águias esta temporada     Fotografia SL Benfica
Letão Ainars Bagatskis assumiu o comando das águias esta temporada Fotografia SL Benfica

Benfica regressa à Europa com alerta para o Landau Lions: «Temos de ser agressivos, mas inteligentes»

Treinador Ainars Bagatskis aponta a chave da partida para a «velocidade e energia» com que o grupo, que diz ainda se estar a conhecer, terá de aplicar

Segundo do Grupo G com apenas um desaire em quatro partidas, mas menos um jogo do que o líder Bakken Bears (4 v-1 d), esta quarta-feira o Benfica regressa à Taça Europa com a recepção, na Luz (19h00), ao Landau Lions. Trata-se de uma formação que se encontra no lado oposto da classificação (1 v-3 d), situação que pouco importa para o treinador das águias, Ainars Bagatskis, o qual identificou rapidamente numa conversa com A BOLA no final do treino, quais os cuidados a ter face ao conjunto do Azerbaijão, após a derrota na ronda anterior frente ao Lions de Genève (93-90).

«Provavelmente o mais importante é que tudo o que façamos seja com velocidade e energia. Uma das razões é porque esse é o nosso melhor jogo, mas, ao mesmo tempo, temos de cobrir as nossas decisões ofensivas. A seleção de lançamento tem de ser boa, porque esse é exatamente o ponto fraco do Lions. São um conjunto muito orientado para o ataque, mas que recupera lentamente para a defesa. Como disse, a chave é a velocidade e a energia», vai contando o técnico letão, de 59 anos.

«O segundo aspeto é a fisicalidade na defesa. Eles têm uma rotação um pouco limitada e temos de usar isso, pois, se jogarmos com velocidade e energia, teremos boas hipóteses de ser bem-sucedidos. Se jogarmos lentamente, a pensar demasiado em campo, o Lions terá melhor oportunidade», realça.

O Lions atua devagar, mas mais por dentro ou por fora? «Têm dois jogadores que têm a bola nas mãos e são eles que fazem a maioria dos lançamentos da equipa. Normalmente, no basquetebol europeu fazem-se 65 lançamentos no ataque, mas, por exemplo, na última partida estes dois elementos fizeram 40. Por isso, é claro quem faz o quê e dividem as responsabilidades. Daí termos de colocar agressividade. Não agressividade no sentido literal, mas sermos agressivos sobre esses dois atletas. No último jogo, um deles [JJ Frazier] marcou 41 pontos, o que é muito para o basquetebol moderno. Temos de pressionar mais na defesa, correr, e isso pode dar-nos boas hipóteses», reforça Bagatskis.

Para os desgastar, pensa que será necessário pressioná-los em campo inteiro? «Não, pressionar são apenas palavras para um jornalista. Temos de jogar agressivamente, mas de uma forma inteligente. Não se pode pressionar em demasia, porque todos sabem cavar faltas. Eles são suficientemente espertos; no último jogo, o base deles [JJ Frazier] lançou 14 vezes de três pontos [marcou 8]. Temos de jogar com agressividade, mas com inteligência. Esse é o fator-chave», voltou a frisar o treinador, com passagens por dez países europeus.

«Mostra-me o teu talento e mostro-te o teu papel»

E como vê o crescimento da equipa desde o início da época? Se diz que tem de os cansar, isso significa que terá de utilizar muito mais o banco? Estão todos preparados? Já jogam como esperava? «Sim e não. Essa é uma história sem fim. Disputamos um jogo, existe um problema, resolvemo-lo, mas logo aparece outro… O basquetebol é um jogo de erros. Respondendo à sua pergunta, com certeza que estamos melhores comparando com há um mês e meio, quando começámos a jogar. Este não é o nosso limite. Até eu ainda estou a aprender como utilizar alguns jogadores, e eles também devem demonstrar como podem ser úteis a esta equipa», afirma Ainars Bagatskis, que, enquanto basquetebolista, além de competir no seu país, passou pelas ligas norueguesa, francesa, polaca e lituana, tendo atuado no Zalgiris Kaunas.

«Se, por exemplo, um atleta não for útil num conceito defensivo, isso significa minutos reduzidos ou ausência de minutos. O mesmo acontece no ataque. Como se costuma dizer: mostra-me o teu talento e eu mostro-te o teu papel na equipa.»

Mas aprofundando: onde está o sim e o não da resposta anterior? Em que aspetos a equipa cresceu para o deixar satisfeito e onde está ainda atrasada? «Sou o treinador novo aqui e temos muitos atletas jovens. Para eles, este é o primeiro passo numa estrutura verdadeiramente profissional. Às vezes digo que, para eles, isto é como um dicionário de chinês. Temos também alguns estrangeiros que estão a dar os primeiros passos no basquetebol europeu. Por isso, temos de aprender a ajudar-nos mutuamente. Eles têm de aprender como me rentabilizar e eu como rentabilizá-los. É como um jogo, uma história sem fim. Como acontece em todas as profissões.

No entanto, há alguns que já tinham experiência prévia e com esses não existe problema. São experientes, verdadeiros profissionais. Vamos aprendendo todos os dias e melhorando semana após semana. O mais importante é desfrutarmos, incluindo nos treinos. Ontem estávamos a treinar, as coisas aqueceram algumas vezes durante o trabalho e continuámos. É através destas vivências que nos tornamos numa equipa melhor», concluiu o líder dos encarnados, confessando o desejo dos adeptos nas bancadas: «Temos saudades e precisamos de vocês. Penso que temos apresentado basquetebol com qualidade suficiente e necessitamos mesmo do vosso apoio.»

Sporting joga em Istambul: «Não viemos a apenas para passear»

Três horas antes, com uma complicada deslocação ao reduto do líder invicto do Grupo C, o Sporting (3 v-1 d) joga em Istambul frente ao Erokspor (16h00), igualmente para a 5.ª ronda da Taça Europa.

«Adoramos jogar em ambientes adversos, isso acrescenta intensidade ao jogo e faz-nos querer ainda mais ganhar. Estamos preparados para o desafio, ansiosos por encarar todos os adeptos que possam ir à partida», afirmou Trevor Baskin aos meios de comunicação dos leões, prevendo que o ambiente no Besiktas Gain Sport Complex não será fácil, ainda que o embate não decorra no Akatlar Spor Kompleksi, habitual casa do adversário.

«Eles tiveram jogos muito equilibrados com todas as equipas do grupo até agora; essa é a beleza das competições europeias, em que qualquer equipa pode ganhar à outra. Sabemos que a liga turca e esta equipa em particular são muito talentosas, têm tido sucesso, mas não viemos a Istambul apenas para passear. Viemos para ganhar, para competir. Pode haver pessoas que pensem que não temos hipóteses, mas o grupo está confiante e entusiasmado», garantiu o extremo leonino.

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