Quim: «Entrava para aquecer na Luz e sentia os assobios…»

Antigo guarda-redes esteve no 90+3

Quim foi o convidado do terceiro episódio da quarta temporada do vídeocast 90+3, transmitido ontem n’A BOLA TV.

O antigo guarda-redes fez uma viagem pela carreira, com destaque para os seis anos ao serviço do Benfica, clube pelo qual conquistou cinco dos sete títulos do palmarés. Os primeiros tempos não foram fáceis, porém: «O Moreira era da formação e os adeptos tinham esperança que ele fosse o guarda-redes do Benfica. Senti isso quando cheguei. A meio da época o Trapattoni mudou, comecei a jogar, mas entrava para aquecer e sentia os assobios. Era como se estivesse a entrar em casa e a ser assobiado. Felizmente consegui ser relativamente forte, nesse sentido, e entrava para dentro de campo a pensar em ajudar a equipa, os colegas, dar o melhor de mim. Consegui abstrair-me, mas ao mínimo erro sentia o Estádio da Luz…». «Mas consegui ser forte e fazer seis anos muito bons no Benfica. Consegui ser campeão duas vezes. Se calhar poderia ter sido mais, mas foi o que foi. Sinto orgulho na carreira que fiz no Benfica, no maior clube português», reforçou.

Apesar deste balanço positivo, Quim não esconde a mágoa associada à forma como saiu do clube, em 2010. «Não é normal. Sabia perfeitamente que o Jesus estava sempre a dizer que queria um guarda-redes que desse pontos, mas não é normal fazer os 30 jogos, o campeonato todo, não me dizer nada, e depois saber que não ia continuar quando ele vai a um programa de televisão. E os outros dois guarda-redes renovaram», lembrou.

Quim voltou então ao SC Braga, mas foi no Desportivo das Aves que encerrou a carreira, com a conquista da Taça de Portugal no último jogo da carreira.

«O problema do Sporting foi sofrer primeiro. Depois notou-se que caíram, veio tudo à cabeça. Até então estávamos a sentir os jogadores do Sporting com vontade. Não se pode dizer que o Aves ganhou porque o Sporting não estava na máxima força. O Aves ganhou com mérito», recordou o (antigo) guarda-redes, que só decidiu pendurar as luvas posteriormente. «Não queria sair empurrado. Queria sair por iniciativa própria e a sentir que ainda podia ajudar. Terminar com uma Taça, no Jamor, foi diferente, foi uma coisa que não estaria à espera».

Quim falou também de Ruben Amorim, com quem partilhou balneário no Benfica e no SC Braga, para assumir que «não estava nada à espera» da ascensão meteórica como treinador. «É um palhaço, no bom sentido. Brincar era com ele. Imitar o Jesus e o Jorge Mendes… Mas sinceramente não estava à espera que viesse a dar treinador. Grande treinador, e acima de tudo grande pessoa», afirmou.

Um tema que também arrancou gargalhadas neste episódio do 90+3 foi a curiosa relação - quase paralela - com a carreira de Nuno Espírito Santo. Quim recordou que estava a dar os primeiros passos na equipa principal do SC Braga quando foi abordado por um empresário então desconhecido, chamado Jorge Mendes. Decidiu recusar, sendo que foi depois a colaboração com Nuno Espírito Santo que ajudou a catapultar a carreira do SuperAgente.

«Uns anos mais tarde, Pinto da Costa tinha três nomes indicados por Mourinho: eu, o Nuno e outro. Eu cheguei a acordo com Pinto da Costa, um ano ou dois antes do Benfica. Foi no carro, ao pé do Estádio do Bessa. Depois não chegaram a acordo com o SC Braga e acabou por ir o Nuno», recordou Quim, no segundo de quatro capítulos.

«Já estava no Benfica e falou-se do Dinamo de Moscovo. Foi o Jorge. A minha mulher estava grávida do nosso segundo filho, eu estava relativamente bem no Benfica e via o Dinamo como uma incerteza. Um país diferente. Resolvi rejeitar uma proposta, que era muito boa, e acabou por ir o Nuno», revelou, antes de falar da lesão que o afastou do Euro2008. «O Nani e o Cristiano gostavam de ficar a rematar no final do treino. Eu fiquei lá, e na sequência de um remate do Nani a bola bateu-me mal e fraturei o osso da mão. Saí da convocatória e quem entrou? O Nuno!», finalizou.

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