Benfica: pontapé de saída sem preparação
O arranque de uma nova época é sempre um momento de expectativa renovada, mas entre os adeptos do Benfica não há razões para grande entusiasmo, até ver.
A troca de treinador gera sempre alguma ilusão, ainda para mais quando concretiza uma ligação que parecia destinada, mas o efeito da chegada de Marco Silva tende a ser atenuado pela desilusão acumulada de três épocas consecutivas sem conquistar a Liga e pela falta de caras novas no centro de treinos do Seixal.
O Benfica ainda não apresentou qualquer reforço, e o mais próximo que tem disso é um central brasileiro que só faz 18 anos daqui por um mês. Para comparar a contratação de Gabriel Índio com a saída de Gonçalo Oliveira seria preciso conhecer devidamente a promessa brasileira lançada pelo português Rui Duarte no Athletic Club, mas o destino de Gonçalo ficou traçado no dia em que foi ultrapassado por Enzo Barrenechea na hierarquia de centrais - ainda que o treinador tenha mudado entretanto.
O Benfica não pode deixar de procurar talento fora do Seixal, sobretudo para as posições em que não tenha produção própria - e no caso específico de Gonçalo Oliveira a avaliação da estrutura estaria em sintonia com a do José Mourinho -, mas a venda ao Rennes agrava o problema central no arranque da campanha 2026/27.
Falta menos de um mês para a estreia oficial, e mesmo que seja frente ao modesto St. Gallen, na segunda pré-eliminatória da Liga Europa, o Benfica deveria ter dado já a Marco Silva uma alternativa a António Silva, que até tem pendente a questão da renovação. A presença de Tomás Araújo no Mundial não foi propriamente inesperada, e é difícil acreditar que a saída de Otamendi para o River Plate não tenha sido atempadamente comunicada pelo capitão, ou pelo menos assumida em surdina pela estrutura.
Já deu para perceber que não haverá revolução no plantel da Luz, nem tinha de assim ser, mas o mínimo a esperar é que as prioridades fossem claramente definidas. Nem a complexidade da troca de treinador justifica que tal tenha falhado, uma vez mais.
Já por aqui escrevi que ir às compras com fome dá sempre prejuízo, mesmo que o mercado seja o de transferências. Fazer uma lista de não é precipitação, é preparação. Ter a lista e nada riscar é deixar prolongar a fome, e os adeptos do Benfica estão a chegar ao limite do jejum.