Gabri Veiga pisa o pé/tornozelo de Alexander Bah aos cinco minutos. Árbitro Miguel Nogueira mostrou cartão amarelo. Benfica entende que o médio-ofensivo do FC Porto deveria ter sido expulso — Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
Gabri Veiga pisa o pé/tornozelo de Alexander Bah aos cinco minutos. Árbitro Miguel Nogueira mostrou cartão amarelo. Benfica entende que o médio-ofensivo do FC Porto deveria ter sido expulso — Foto: Rogério Ferreira/Kapta+
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Benfica — indignação, revolta e erros próprios

Benfica publica vídeo de lances em que considera ter sido prejudicado. E, em sentido contrário, viu impunidade dos jogadores do FC Porto. Existe revolta, mas também a consciência de que a equipa deveria ter feito mais

O Benfica voltou à carga contra a arbitragem de Miguel Nogueira no clássico com o FC Porto (1-3), anteontem, no Dragão. O clube considera-se prejudicado, expressão utilizada na newsletter publicada no site, e partilhou, nas redes sociais, um vídeo com vários lances que justificam o estado de espírito. Para os encarnados, os jogadores do FC Porto beneficiaram de impunidade e de dualidade de critérios.

O presidente do Benfica, Rui Costa, decidiu não participar na gala da FPF, ontem, num gesto simbólico de protesto, pelo descontentamento do estado da arbitragem e do futebol português. O clube foi representado pelos vice-presidentes Tomás Barroso e Mónica Sabrosa.

São sete os lances de que se queixa o Benfica, para quem a entrada dura de Gabri Veiga, autor do primeiro golo dos dragões, sobre Alexander Bah, aos cinco minutos, deveria ter sido castigada com vermelho e não com amarelo. Esse lance não justificou a intervenção do videoárbitro, Luís Ferreira, para incompreensão das águias.

O Benfica queixa-se, também, de que Alberto Costa, duas vezes, Kiwior, William Gomes e Samu escaparam a ação disciplinar de Miguel Nogueira e que ficou um penálti por assinalar, por alegada falta de Kiwior sobre Rafa, lance que o especialista de arbitragem de A BOLA, Pedro Henriques, considerou legal. O antigo árbitro, na análise ao clássico, classificou Miguel Nogueira com nota 5 (escala de 0 a 10), embora tenha assinalado que Alberto Costa, Kiwior e Samu deveriam ter visto cartões amarelos.

Marco Silva não quis falar sobre a arbitragem, mas não conseguiu esconder a insatisfação pelo que se passou em campo, defendendo que em Portugal se consegue condicionar os árbitros «de todas as formas possíveis». Deixou o caminho aberto para Rui Costa se pronunciar, depois, antes do regresso a Lisboa.

O presidente do Benfica não contestou a expulsão, por acumulação de amarelos de Lenglet, apesar de ter afirmado que André Silva se queixou da cara quando levou «ligeira pancada na nuca». Para Rui Costa, o problema de Miguel Nogueira foi a «dualidade tremenda» dos critérios disciplinares. «A quantidade de faltas que o FC Porto cometeu que não foi punida com cartão amarelo deu mais força a uma equipa e tirou força a outra. Isto foi aquilo que todos viram», argumentou, recordando a «cara cheia de sangue de Prestianni», depois de uma pancada de Alberto Costa «quase sem bola e que nem sequer foi sancionada».

Reconhecimento de erros

Não obstante a indignação pelo desempenho da equipa de arbitragem, Marco Silva reconheceu que a equipa perdeu «por culpa própria», identificando um erro «evitável» no primeiro golo do FC Porto e «uma variação sem sentido do centro de jogo» no segundo, falta de maturidade e coesão e de critério com bola para gerir o ritmo. «Temos de nos focar no importante — as coisas que temos de melhorar», resumiu o treinador.

Vencidos mas não convencidos

Marco Silva também alertou, na conferência de Imprensa, para a necessidade de trabalhar mais para o crescimento da equipa, Rui Costa acrescentou que o trabalho do treinador e dos jogadores vai dar frutos e, ontem, João Palhinha, nas redes sociais, deu o mote para a reação.

«Hoje com mais convicção e crença de que iremos conquistar juntos», escreveu nas redes sociais, numa mensagem de confiança dirigida aos adeptos.

Os sete lances de que se queixa o Benfica no clássico

Entrada dura

Aos cinco minutos, Gabri Veiga cometeu falta dura sobre Alexander Bah — pisão sobre pé/tornozelo do defesa foi sancionado pelo árbitro Miguel Nogueira com cartão amarelo. Logo no relvado, jogadores e equipa técnica protestaram e pediram expulsão do médio-ofensivo, que marcou o primeiro golo do jogo. Benfica entende que o videoárbitro, Luís Ferreira, deveria ter agido e chamado o árbitro para ver as imagens do lance.

Sangue

Prestianni, aos 21', foi atingido na cara por Alberto Costa, num lance que o Benfica entende ter sido de excessiva dureza. Ficou a sangrar, levou amarelo por protestar enquanto o defesa não foi sancionado.

Sem amarelo

João Palhinha, que lançava um contra-ataque ainda no meio-campo do Benfica, é rasteirado por trás por Alberto Costa, que escapou ao cartão amarelo. Foi uma das decisões protestadas por Marco Silva em campo.

Empurrão

Alexander Bah foi empurrado ostensivamente por Kiwior, que nem tentou jogar a bola, num lance rápido pela direita do ataque do Benfica. Foi impedido de fazer um cruzamento para a área. Falta foi assinalada, mas o defesa-central do FC Porto não foi admoestado.

Ceifado

William Gomes, aos 45+3', ceifou as pernas de Prestianni. Benfica entende que nem tentou jogar a bola. Sem amarelo.

Penálti

Aos 62', o Benfica entende que Rafa foi rasteirado na área por Kiwior, depois de ter rematado à baliza. Pedro Henriques, especialista de arbitragem de A BOLA, esclareceu que o avançado do Benfica arrastou o pé esquerdo e daí nasceu o contacto. Entende que não foi falta.

Expulsão

Benfica considera que Samu deveria ter sido expulso aos 90+3', por ter atingido Bah com uma palmada nas costas. Entende até que esse ato foi mais grave do que o segundo cartão amarelo mostrado a Lenglet, que Rui Costa não contestou. Samu não viu amarelo. Bah foi admoestado por comportamento antidesportivo.

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