Sérgio Conceição já recusou o FC Porto por fidelidade ao Vitória de Guimarães
Longe vão os tempos em que para o FC Porto era uma dor de cabeça jogar no D. Afonso Henriques. Neste século, em 29 jogos, os conquistadores só conseguiram vencer os dragões no próprio reduto em três ocasiões. De resto, há cinco empates e 21 vitórias para o da Invicta.
O último triunfo foi a 17 de janeiro de 2016 (1-0, para o campeonato), com um golo de Bouba Saré, e o treinador dos minhotos era… Sérgio Conceição. Aquela partida ficou marcada para a história pelo assédio que os portistas tinham feito ao timoneiro nos dias que o antecederam. Julen Lopetegui havia sido despedido do comando técnico do emblema da Invicta no dia 8 de janeiro.
Importa ainda lembrar que foi Rui Barros (adjunto da casa) a liderar, de forma interina, a equipa portuense no encontro da cidade-Berço.
Tal como A BOLA noticiou na altura, Sérgio Conceição era a primeira opção do clube então liderado por Jorge Nuno Pinto da Costa para suceder ao espanhol, mas o duelo entre os dois emblemas do Norte impediu esse casamento que um ano e meio depois se tornou inevitável.
No final do encontro, aquele que viria a ser o homem do leme azul e branco (mas só a partir de 2017 e até 2024) falou do ruído em volta do interesse e lamentou que o seu caráter tivesse sido atacado naquela semana.
«Nasci num meio muito humilde. Tenho muitos defeitos, mas há princípios que me passaram dos quais nunca abdicarei, como a dignidade, sinceridade, honestidade e frontalidade. Fazem parte do meu caráter e da minha personalidade», atirou, apontando o dedo a notícias que considera terem posto tais valores em causa.
«Não gostei que durante a semana tivessem posto em causa esses valores, que fazem parte da minha vida», disse o ex-jogador, emocionando-se quando recordou os educadores — pais —, que já tinham falecido.
Com Sérgio Conceição a manter o compromisso com os vimaranenses até ao final da temporada, a escolha da estrutura do FC Porto para liderar os dragões acabou por recair em José Peseiro — que só aguentou até ao final da época, depois de ter sido eliminado nos 16 avos de final da Liga Europa (contra o Borussia Dortmund), ter deixado a equipa no terceiro lugar no campeonato e perdido a final da Taça de Portugal para o SC Braga.
Curiosamente, alguns dias depois (já em 2016/17), José Peseiro juntar-se-ia aos arsenalistas. Nessa época, por seu turno, Sérgio Conceição saiu do Vitória de Guimarães (após um décimo lugar na Liga) para rumar aos franceses no Nantes e só em 2017/18 assinou pelos azuis e brancos.
'Frango' de Casillas também ficou para a história
O filme do último triunfo dos vitorianos sobre os dragões no reduto minhoto vai muito além do trailer a envolver Sérgio Conceição. Praticamente na primeira cena do confronto, Iker Casillas protagonizou aquele que foi — de certo — um dos lances mais infelizes da notável carreira.
Ao minuto 4, Cafú rematou de fora da área, o esférico sai muito desenquadrado, batendo na cabeça de Pedro Henrique. A bola tanto subiu que o guardião espanhol calculou mal tempo de salto, acabando por oferecê-la inacreditavelmente (num gesto tipicamente de voleibol) a Bouba Saré, que, à boca da baliza, não hesitou em fazer o gosto ao pé. Até o próprio ex-Real Madrid ficou, como qualquer portista, incrédulo…
A passar um momento delicado, com a saída de Julen Lopetegui e muita indecisão sobre o futuro do comando técnico, os dragões revelaram-se incapazes de dar a volta. Pelo contrário, os conquistadores aproveitaram um adversário muito débil — de que o frango de Iker Casillas serviu de retrato perfeito — e souberam superiorizar-se.
«O resultado não deixa dúvidas a ninguém, foi um excelente jogo da nossa parte», analisou Sérgio Conceição no final de um encontro do qual há a registar ainda a expulsão de Vincent Aboubakar aos 90+3’.