Benfica: contrato com a NOS vale mais €17 milhões por época
O Benfica anunciou, em comunicado publicado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a assinatura de contrato com a NOS de venda dos direitos de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da equipa principal e dos direitos de transmissão televisiva e distribuição do canal Benfica TV por um valor que «deverá ascender» a €114,2 milhões em dois anos, ou seja, €57,1 milhões por ano. Esse valor representa, desde logo, um aumento de receita anual de cerca de €17,1 milhões e, não menos importante, mais de cerca de €20 milhões que possível proposta da Liga para a centralização, tendo em conta a estimativa de avaliação de €225 milhões dos direitos audiovisuais da Liga e Liga 2 e a chave de distribuição já aprovada por clubes.
O contrato com a NOS tem a duração de duas épocas desportiva, 2026/2027 e 2027/2028, com «contrapartida financeira de €104,6 milhões». Acrescenta-se, no comunicado, que «foi ainda estabelecido um contrato de exploração publicitária do Canal Benfica TV que deverá atingir um montante adicional de €2,4 milhões». O Benfica esclarece também que reteve o direito de exploração da publicidade dinâmica no Estádio da Luz — «valorizado em €7,2 milhões» — durante as referidas temporadas. E conclui, dessa forma, que «o valor total de receitas de televisão deverá ascender a €114,2 milhões», assinalando tratar-se do «valor mais avultado de sempre em Portugal».
O anterior contrato, válido por 10 anos, foi assinado em 2015 pelo valor de €400 milhões. O novo irá durar, então, até 2028. Nesse ano, como se sabe, entra em vigor o Decreto-Lei n.º 22-B/2021, que determina a titularidade dos direitos de transmissão televisiva e multimédia, e demais conteúdos audiovisuais, relativos aos campeonatos masculinos de futebol da Liga e Liga 2, e estabelece regras relativas à sua comercialização, ou seja, entrará em vigor a centralização dos direitos audiovisuais.
O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, confirmou, em dezembro, que a chave de distribuição está definida, mas reconheceu que apenas se saberá o valor anual dos direitos «quando chegar o leilão» da venda. Prometeu «valorizar o produto» e «trabalhar em conjunto para chegar ao melhor [valor] possível». A estimativa é, pois, que possa estar entre os €200 milhões e €250 milhões por ano.
O Benfica retirou-se da Liga Centralização e Rui Costa já afirmou que a Liga tem «mão cheia de nada». O presidente dos encarnados admitiu voltar ao processo de centralização «quando forem cumpridas as promessas aos clubes». Agora, depois da assinatura deste contrato, reforça a posição para não perder dinheiro com a centralização dos direitos e, em último caso, sensibilizar o Governo para a revogação do referido Decreto-Lei por considerar que não estão asseguradas as condições para a valorização do produto, crescimento real das receitas dos clubes, modernização da indústria e reforço da competitividade.
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