Sidny e Rafa custaram, respetivamente, €6 milhões e €5 milhões — Foto
Sidny e Rafa custaram, respetivamente, €6 milhões e €5 milhões — Foto

Benfica: carteira fechada e apenas dois reforços

Sexto investimento mais alto na janela de transferência de inverno é o mais reduzido desde 2022. Águias tentaram reforçar a equipa com mais jogadores mas não houve fumo branco em várias negociações

O mercado de transferências deste inverno fechou sem qualquer surpresa de última hora no Benfica. José Mourinho não recebeu qualquer contratação nem houve qualquer saída relevante do plantel, depois de os encarnados terem explorado várias possibilidades (não concretizadas) para reforçar o grupo e também resistido a ataques a alguns jogadores da equipa. É preciso recuar até 2022 para encontrar menos mexidas no plantel.

O Benfica, há quatro anos como agora, estava mal desportivamente, então também no terceiro lugar e a menos 12 pontos que o FC Porto, na liderança. Rui Costa tinha vencido, em outubro de 2021, as eleições, com 84,48 por cento, derrotando Francisco Benítez. Pouco mais de dois meses depois, trocou Jorge Jesus por Nélson Veríssimo. E o Benfica, então também praticamente afastado do título, pouco mexeu na equipa. Foi inscrito apenas Yony González, ao Fluminense — o extremo colombiano foi inscrito na Liga, mas não chegou a vestir a camisola dos encarnados. Saíram, nesse inverno, o defesa-central Ferro e o médio Gedson.

O Benfica contratou, agora, o lateral/extremo Sidny por €6 milhões, mais €2,5 milhões de bónus por objetivos, por 90 por cento do passe, e o avançado Rafa por €5 milhões. Qualquer dos reforços oferece diferentes possibilidades a José Mourinho, ou seja, pode jogar em diferentes posições.

Os encarnados, como se sabe, estiveram ativos no mercado em busca de um ponta de lança, um extremo e um médio. Negociaram, para o ataque, a contratação de Lorenzo Lucca, do Nápoles, por empréstimo, com opção de compra.

O avançado italiano preferiu o Nottingham Forest, desde logo por não ter a garantia de utilização regular na Luz. Em relação ao extremo, o Benfica avançou em força para André Luiz e ofereceu €12 milhões, mais €3 milhões de bónus por objetivos, ao Rio Ave, que, numa primeira fase, pediu €15 milhões. Sem avanços depois da oferta recusada, os encarnados retiraram-se de cena. O extremo brasileiro acabou no Olympiakos por €6,75 milhões. Wesley, do Al Nassr, que as águias acompanham desde o Corinthians, chegou a ser considerado, mas exigia também um investimento elevado. O reforço dessa posição, porém, deixou de ser necessário depois das contratações de Sidny e de Rafa e da recuperação de Dodi Lukebakio, cujo regresso está previsto para este mês.

Por fim, o Benfica também tentou a contratação do médio Stije Resink, do Groningen, que não quis negociar — os encarnados estavam disponíveis para oferecer €7 milhões, mais €3 milhões de bónus por objetivos. Para o setor, porém, Enzo Barrenechea, apesar de ainda não estar a 100 por cento, voltou a estar disponível, após recuperar de lesão no ombro direito e Richard Ríos, também lesionado no ombro direito, regressará este mês e já deve ser opção para o duelo com o Real Madrid na Champions.

Resistência a saídas

Rafael Obrador foi a única saída relevante do plantel, apesar de não ter sido utilizado por José Mourinho — partiu por empréstimo para o Torino. Mas poderia haver mais.

O Club Brugge negociou com o Benfica a transferência de Andreas Schjelderup — não chegou ao valor desejado pelo Benfica, que investiu €14 milhões na contratação do extremo norueguês, incluindo serviços de intermediação e prémio de assinatura. Os dois golos marcados por Schjelderup ao Real Madrid reforçaram o peso dele no plantel. Também Gianluca Prestianni começou a jogar com regularidade — titular das últimas seis vezes em que foi utilizado.

O Benfica acaba com investimento de €11 milhões, substancialmente inferior aos que fez nas últimas três épocas. Há um ano entraram, por exemplo, Dahl, Manu, Bruma e Belotti, por €18 milhões, e saíram Beste e Kaboré, por €8 milhões. Prevaleceu, como em 2022, numa situação desportiva semelhante, a prudência financeira. Até porque, como se sabe, a qualificação para a próxima edição da Champions será um desafio complicado. Foi, por isso, Benfica com carteira fechada neste mercado.