William Gomes, André Silva e Pepê celebram golo ao Moreirense - FOTO: Kapta+
William Gomes, André Silva e Pepê celebram golo ao Moreirense - FOTO: Kapta+

FC Porto: feio é não ganhar

No Dragão já ninguém confunde a estética da vitória com capacidade de rendimento; Benfica e Sporting têm de ter noção do que enfrentam

O FC Porto do presente continua a erguer-se sobre uma premissa inegociável do passado: estofo competitivo. O campeonato é longo e mesmo na I Liga portuguesa o perigo pode vir de onde menos se espera (veja-se a derrota portista com o Casa Pia na época passada). Daí que a consistência seja fator determinante para se apurar o campeão.

Essa regularidade não se mede apenas por nota artística, mas sobretudo pela capacidade de se destacar e vencer quando o contexto se torna adverso. Cinco jogos e cinco vitórias constituem o pleno absoluto de uma equipa que, mesmo sem encantar em todos os momentos, demonstra um pragmatismo altamente eficaz.

O triunfo por 2-1 frente ao Moreirense neste arranque de jornada representou o primeiro teste à capacidade de reação azul e branca. Ao sofrer o primeiro golo no campeonato e ver-se em desvantagem, a estrutura portista não vacilou.

Pelo contrário, ativou a maturidade e a agressividade mental indispensáveis às grandes equipas. Ou, dizendo melhor, às equipas dos grandes.

O saldo de 11 golos marcados e apenas um sofrido reflete um equilíbrio assinalável entre uma defesa coesa e um ataque com eficácia suficiente para resolver nos momentos decisivos e ao qual se junta Santiago Gimenez.

É evidente que persistem nuances por afinar e que certas exibições possam deixar na bancada a sensação de um futebol por vezes curto ou pragmático em demasia. Dadá Maravilha, antigo goleador brasileiro, dizia que «não existe golo feio, feio é não fazer golo». No universo de Farioli adapta-se o lema. Não existem vitórias feias. Feio é mesmo não ganhar.

No Dragão já ninguém confunde a estética da vitória com capacidade de rendimento. É um estilo. Muito próprio do FC Porto e que, provavelmente, por razões que tem a ver com a herança clubística e cultura regional, não teria tanto acolhimento pelos rivais de Lisboa.

O FC Porto já teve equipas que deslumbraram no jogo da bola, obviamente. Como Benfica e Sporting tiveram as suas pragmáticas; mas pelo momento, pelo contexto do clube, esta maneira de se fazer as coisas talvez seja a ideal para continuar a reunir o mundo azul e branco.

O que fica destas cinco jornadas é uma ideia clara. O FC Porto vai defender com tudo o que tem o título que carrega. A época passada não terá sido ocasional e Benfica e Sporting têm um rival muito duro de roer.

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