Rui Borges. Foto: António Pedro Santos/LUSA
Rui Borges. Foto: António Pedro Santos/LUSA

As despedidas, o mercado e o «mínimo»: tudo o que disse Rui Borges

Técnico deixou rasgados elogios a Morita e afirmou que o segundo lugar «é o mínimo que este grupo merecia». Analisou a contratação de Zalazar e falou do mercado

— Que análise faz ao jogo e um comentário às despedidas de Morita e Quenda?

Uma grande primeira parte nossa. Dominadores, não deixámos o Gil ter sucesso com bola. Boas reações, equipa dinâmica, bons timings de pressão também para acionar sobre a linha defensiva do Gil. Chegámos aos golos com naturalidade, mais para o fim da primeira parte podíamos ter feito mais um. Uma segunda parte diferente onde o Gil tentou ser mais pressionante e teve aproximações à nossa baliza. Depois fomos conseguindo controlar o jogo com bola e acabámos por fazer o 3-0 já numa parte final do jogo. Merecido até pelas oportunidades que criámos.

Em relação às despedidas: triste porque são dois grandes jogadores. O Quenda está no início da carreira, que será, sem dúvida alguma, muito boa, pelo miúdo que é, pela qualidade que tem. Em pouco tempo, marcou muito o Sporting, por isso desejar-lhe a maior sorte do mundo. O Morita é um jogador diferente. Sou um grande admirador. Ensinou-me muito. Triste por vê-lo partir porque é um jogador maravilhoso, mas feliz por tudo o que deu ao Sporting ao longo destes anos. Particularmente, neste ano e meio que estou aqui, ter a felicidade de o ter como meu jogador foi algo que jamais vou esquecer pela sua qualidade futebolística, pela sua qualidade humana, e vai ser sempre alguém especial não só para mim, mas para todos os sportinguistas.

— A que sabe este segundo lugar? Que qualidades vê no Zalazar?

O segundo lugar acaba por dar algum valor e algum brilho à época. Era o mínimo que eles mereciam, pela capacidade que tiveram e pela qualidade que mostraram. Não foram 15 dias menos bons que apagam tudo o que foi a extraordinária época que fizeram. Jogadores condicionados a querer dar a cara e os melhores, quando são os melhores, não se escondem, querem sempre dar a cara quando são os momentos decisivos e hoje mais uma vez o grupo provou isso. Era o mínimo que merecia este grupo. Temos ainda, felizmente, uma final da Taça para disputar.

Em relação ao Zalazar: é um jogador que fez uma grande época a nível interno. Um jogador internacional, que possivelmente estará no Mundial também. Mostra bem a qualidade que tem. Vai nos dar muitas soluções naquilo que são as nossas dinâmicas. Acima da média em termos futebolísticos, muito competitivo, com uma ambição enorme à imagem daquilo que é o Sporting.

— O que falhou e o que aprendeu com esta época?

Aprendemos sempre. Mesmo durante os jogos eu aprendo com pequenas coisas. O FC Porto foi mais competente que nós. Acabámos com os mesmos pontos da época passada. A época passada fomos campeões, este ano não chegou. O grupo fez um grande campeonato. Tivemos alguém que fez um campeonato extraordinário e nós tínhamos que ter sido melhores em alguns momentos. Não o fomos. Não vou arranjar desculpas de nada. Vou sim olhar nos momentos certos, olhar o que é que poderíamos ter feito, o que é que podemos melhorar no futuro. E faz parte do crescimento enquanto treinador. Mas, acima de tudo, muito orgulhoso de tudo o que tem sido a trajetória aqui no Sporting porque, felizmente, só não consegui disputar uma final, que foi a da Taça da Liga este ano. Estivemos dentro de todas as decisões. O campeonato lutámos quase até ao fim. É isso que dita também a grandeza do Sporting. Infelizmente não fomos tão capazes como quem foi campeão.

— O Sporting já está a apontar baterias à nova época. Isso significa que parte em vantagem?

Não partimos à frente de ninguém. Só contratámos um jogador. Isto ainda vai mexer muito. Vão sair jogadores, vão entrar jogadores, faz parte, é o mundo do futebol. Os meus serão sempre os melhores independentemente de quem sejam. Por isso acredito muito no plantel da próxima época.

— É uma época positiva para o Sporting? Os milhões da Champions deixam-no mais descansado em relação a saídas?

Adoro os meus jogadores, mas depois tenho a parte fria de perceber que faz parte. Vou ter um plantel com vários jogadores. Tenho que ter a capacidade e competência para tornar um Sporting forte e ser competitivo novamente. É para isso que vamos trabalhar para a próxima época, independentemente dos jogadores. Mas, se me perguntar, claro que não quero que saia nenhum porque gosto muito deles todos.

— O Debast foi convocado para o Mundial. Qual é o estado da lesão? O Hjulmand estava lesionado, acaba por ser titular, foi a despedida?

Não, o Morten recuperou. Disse que já estava a trabalhar no campo, só não disse que estava disponível para o jogo. Éum grande capitão. Mesmo condicionado, mesmo com dor, quis estar aqui, quis estar a dar a cara, não se escondeu, como um grande líder que é. Sim, o Zeno tem um problema. Se a seleção assim entende que é capaz de conseguir o seu contributo, é uma opção da seleção e do atleta também.

— O que disse a Morita?

Só um obrigado por tudo o que nos ajudou. Não só a nós, equipa técnica, como ao Sporting. Porque é uma delícia vê-lo jogar e só podia agradecer por tudo o que tem sido como jogador, como uma grande referência que é para o grupo, mesmo não sendo um capitão.

— O Ioannidis é hipótese para a final da Taça? Na quarta-feira, vai torcer pelo Aston Villa?

Vou juntar a equipa para ganhar ao Torreense. É nisso que tenho que me preocupar. É ligar a equipa e tê-los preparados para aquilo que será a exigência da final da Taça. Pelo respeito pela equipa, lembrá-los que começámos esta Taça de Portugal em Paços de Ferreira e só conseguimos ganhar no prolongamento contra uma equipa de Liga 2 que está a lutar para não descer e vamos jogar contra uma que está a lutar para subir. O Ioannidis pode ser opção para a final.

Galeria de imagens 31 Fotos

A iniciar sessão com Google...