Tondela caiu em Arouca (Foto: Lusa/Paulo Novais)
Tondela caiu em Arouca (Foto: Lusa/Paulo Novais)

Arouca ditou sentença final: Tondela despede-se da Liga (crónica)

Descida de divisão dos tondelenses confirmada com derrota convincente frente a uma equipa competente e que ainda ultrapassou o Vitória de Guimarães

Foi sol de pouca dura o regresso do Tondela ao convívio com os grandes. A equipa passou todo o campeonato nas últimas três posições da tabela, passou por duas chicotadas psicológicas – Bacci rendeu Ivo Vieira e depois foi substituído por Gonçalo Feio, que ainda ganhou oito esperançosos pontos em sete jogos, mas não conseguiu fechar com chave de ouro, sucumbindo perante um Arouca competente e que ainda ultrapassou o Vitória de Guimarães nesta jornada para ficar, à condição, no 8.º lugar.

Quando os nervos contam a história, o desfecho costuma ser o mesmo. O Tondela entrou bem em campo, pressionante e a criar perigo, com Aiko (4') e Manso (6') a porem a defesa arouquense em sentido, ao forçarem o erro na saída de bola da turma de Vasco Seabra. Mas ultrapassar essa armadilha expunha as fragilidades do Tondela.

Trezza ainda testou (13') Bernardo Fontes, que terminou o campeonato como o guarda-redes com mais defesas realizadas, mas o Arouca não ia avisar mais. Ao fazer um corte deficiente para a área, a defesa do Tondela sofreu com a ira no remate de Fukui (20'), que ainda contou com um desvio precioso de Juan Rodríguez para bater Bernardo. E como este domínio repentino não era obra do acaso, dois minutos depois, Trezza viu Gozálbez responder ao seu cruzamento com um remate em cheio na trave.

A jogar sem uma referência fixa no ataque, o Tondela caiu na tendência de fazer maus cruzamentos para a terra de ninguém. Manso, Conceição e até Rony Lopes teimavam em não acertarem no passe e só o internacional português assustou Arruabarrena: ao cobrar (42') um livre lateral, levou a bola a passar muito perto do poste.

Vela de esperança que rapidamente se apagou

Pressionado pelos resultados dos adversários e do tempo, o Tondela forçou o seu crescimento na partida e mesmo deixando-se exposto a alguns contra-ataques, o Arouca não tinha engenho para os finalizar. Assim, com o seu jogo imposto e com maior confiança, Rony Lopes devolveu (65') a esperança aos tondelenses na melhor jogada da equipa, assistido na perfeição por Aiko.

Os audíveis adeptos do Tondela empurravam a equipa para a frente, Pedro Maranhão ameaçou (68'), Hugo Félix obrigou (72') Arruabarrena a aplicar-se, mas o balão de energia ficou praticamente vazio com novo golo dos casa.

Num canto batido da esquerda, Tiago Esgaio penteou a bola ao primeiro poste e ao segundo, Trezza encostou (77') para o 2-1, e encaminhou o Tondela para um inescapável destino, algo que foi confirmado com o golo de Hyun-ju Lee (85'), quando o adversário já só pensava no ataque.

Melhor em campo: Fukui (7)

Não admira que esteja no radar do Sporting. Teve a sagacidade para aparecer no sítio certo para abrir o marcador e ditou todo o jogo com bola da equipa, pautando o ritmo como bem lhe apetecia. Competente no passe e com chegada à área, o ex-Bayern de 21 anos promete continuar a dar nas vistas

Figura do Tondela: Makan Aiko (6)

No meio de uma equipa nervosa, foi o mais esclarecedor do Tondela nas suas ações. Muito vertical com a bola no pé, e sempre com a baliza na cabeça, tomou a melhor decisão quando, no coração da área, aconchegou a bola para o golo de Rony Lopes. A sua saída de campo, aos 73’, coincidiu com a pior fase do jogo do Tondela.

Reação de Vasco Seabra, treinador do Arouca:

Antes de mais, dou uma palavra de força às gentes de Tondela. Muito feliz pelo que conquistámos juntos, com 28 pontos ganhos na segunda volta. Temos muitos jovens com muito talento, com capacidade para jogarem ao mais alto nível. Espero que não vendam muitos jogadores no verão, se tiver de acontecer, que seja um bom negócio para todos. Ficarei sempre satisfeito pela valorização deles, mas gostaria de ficar com eles mais um ano.

Reação de Gonçalo Feio, treinador do Tondela:

O Arouca é muito forte, criou-nos dificuldades, mas batemo-nos bem. O que a minha equipa fez não foi suficiente, mas nunca desistimos, nunca atirámos a toalha ao chão. Deixo uma palavra aos nossos jogadores, estão desolados, alguns a chorar no balneário. Temos de aprender, de forma dolorosa, o que podíamos fazer melhor. Eu, primeiro, e depois todos os outros.

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