Chucho comandou o Kaique da permanência (crónica)
À terceira foi de vez e o Nacional conseguiu fechar as contas da permanência. Depois de desperdiçar frente ao Aves SAD e ao Santa Clara a conquista do ponto que faltava, os madeirenses não falharam desta vez e evitaram o play-off sem depender do resultado de terceiros e formalizaram de forma definitiva a presença na Liga em 2026/27. E para terminar em beleza, conquistaram os três pontos.
Com o fito no objetivo, os madeirenses optaram por não correr riscos, com um bloco médio/baixo e sem pejo em dar a iniciativa ao adversário, recuando Matheus Dias para junto dos centrais, deslocando-o do miolo no 4x2x3x1 desenhado por Tiago Margarido. Mas faltou ataque, principalmente até ao intervalo, com as transições a não saírem. Depois foi bem diferente, houve olhos na baliza e eficácia no remate.
Em esquema idêntico e com nuances semelhantes – Gonçalo Nogueira também descia para terceiro central em momento defensivo – o Vitória de Guimarães aproveitou esses receios do adversário e esteve mais perto da baliza de Kaique Pereira, que foi determinante em mantê-la limpa. O guarda-redes começou a brilhar aos 13 minutos quando Gustavo Silva teve, por duas vezes, o golo na cabeça. Primeiro foi junto ao travessão sacudir a bola pela linha de fundo e na sequência do canto esticou-se para afastar com a mão esquerda junto ao poste esquerdo. Estes foram, de resto, os únicos lances com emoção nas balizas, na primeira parte.
Bem diferente foi a segunda metade. O Nacional começou a acertar na frente, com uma atitude mais proativa. Paulinho Bóia (47') e Chucho Ramírez (57') avisaram sobre as novas intenções dos madeirenses e o atacante venezuelano abriu a contagem, depois da sua equipa ter apanhado um enorme susto, quando Gustavo Silva perdeu mais um duelo com Kaique, que teve reflexos para afastar um cabeceamento para o travessão. Depois, a classe de Chucho fez a diferença, finalizando de primeira e de forma acrobática um cruzamento de Witi.
A vantagem mínima foi segurada pelas mãos de ferro de Kaique, que pouco depois defendeu uma grande penalidade de Samu, após falta de Zé Vitor a Ricardo Rocha. E dois minutos depois Chucho Ramírez tranquilizou os adeptos madeirenses, quando Pablo Ruan foi derrubado por Zeega na área, com o avançado a não desperdiçar dos 11 metros, gerando uma explosão de alegria na Choupana.
Desceu o pano da Liga 2025/26 e na Madeira a próxima época será vivida com emoção redobrada: voltam os dérbis com o Marítimo.
O guardião foi fundamental em ir mantendo a sua baliza em branco e o Nacional vivo no jogo. Na 1.ª parte evitou que Gustavo Silva marcasse, com duas grandes defesas no mesmo minuto (13’). O festival de defesas continuou e na 2.ª parte ganhou o terceiro duelo a Gustavo Silva, desviando para a trave um cabeceamento com selo de golo. E terminou em beleza ao deter um penálti de Samu, quando estava 1-0.
As notas dos jogadores do Nacional (4x2x3x1): Kaique (8), Alan Nuñez (5), Léo Santos (6), Zé Vitor (5), José Gomes (5), Matheus Dias (5), Laabidi (6), Witi (6), Filipe Soares (6), Paulinho Bóia (6), Chucho Ramírez (7), Pablo Ruan (5), André Sousa (-), Chico Gonçalves (-) e João Aurélio (-).
O mais perigoso dos minhotos. É certo que perdeu, por três vezes, o duelo com Kaique, mas tal deveu-se à qualidade das intervenções do guarda-redes do Nacional. Porque o avançado vimaranense fez tudo para finalizar nas três vezes que visou, com a cabeça, a baliza. Sempre com intencionalidade, conseguiu fugir às marcações para aparecer em zonas de finalização.
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães (4x2x3x1): Charles (5), Miguel Maga (5), Thiago Balieiro (5), Abascal (5), Francisco Dias (5), Gonçalo Nogueira (6), Ricardo Rocha (6), Telmo Arcanjo (6), Samu (5), Camara Jr. (5), Gustavo Silva (6), Saviolo (5), Zeega (-), Hugo Nunes (-) e Miguel Nogueira (-)
Tiago Margarido, treinador do Nacional
«Um misto de alívio e dever cumprido. Na primeira parte os jogadores estiveram um pouco receosos e nervosos e mesmo assim, mediante a pressão do jogo, conseguiram ser competentes e estáveis. Na segunda, tentámos encorajá-los e dar-lhes uma sensação de que são capazes de fazer mais e a verdade é que a equipa demonstrou uma competência enorme, porque fechámos os espaços ao Vitória e com justiça vencemos. [vai para férias com o futuro resolvido, ou está ainda tudo em aberto?] A minha preocupação era conseguir a manutenção e o meu espírito de missão era terminar hoje com o Nacional na Liga. Sinceramente não tive tempo para pensar, estávamos envolvidos nisto e a partir de amanhã vou falar com o meu agente e vermos o que temos em carteira e decidir o melhor.»
Gil Lameiras, treinador do Vitória de Guimarães
«Estivemos sempre por cima e penso que faltou um pouco de sorte para atingir o resultado que queríamos, que era vencer. Não merecíamos este resultado, mas, no fundo, o futebol é feito pelas bolas que entram, e, nesse aspeto, o Nacional foi mais eficaz.»